Aumento das alíquotas PIS/Cofins e retorno da Cide da gasolina dá impulso ao etanol
21 de janeiro de 2015
As usinas de açúcar e etanol do País receberam bem o anúncio feito pelo governo federal, na noite de segunda-feira (19), da elevação das alíquotas PIS/Cofins e a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina.
“A notícia é boa para o setor. O impacto será positivo, se a Petrobrás fizer o repasse dos impostos na gasolina, como já sinalizou”, afirmou ao ?Estado?, Roberto Rodrigues, presidente do conselho da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única).
“A indústria fica mais competitiva, mas ainda é preciso a adoção de outras medidas, como a elevação da mistura do álcool anidro à gasolina e redução do ICMS sobre o etanol”, disse.
De acordo com o anúncio feito pelo governo, a Cide voltará efetivamente em três meses, com incidência de R$ 0,22 por litro de gasolina. Em fevereiro, retornará em R$ 0,10 por litro, enquanto as alíquotas PIS/Cofins, em R$ 0,12 por litro.
“A Cide dá vantagem competitiva ao etanol hidratado (concorrente direto da gasolina) e a elevação da mistura na gasolina (de 25% para 27,5%) dará vantagem ao anidro (usado na mistura)”, disse o ex-ministro, que desde o ano passado está à frente da Unica para traçar estratégias para o setor.
“As usinas que estão bem, vão continuar bem; as que estão em situação mais delicada, terão um alívio.” A elevação da mistura ainda está em discussão e deverá ser aprovada nas próximas semanas, segundo fontes de mercado.
A Unica informou na terça-feira, 20, que as usinas do Centro-Sul têm estoques suficientes para atender à demanda por etanol, tanto hidratado quanto anidro “até o fim de abril”.
A nova safra, a 2015/16, que se inicia em abril, “deverá ser ainda mais alcooleira” do que a atual. A presidente da entidade, Elizabeth Farina, destacou que “está na agenda da entidade” lutar pela reintrodução integral da Cide no preço da gasolina.