“O fortalecimento das atividades turísticas em nossa região passa pelo próprio fortalecimento dos seus produtos turísticos”
25 de outubro de 2014
Segundo dados internacionais e também do IBGE, o turismo brasileiro tem crescido o dobro dos demais países do mundo. A Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo, estatal ligada ao Ministério do Turismo – divulgou que João Pessoa está no TOP 15 no ranking das cidades que mais promoveram eventos internacionais no Brasil. A cidade também apareceu bem colocada no importante ranking da ICCA (International Congress and Convention Association) como uma das que mais atrai eventos internacionais do Brasil.
A Paraíba, que já possui boas demandas turísticas e apresenta um bom índice de expansão do setor segundo especialistas, conta agora com mais um aliado: trata-se do paraibano, formado em Comunicação Social e pós-graduado em Marketing e Recursos Humanos, Gilson Lira, que desde julho deste ano, ocupa o cargo de diretor de Mercados Internacionais da Embratur, cargo bastante estratégico e fundamental os negócios no exterior. Gilson Lira esteve em João Pessoa na última semana para participar do Festival do Turismo, maior evento do setor do Norte/Nordeste do País, voltado para profissionais do segmento.
Em entrevista exclusiva ao Paraíba Total, Lira, que já ocupou cargos como secretário-executivo e secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo da Prefeitura Municipal de Campina Grande, ressaltou a importância da divulgação do destino local no pacote nacional e nas vias internacionais. Ao longo da entrevista, analisou o fortalecimento do turismo na Paraíba e a melhor forma de promover a cultura paraibana. “Penso que o fortalecimento das atividades turísticas em nossa região passa pelo próprio fortalecimento de todos os seus produtos turísticos. Compreendo que devemos procurar, cada vez mais, fazer uma promoção integrada do turismo em toda a nossa região e ainda possibilitar que também se fortaleça o próprio intercâmbio com as comunidades desses de outros países”, acrescentou ele.
Veja trechos da conversa.
O que significa para nosso Estado contar com um paraibano na função de diretor de Mercados Internacionais na Embratur?
Sem dúvida alguma, significa muito. Quando recebi o convite do ministro do Turismo Vinícius Lages para fazer parte da diretoria, o primeiro pensamento que me veio à mente foi o orgulho de um paraibano em ocupar esse posto. A Embratur é um órgão fantástico, que foi fundado ainda na década de 60 e, a cada década, a cada ano, vem evoluindo. Ela tem como missão propagar, divulgar os destinos do Brasil no exterior, e o fato de estar lá, de representar o Brasil, como um paraibano entre tantas pessoas fantásticas que integram a Embratur, tem sido um imenso orgulho para mim por várias formas. Por ter desempenhado um trabalho em Campina Grande na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, por estar lidando com turismo já há algum tempo, e claro, pela responsabilidade de buscar, fazer muito mais pela Paraíba. Neste período, já levamos a todos os eventos, através de uma revistas em várias línguas, a divulgação dos nossos pontos turísticos e do nosso calendário turístico, juntamente com os dos demais estados brasileiros.
Segundo dados internacionais, a Paraíba está crescendo no ranking de captação de eventos. Como o senhor avalia este panorama?
O Brasil é hoje a sétima economia mundial do turismo. Contudo, a Paraíba ainda é muito jovem no turismo profissionalizado. O Ministério do Turismo foi criado em 2003/2004, isso representa pouco tempo. Contudo, mesmo nesse espaço curto, já realizamos muito em termos de atrativo e eventos turísticos onde, além da Copa do Mundo e das Olimpíadas que virão, ainda temos no calendário mais de 20 grandes eventos internacionais que irão acontecer até 2020. Alguns já vêm acontecendo inclusive sediados aqui no Estado como foi o Robocup, que foi sucesso total, que está inserido no que chamamos de turismo de eventos. Além disso, a Paraíba tem se destacado muito no campo de turismo de negócios, que vem além do turismo sol e mar, que é nosso forte. A Paraíba ainda conta com a interiorização do turismo, pois em qualquer parte do nosso Estado temos elementos culturais surpreendentes.
O fato de estarmos entre dois destinos fortes, como Recife e Natal, pode nos prejudicar e tornar o Destino Paraíba como “de passagem”?
Não basta sermos abençoados com nossas belezas naturais e um povo hospitaleiro. No turismo, exige-se muito mais. Qualificação profissional no atendimento, boa estrutura de hotéis, resorts, e principalmente de uma divulgação mais forte de seus atrativos. E aí, neste ponto, estamos crescendo bastante. Temos procurado contribuir, seja junto à PBtur, seja junto às secretarias de Turismo de João Pessoa e de Campina Grande. Acredito que a boa divulgação é a grande saída para mostrarmos ao País e ao mundo os atrativos do Estado. O Parque dos Dinossauros, em Sousa, o ecoturismo, o turismo religioso, tudo isso, por exemplo, poderia ser bem explorado inclusive nos meses de baixa temporada para o sol e mar. Sem ainda esquecer do Turismo Rural e do Turismo Radical, que merecem todo um destaque.
Na sua opinião, o turista, seja de sol e mar ou de negócios, está mais exigente?
Está sim, a cada dia o turista está mais exigente, mais seleto em suas escolhas. E por isso temos que reforçar todos aqueles pontos que já citamos e ter uma melhor estrutura para receber o turismo, com qualificação profissional e estrutura, inclusive adaptável a outras realidades, como é o da terceira idade, que vem crescendo bastante.
Como é o trabalho da Diretoria de Mercados Internacionais pelo mundo?
Na Diretoria de Mercados Internacionais, temos a responsabilidade de coordenar 13 escritórios do Brasil no exterior, no Reino Unido, nos Estados Unidos e na América do Sul, de forma ramificada, principalmente naqueles destinos mais indutores, ou seja, que mais demandam turismo. E lá os nossos consultores atuam colhendo informações para a Embratur, observam nossos concorrentes, antecipam informações preciosas e nos repassam para transformarmos todas elas em ações. Na época da Copa do Mundo, os turistas da América do Sul vieram em peso pra cá por conta do evento. Mas, normalmente, o que se observa é o turista dos Estados Unidos, seguido do turista argentino, que são os que mais vem. Contudo, temos ainda grandes demandas de turistas do Reino Unido e da França.
Com relação ao retorno de turistas ao Brasil, como a Embratur tem acompanhado este movimento?
O resultado da Copa do Mundo é um fluxo retorno que veremos brevemente, por exemplo. Nas nossas pesquisas, é provável que daqui a cerca de seis meses em média, os turistas retornem. Pois 61% dos que aqui estiveram não conheciam o Brasil e, segundo nossos estudos, mais de 90% desse público pretende voltar brevemente.
O País, como destino, vive um bom momento?
O País vive um ótimo momento. Todos os indicadores e pesquisas demonstram isto. O Brasil conseguiu dobrar o número de viagens domésticas em dez anos, passando dos 100 milhões em 2003 para 200 milhões em 2013. No quesito turistas internacionais, chegou a aumentar 43%, também no período. O nosso País também mais do que dobrou a entrada de divisas gerada por turistas internacionais (170,63%), de 2003 a 2013. Só para se ter uma ideia, segundo dados da própria Organização Mundial do Comércio, a média mundial ficou em 119% no mesmo período. Ou seja, tudo isso se deu antes mesmo da própria realização a Copa do Mundo.
O senhor se vê otimista quanto ao futuro do turismo em nosso País? Por que?
Como se sabe, o turismo é uma atividade em expansão no mundo, portanto precisamos estar constantemente criando estratégias competitivas para fortalecer a imagem do Brasil no mercado global. É fato: quanto mais fortalecido o turismo estiver, mais teremos desenvolvimento econômico e social em nosso país. Sou sim um otimista em afirmar – e a História irá mostrar – de que este mundial que acabamos de vivencia,r somado às Olimpíadas que ainda estão por vir e outros grandes eventos internacionais, marcará um divisor de águas no cenário do turismo brasileiro. Isso possibilitará de imediato que tenhamos um aumento no volume de visitantes internacionais. Todos os esforços que temos visto por parte do governo federal acabam também por possibilitar ao Brasil uma maior abrangência quanto a novos mercados internacionais.
E como podemos fortalecer o turismo na Paraíba?
Penso que o fortalecimento das atividades turísticas em nossa região passa pelo próprio fortalecimento de todos os seus produtos turísticos. Compreendo também que devemos procurar, cada vez mais, fazer uma promoção integrada do turismo em toda a nossa região. Outro ponto importante a se frisar é a qualidade quanto ao atendimento e acolhimento dos turistas. Naturalmente, o que se percebe é que os visitantes, tanto nacionais como estrangeiros, estão cada vez mais exigentes. Portanto se faz necessário sempre promover serviços qualificados e com bons receptivos. Sei que o nosso Estado por meio do seu trade tem se empenhado dia a dia a buscar melhorias constantes também neste quesito.
Quanto à promoção da cultura paraibana, é possível também buscar melhor promove-la, já que o estado é também muito forte neste segmento?
Claro que sim. Vou citar um exemplo: a imagem do Brasil nos destinos sul-americanos é tida como a de um País de rica diversidade natural e cultural. É possível, em parceria com o Ministério do Turismo, Embratur e as próprias embaixadas do Brasil nos países emissores de turistas, promover, com mais eficácia a cultura brasileira e paraibana. Penso que isso ainda possibilita que também se fortaleça o próprio intercâmbio com a comunidades desses países. Aliás, é sempre importante que se registre que não falta à Paraíba potencial turístico, não é mesmo?! Além de toda a diversidade cultural do nosso Estado, nossas belezas naturais e a variada e deliciosa culinária, vejo que contamos também com um item primordial para a atração de turistas: a receptividade, a hospitalidade e simpatia do povo paraibano.