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“A Paraíba está se firmando como polo industrial e acreditamos que isso irá refletir nas demandas do nosso segmento”

9 de setembro de 2014

A expansão do mercado imobiliário, aliado ao aumento da renda familiar, tem impulsionado bastante o mercado de móveis planejados nas diversas regiões do País, inclusive nas Capitais. Essa realidade também tem atingido positivamente a cidade de João Pessoa. Pois, a possibilidade de escolher cores, formas e tamanhos de peças utilitárias tem não só conquistado o gosto dos paraibanos e pessoenses, mas principalmente atraindo grandes empresas desse segmento a investir aqui no Estado, na perspectiva de expansão e lucratividade.

Um exemplo disso é a Unierre  Planejados, empresa mineira especializada em móveis projetados para residência e comércio, com 30 anos de mercado, que abriu as portas na Capital, apostando na estratégia de expansão em seus negócios. Consumo no Nordeste, ineditismo no mercado e segmentação foram os pontos decisivos da entrada da marca na cidade.

Na ocasião, o diretor da Unierre, Ricardo Rufino, que veio de Ubá (MG), especialmente para a inauguração em João pessoa, concedeu entrevista ao Paraíba Total. Ele falou sobre a tradicional empresa mineira – localizada estrategicamente no terceiro maior polo moveleiro do país – e sobre o consumo nacional.

Veja trechos da entrevista, concedida em João Pessoa.

Desde quando existe a Unierre e quantas lojas ela possui no Brasil e no Nordeste?

Começamos a atuar aqui no Nordeste no ramo de móveis planejados há cinco anos.  Nos setor de móveis prontos, desde praticamente desde a fundação da Unierre, que tem quase 20 anos. Nós não atuamos na região Sul para atender justamente o Nordeste. Agora a Unierre está em um processo de expansão e nós estamos buscando nas cidades principais, nas cidades chave, pontos para fazermos essa expansão. Então, abrimos aqui em João Pessoa na última semana e, em Salvador, nós já temos duas lojas de móveis exclusivos. Nosso próximo passo será em Fortaleza. Em Salvador, inclusive, foi a primeira do Nordeste há uns quatro anos. No Recife, já temos três lojas também, isso além de unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nosso foco basicamente é Sudeste e Nordeste. No total, temos hoje cerca de 30 lojas. Nossa filiar é em Ubá, em Minas Gerais, o terceiro polo moveleiro do País. 

Quais os principais diferenciais da marca?

A Unierre é uma empresa de origem de marcenaria e trazemos a característica da marcenaria para os nossos móveis. Trabalhamos com diversos produtos, como camas, beliches, mesas, criados mudos. Isso nos diferencia dos demais móveis projetados. Há um certo carinho na elaboração dos móveis, o jeito de fazer, que não é industrializado. Temos muito do artesanato em nossas peças. Com isso, eu destaco as peças arredondadas, alguns rebachos, algumas pinturas que normalmente não se vê em moveis planejados, assim como são moveis retos, cortados e filetados e furados. 

Qual a expectativa para a abertura dessa primeira loja em João Pessoa e o que essa expansão representa para a indústria Unierre?

A expectativa sobre esta nova loja é muito positiva, principalmente pelas características das proprietárias, que são pessoas jovens, dinâmicas e com vontade de crescer. Vamos trabalhar juntos para que este empreendimento torne-se referência e atinja o mesmo sucesso que as outras franquias da região. E todo o trabalho de marketing que esta sendo feito também vai nos ajudar a expandir para outras áreas. Nossa meta é seguir por todas as demais principais cidades e pelos investimentos que estão acontecendo aqui, em João Pessoa, e na região. A Paraíba também está se firmando como polo industrial e nós acreditamos que isso vá trazer demandas para nosso empreendimento. E ainda como estamos no processo de expansão, cada loja que abre, ela tem uma representatividade grande no nosso faturamento, principalmente acreditando no potencial de consumo no Nordeste. A Unierre  de João Pessoa também já abriu as portas com uma promoção especial. Os dez primeiros clientes que fecharem um projeto ganharão uma TV 40″. A campanha também vai contemplar arquitetos e designers que atingirem as três primeiras colocações, em uma pontuação da empresa.

Existe alguma peculiaridade da loja paraibana em relação às demais do Brasil. Quem é o público da Unierre na Paraíba?

Aqui nós vamos atingir o público B, B mais e em alguns casos, o A menos. A Paraíba também está se firmando como polo industrial e nós acreditamos que isso vá trazer demandas para nosso empreendimento. E ainda como estamos no processo de expansão, cada loja que abre, ela tem uma representatividade grande no nosso faturamento, principalmente acreditando no potencial de consumo no Nordeste.

Nos últimos 10 anos, os gastos com aquisição de móveis aumentaram 56,85% no País. Como o senhor avalia o mercado de móveis no Brasil?

Na verdade, o mercado de móveis do Brasil ele vem aumentando nos últimos anos cerca de 3% ao ano, isso já é uma boa característica. Hoje, a oferta já está até maior do que essa demanda. As indústrias têm que ser muito criativas, estão tendo que procurar parceiros certos e nos lugares certos para conseguir ampliar seus negócios. Atualmente, a oferta é superior à importação de máquinas. Os parques fabris de uma maneira geral estão muito modernos e isso fez com que a produção e a produtividade também aumentassem muito. Mas o mercado não está preparado para absorver toda essa oferta. Então, a gente vai ter que continuar sendo muito criativo para continuar crescendo junto.

Quais as principais tendências de elaboração e produção de móveis do mercado?

Com certeza, a sustentabilidade. O Brasil consegue estar muito alinhado com o que está acontecendo no exterior e em termo de móveis. Se você for hoje em uma feira de Milão, por exemplo, e nas principais feiras do Brasil, você não vai tanta diferença nas tendências e nos produtos expostos. Hoje, as informações chegam mais rápido e estamos, sim, na vanguarda, junto com o que está acontecendo no mundo. Com móveis cada vez mais práticos, o brasileiro busca praticidade, ou seja um móvel que seja adaptável a um espaço. Essa já é uma característica do móvel projetado, ele também precisa ser belo e em um custo dentro do orçamento da família. Ele precisa ainda ser versátil e durável.

Como a Unierre trabalha estrategicamente para a expansão da classe C, IPI reduzido e acesso ao crédito?

Na realidade, nós estamos atentos à Classe C. Mas ainda não conseguimos atingir muito. E pelo tamanho e característica da nossa empresa, nós buscamos é escolher o nicho certo, específico para nossa atuação. Então, nós olhamos a Classe C com cuidado, pois no futuro possa ser um público alvo. E em relação à questão do IPI reduzido, não gostamos mito desse tipo de estratégia. Já o acesso ao crédito, isso sim é uma coisa que nos preocupa, pois a cada dia tem ficado mais oneroso e mais difícil. Isso alavancou até de certo modo as vendas num certo período, mas a nossa expectativa é de que o País passe por um ajuste geral, pois nós estamos vivendo em uma recessão. E o setor moveleiro vem sofrendo muito com isso, o que nos preocupa demais. As margens estão cada vez mais reduzidas, e o que nos resta é buscar alternativas para buscar driblar essa situação. E esse problema não é pontual. O Brasil vive uma crise de mão-de-obra, de dificuldade de serviço em todos os setores e ficamos sempre na expectativa de, ao final das eleições, os novos governantes possam reverter ou resolver essa problemática, um quadro que já ultrapassa 20 anos.

Qual é a média de investimento que o cliente Unierre vai ter que fazer para adquirir seus produtos?

Para o lojista montar uma loja do porte da de João Pessoa, que quiser trabalhar com a nossa marca, ele deve fazer um investimento entre R$ 80 e 100 mil, dependendo do que ele for utilizar em termo de decoração, que pode pesar um pouco mais. Já o consumidor final, isso vai depender o projeto dele e do que ele vai estar disposto a gastar, não existe um valor determinado médio.