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Cresce número de pessoas que não acham emprego

26 de dezembro de 2014

Por trás da aparente normalidade que a estabilidade da taxa de desemprego mostrou em novembro, ao registrar leve alta na comparação mensal, ao ficar em 4,8%, e anual, em 4,6%, há um mercado de trabalho enfraquecido. Os sinais são de que o segmento não vai conseguir oferecer oportunidades a quem procura. Dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cresceu a busca por vagas, mas as pessoas não têm sucesso. 

Na passagem de outubro para novembro, por exemplo, houve aumento de 4,4% no total da população desocupada. Em números reais, registrou incremento de 50 mil pessoas no mês, somando 1,192 milhão de brasileiros nessa situação. Parte desses trabalhadores desempregados estava no grupo de inativos, que sofreu redução de 0,8% ou 147 mil no mês, passando de 19 milhões para 18,88 milhões.

“A tendência de crescimento da população desocupada não ocorria na série histórica da PME em novembros anteriores. Ao mesmo tempo, observamos que as pessoas que estavam na inatividade, passam agora a pressionar o mercado de trabalho, aumentando a desocupação. É um outro movimento importante que não havia sido registrado antes”, aponta a técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Professor de Economia da PUC-Rio, José Márcio Camargo avalia que novembro quebrou com uma longa série de quedas da taxa de participação, isto é, a proporção de pessoas em idade ativa que estão trabalhando ou procurando emprego. 

“A taxa de participação teve um crescimento expressivo em novembro. Mas ela vinha caindo desde junho de 2012 e, em algum momento, deveria se esperar que poderia aumentar. É impossível saber se essa será uma tendência para 2015, mas, se a taxa de participação efetivamente começar a aumentar, o índice de desemprego vai crescer”, avalia Camargo.

Aumento surpreendeu 

Outro reflexo do desaquecimento do mercado de trabalho foi o aumento da taxa de desocupação. Ainda que tenha sido um movimento leve e de quase estabilidade, com alta de 0,1 ponto percentual na passagem de outubro para novembro, era esperada uma redução do indicador. 

O professor José Márcio Camargo aponta que era de aguardada uma queda da taxa, em função das contratações de temporários para o Natal, o que não aconteceu. “É surpreendente que a taxa de desemprego tenha aumentado. A partir de setembro, ela tende a cair. É um sinal sim de que o mercado pode vir a ficar fraco”, afirma. 

Segundo o IBGE, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores teve um aumento de 0,7% na passagem de outubro para novembro, ficando em R$ 2.148,50. Na comparação com novembro do ano passado, o crescimento foi de 2,7%, superior ao que foi obtido em novembro de 2013, quando ficou em R$ 2.091,57. 

O maior rendimento médio real é dos militares e funcionários públicos, de R$ 3.616,40. O menor é o dos empregados sem carteira assinada, de R$ 1.563,50.