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“O grande desafio de hoje é orientar a empresa a ter uma gestão com cenário volátil, imprevisível e até incontrolável”

16 de junho de 2015

Com o objetivo de buscar constantemente a excelência da gestão das empresas, a FNQ – Fundação Nacional da Qualidade tem atuado de forma pontual nos estados, por meio de seus programas de qualidade e pela implantação do MEG, o Modelo de Excelência da Gestão, que conta com metodologias de capacitação, mensuração e diagnose nas empresas. Na Paraíba, é pelo PPQ – Programa Paraibano de Qualidade  – que empresários de todos os portes podem conhecer um dos caminhos para a tão almejada qualidade na administração.  

Recentemente, o PPQ promoveu o Fórum de Lideranças, voltado para empresários de diversos segmentos. Em pauta, crescer, inovar e se desenvolver de forma inteligente e sustentável em meio à crise econômica.  Além de empresários e autoridades locais, o presidente da FNQ Jairo Martins ministrou uma palestra que destacou a agenda Brasil 2015-2016 para as organizações privadas, públicas e também para a sociedade. “O grande desafio de hoje é orientar uma empresa a ter uma gestão com cenário totalmente volátil, imprevisível e até incontrolável em muitas situações”, avaliou. Após a palestra, Jairo Martins conversou com o Paraíba Total, que foi um dos apoiadores do Fórum de Lideranças. Confira trechos da conversa:

Qual o objetivo da sua vinda à Paraíba?

Vim participar da terceira edição do Fórum de Lideranças, promovido pelo PPQ – Programa Paraibano de Qualidade e pela FNQ – Fundação Nacional da Qualidade. Eu já participei de eventos similares nos estados e gosto do trabalho que PPQ tem feito, de mobilização, de disseminar o modelo. Então eu venho com satisfação porque nós temos que cuidar do Brasil, o Brasil precisa ser excelente de norte a sul e de leste a oeste. Ter uma instituição como o PPQ que faz esse trabalho, realmente merece todo o nosso apoio.

Como o senhor analisa o desempenho do PPQ no nosso Estado?  

O PPQ está evoluindo! Eu posso dizer que o PPQ hoje é um dos melhores programas que temos no Brasil, nós tínhamos uma concentração no Sul do país de Programas que funcionam bem, mas agora eu posso dizer que o PPQ é um benchmarking nacional, pode ter certeza.

Quais são as metas da FNQ?

A FNQ é uma instituição sem fins lucrativos e tem o objetivo de melhorar a gestão das organizações para que ela gere valor para a sociedade. Por meio do Modelo de Excelência em Gestão – MEG, que é baseado em oito critérios de excelência e também em princípios de excelência mundiais. Procuramos nos manter atualizados, e o objetivo é sempre melhorar a gestão das organizações, sejam públicas, privadas, de micro ou grande porte. Além disso, o MEG não pode ser estático, porque o alvo da qualidade da gestão é móvel e vai mudando com relação ao cenário, e uma das primeiras preocupações nossas é fazer com que o MEG acompanhe esse cenário, seja atual ou futuro.

Como os empresários brasileiros se movimentam e se comportam na busca de melhoria me gestão? 

Grande parte pensa no curto prazo, mas vemos empresas que acreditam no MEG tendo obtido sucesso, como é o caso da Energisa que é uma empresa excelente que ganhou o Prêmio Nacional da Qualidade. Outro exemplo muito bom é a Embraer, que ganhou o prêmio no ano passado e os gestores fizeram uma declaração muito interessante. Disse: “Nós adotamos o MEG por necessidade, pois exportamos 90% da produção e temos que ser excelentes”. Então, eu vejo que muitos empresários têm esses objetivos, mas acho que ainda precisa disseminar isso melhor para o Brasil todo ser excelente. Acredito que hoje existam apenas muitas ilhas de excelência.

Em sua palestra, o senhor disse que os empresários não precisam reinventar nada, ou seja, que as ferramentas para driblar a crise existem e são acessíveis. Como ser excelente em tempos de retração, principalmente os micro e pequenos negócios?

Nós temos uma grande parceria com o Sebrae para micro e pequenas empresas, que adotam o modelo. Temos também uma parceira com o Sescoop para cooperativas. Então, eu vejo que, se uma empresa pequena adota e tem sucesso, porque uma empresa pública não pode, por exemplo? É simplesmente questão de querer, de vontade de fazer as coisas acontecerem. 

Quais são os desafios com relação à qualidade?

Quando a fundação foi criada, o nosso desafio era a gestão da qualidade. Hoje, o nosso grande desafio é a qualidade da gestão. Porque, para a gestão da qualidade, temos normas certificadas, ISOs e outras mais. Mas a qualidade da gestão é fazer com que a empresa realmente seja competitiva, sustentável, fazer com que tenha longevidade. O grande desafio de hoje é orientar uma empresa a ter uma gestão com cenário totalmente volátil, imprevisível e até incontrolável em muitas situações. 

O senhor mencionou também acovardamento empresarial. Como é esse comportamento?

 Eu costumo dizer que sofremos de dois males: de um lado, nós temos um cretinismo político sem tamanho. Os políticos sabem que existem soluções, mas não querem fazer nada. E do outro lado, nós temos um acovardamento empresarial. O empresário que não cobra, ele se contenta com tudo, com aumento de juros não vale a pena se investir dinheiro. Os empresários também deveriam ser mais proativos, tanto na discussão e enfrentamento aos governos quanto na própria liderança corporativa. 

Qual é a expectativa para o PNQ, o Prêmio Nacional da Qualidade?

O Prêmio será realizado em novembro e está cada vez mais atualizado. É um prêmio difícil, tem que ser difícil porque tudo que tem uma boa seleção tem excelência. A nossa expectativa é que ele sirva realmente de bom exemplo.