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Juros cobrados nas operações de crédito chegam a 103,97%

11 de setembro de 2014

Apesar dos bancos anunciarem reduções nas taxas cobradas aos consumidores, após as recentes quedas na taxa básica de juros (Selic), os juros cobrados nas operações de crédito chegam a 103,97% ao ano. Este é o resultado apesar da taxa da modalidade ter caído pelo quinto mês consecutivo em julho, chegando a 6,12% ao mês. 

Mesmo assim, essa é considerada a menor taxa de juros registrada desde 1995, quando se iniciou a série histórica de pesquisa realizada pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

O estudo aponta que a taxa de juros média para pessoa jurídica passou de 3,59% ao mês em junho, para 3,53% ao mês em julho. No ano, a taxa fica em 51,63%, aproximadamente dez vezes superior à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) prevista para o ano em torno de 5%.

Já no caso do cartão de crédito, a taxa se manteve estabilizada em 10,69% ao mês. No entanto, isso representa extraordinários 238,30% ao ano, quase 50 vezes maior do que o IPCA. Isso dá ao Brasil primeira colocação entre outros seis países da América Latina, sendo quase seis vezes maior do que o praticado pelo segundo colocado, o Peru, com 55% ao ano. Em seguida vem o Chile (54,24%) e Argentina (50%). Na outra ponta do ranking está a Colômbia, com juro do cartão de crédito em 29,23% ao ano.

“Não há uma explicação econômica para isso. A partir do momento que a Selic cai, os juros ao consumidor deveriam acompanhar essa trajetória”, afirma Hessia Costilla, economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Usar o cheque especial significa pagar juros de 8,7% ao mês (185,9% ao ano). No caso de empréstimo pessoal junto aos bancos, a taxa anualizada é de 52,34%, apesar da queda de 3,63% para 3,56% de junho para julho.

A expectativa da Anefac é de que os juros voltem a cair nos próximos meses, no entanto, como mostram os números da própria entidade, não há entendimento da queda da Selic com o que os bancos praticam, prejudicando o consumidor.