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Economistas analisam alta do dólar e dão dicas para controle financeiro e investimento

9 de março de 2015

Com picos de R$ 3,05 no seu valor comercial e de até R$ 3,35 para câmbio, o aumento do dólar no País deve mesmo causar mais um grande impacto no bolso da população, que já vivencia um momento de grande arrocho financeiro, devido aos diversos aumentos de produtos e serviços e da volta de impostos, determinados pelo Governo Federal, desde o início do ano. A alta valorização da moeda norte-americana não só vai elevar o custo de produtos importados de consumo do brasileiro, mas vai frustrar os planos de quem adquiriu a moeda estrangeira para investir ou quem pretendia aproveitar a baixa estação para viajar para o exterior.

Todo esse grande impacto foi analisado e confirmado em entrevista ao Paraíba Total por especialistas da área econômica na Paraíba. Eles, inclusive, orientam que o paraibano deve ter bastante cautela nesta amarga fase  – que deve mesmo se prolongar. Segundo eles, se for necessário utilizar a compra ou a venda do dólar, o alerta deve ser redobrado com às variações.

“No momento a economia não está estável. É uma situação alertante. Dólar alto encarece o preço dos nossos produtos, que possuem matéria prima importada o que causa aumento de custos e, consequentemente, aumento dos preços ao consumidor”, observou a doutoranda em Economia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e professora do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Semíramis Mangueira.

O mestre em Economia da UFPB, Alysson André Oliveira,  integrante do projeto de extensão Análise de Conjuntura Econômica Brasileira (Paceb), também acredita que a tendência é de que esse patamar se eleve ainda mais. “A expectativa é que o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, previsto para acontecer no segundo semestre deste ano, provoque um aumento maior do dólar não só no Brasil, mas no mundo inteiro”, disse ele. 

O contraponto, segundo ele, no entanto, será observado no setor industrial, que sofreu com a variação do câmbio, especialmente com a balança comercial. “A desvalorização do real é uma reivindicação antiga do setor industrial, pois nos últimos 12 anos a moeda brasileira se valorizou muito, o que reduziu a competitividade do segmento. O efeito colateral foi uma tendência ao aumento de preço de itens importados ou com cotação em moeda estrangeira, como as commodities.  Agora, espera-se uma recuperação”, detalhou.

Dicas e recomendações

Os economistas ainda fizeram algumas recomendações para não se ter prejuízos financeiros. “A recomendação para quem planeja viajar ou morar fora do País é ir juntando aos poucos o valor necessário e aplicar em fundos cambiais, que protegem das oscilações da taxa de câmbio. As oscilações dos últimos meses estão associadas à especulação sobre quando o Fed (banco central americano) vai aumentar a taxa de juros, então quem não for precisar de moeda estrangeira no curto prazo é melhor aguardar para ver como ficará o mercado. Também é importante levar em consideração que a política de juros baixíssimos pode estar terminando nos EUA, mas começou agora na Europa, onde alguns países estão com taxa de juros até negativa. A crise continua na Europa”, enfatizou Alysson André.

E para quem tem necessidade da utilização imediata do dólar, não há muito o que fazer. É procurar instituições que estejam com cotações mais em conta e realizar a operação de câmbio. “É muito importante também conhecer as possibilidades oferecidas para pagamentos no exterior e ver se vale a pena usar o cartão de crédito, cartão de débito, cheques de viagens, dinheiro em espécie, saques no exterior da conta no Brasil”, acrescentou ele, lembrando que todas essas operações envolvem pagamentos de tarifas de serviços e impostos.

Já para quem quer investir e lucrar com a venda da moeda, há outro alerta. “No momento a especulação é muito grande. Quem tem para vender, pode até ser um bom momento, embora haja uma expectativa de que a cotação do dólar deverá se estabilizar em torno de R$ 3. Comprar agora para ganhar no curto prazo é extremamente arriscado porque as cotações estão oscilando muito”, orientou ele. 

Semíramis Mangueira complementa esse aspecto reforçando que, a alta da moeda desperta os interesses especulativos de investidores e que por isso é bom está atento. “Há títulos de dívida pública que são remunerados com o valor do cambio e por outro lado, as negociações de compra e venda do cambio tem sido bastante procuradas em bolsas de futuros, com contratos de compra e vendas de lotes de valores cambiais. Então, o brasileiro que tem dólar guardado, pode sim vender e negociar, caso não esteja planejando utiliza-lo no curto prazo. O dólar deve subir muito até passar por uma reversão.”, complementou ela.