Analistas avaliam recuperação do dólar após cinco quedas seguidas
29 de abril de 2015
O dólar comercial mostrou recuperação no período da tarde dessa terça-feira (28), após atingir a mínima de R$ 2,883 perto do meio-dia. A moeda americana fechou cotada a R$ 2,942 para compra e a R$ 2,944 para venda, alta de 0,75% ante o real, após cinco quedas consecutivas. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve alta de 0,50% em seu índice de referência Ibovespa, aos 55.812 pontos.
Na avaliação de analistas, essa alta está ligada a dois fatores. O primeiro é político, com o governo dando sinalizações de que pode ceder em alguns pontos do ajuste fiscal. O outro é um movimento de ajuste, em que os investidores aproveitam para realizar lucro e também buscam proteção às vésperas da divulgação de informações importantes na quarta-feira. Pela manhã, será divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e, à tarde, o Federal Reserve (Fed, o bc americano) irá soltar o seu comunicado sobre política monetária. Esses acontecimentos devem ter efeito no mercado global de câmbio. Além disso, após o fechamento do mercado, o Banco Central irá anunciar a alta dos juros – atualmente a Selic está em 12,75% ao ano.
“A possibilidade do governo ceder no ajuste fiscal teve algum impacto. E tem também uma realização de lucros. Além disso, o entendimento é que o dólar abaixo de R$ 3 não ajuda a atividade exportadora”, disse Felipe Silva, analista da Saga Capital.
João Medeiros, diretor da Pionner Corretora de Câmbio, lembra que os investidores também estão testando novos pisos e máximas para a moeda. Para ele, um dólar baixo não colabora para o ajuste das contas externas.
“O dólar está caindo no mundo todo. O que acontece neste pregão é um movimento de ajuste. Além disso, o volume de negócios está fraco, o que dificulta a queda da cotação — explicou”, afirmou.
O comportamento da divisa no Brasil no período da tarde se descolou do movimento externo. O dólar perdeu valor frente a todas as 16 principais divisas globais. O índice Dollar Spot, da Bloomberg, que mede a força frente a uma cesta de dez moedas, caiu 0,66%.
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Na avaliação de Emílio Garofalo, diretor do Banco Ourinvest, parte do recuo do dólar nos últimos pregões está atrelada ao cenário menos pessimista para a economia brasileira e ao adiamento do aumento de juros nos Estados Unidos, que deve ocorrer não mais em meados do ano, e sim no final de 2015 ou mesmo em 2016.
“A economia dos Estados Unidos está melhor, mas não tanto assim. A economia do Brasil está ruim, mas não tanto quanto parecia no primeiro trimestre. E a Petrobras está em uma situação difícil, mas não vai deixar de existir — disse sobre as mudanças de expectativas, lembrando que se em março o movimento de alta do dólar foi exagerado, o mesmo ocorre no sentido contrário”, comentou ele.