“Nas empresas familiares do Nordeste, predomina a cultura de curto prazo em seus planejamentos de gestão”
2 de setembro de 2014
Cerca de 90% das empresas brasileiras são familiares e contam com gestores e funcionários de diferentes graus de parentesco em sua administração. De acordo com o IBGE, 30% desses negócios sobrevivem após a transição entre a primeira e a segunda geração e apenas 5% alcançam a terceira. Por outro lado, companhias tocadas por parentes são mais resistentes a abalos de crises financeiras, dizem especialistas.
Neste cenário, João Pessoa será contemplada com uma palestra inédita, gratuita, com o tema “O Futuro das Empresas Familiares do Nordeste”, ministradas com um dos maiores especialistas neste assunto no País, Cícero Rocha, que conversou com o Paraíba Total, adiantando o assunto. Ele irá abordar sucessão familiar, governança corporativa, familiar e jurídica, planejamento e gestão estratégica, holding familiar e blindagem patrimonial.
Cícero Rocha é CEO do Instituto Empresariar, especializado em governança corporativa em empresas familiares, mestre em Administração e Marketing com pesquisa em projetos de consultoria empresarial. É autor dos livros “Educação, Competência e Desempenho”, “Marketing e Recursos Humanos” e “Avaliação, Gestão e Estratégicas Educacionais – Projetos e processos Inovadores em Organizações”. É professor dos cursos de MBA e Pós-graduação de Administração de Empresas nas disciplinas de Governança Corporativa e Administração Estratégica.
O evento “O Futuro das Empresas Familiares do Nordeste” acontece no dia 17 de setembro, no auditório do Hotel Cabo Branco Atlântico, no Cabo Branco.
Qual a sua expectativa para ministrar a palestra aos empresários paraibanos?
Como participo atualmente de cinco conselhos de empresas familiares nordestinas e já realizei aproximadamente 300 projetos de consultoria nos últimos 13 anos, espero humildemente compartilhar as nossas experiências, estudos e vivências práticas, de forma positiva e sustentável, na longevidade das empresas familiares paraibanas. Serão debatidos inicialmente o contexto da empresa familiar no mundo, no Brasil e no Nordeste, em seguida o que leva uma empresa familiar nordestina ao fracasso e quais os pontos fundamentais para uma empresa familiar nordestina de Sucesso, além de como diagnosticar a situação atual da sua empresa.
O que há de diferente ou peculiar em relação à cultura empresarial nordestina às demais empresas familiares do restante do País?
Muitos aspectos e que lamentavelmente são ignorados. Destaco um deles a cultura de visão a longo prazo. Como exemplo a região Sul e Sudeste que sofreram uma influência muito forte da migração de famílias de origem europeia – alemães, italianos e outros – e japonesa, o pensar e o planejar o futuro é algo já enraizado. Como consequência, as empresas familiares dessas regiões já se utilizam de metodologias mais modernas de gestão para garantir o futuro – na empresa, na família e nos sócios. Diferentemente das do nordeste onde, nas empresas familiares, predominam a cultura de curto prazo em seus planejamentos de gestão.
O assunto é costumeiramente debatido entre os membros da corporação? Ou seja, os empresários buscam essa solução no tempo certo da gestão ou muito protelam em passar o bastão?
Infelizmente, a maioria só procura “o médico” quando o quadro está grave. Por vezes, me sinto um “médico” na década de 40 onde somente os pacientes em estado de cirurgia grave buscavam o “médico”. Mas já vemos avanços, um exemplo esse evento a ser realizado em João Pessoa. No Nordeste, a profissionalização das famílias ainda é tratada de maneira empírica. Os empresários ainda participam muito pouco para saber sobre esse assunto. Porém, um detalhe muito importante e que precisa ser destacado é que as empresas familiares no Brasil e no resto do mundo são as mais rentáveis, lucrativas e as que crescem mais rápido
Em qual momento o empreendedor deve promover a sucessão?
Desde do dia que inicia o negócio. Sucessão não é um evento. É um processo. Fica claro que empresas familiares são mais dispostas a reinvestir. Por ser um patrimônio da família de seus fundadores, esses negócios não precisam ter seus lucros remetidos para matrizes internacionais ou divididos entre milhares de acionistas
Como lidar com a falta de interesse ou vocação do herdeiro?
Não entendemos dessa forma. Os estudos no mundo inteiro mostram que essa falta de interesse e vocação não é a causa, e sim a consequência, de uma falta de modelo profissionalização da empresa familiar, que no caso do Nordeste, por vezes, não sabem nem que existem esses modelos e funcionando com sucesso em outras empresas na região.
De que forma agir se ocorrer conflito entre os familiares?
O auxílio de um profissional externo, de preferência que tenha experiência vivenciada em estruturação e gestão. Nem sempre é o psicólogo, o advogado ou o administrador. Mas um generalista profundo, com larga experiência no tema.
Qual é a hora de contratar um profissional, especialista, que não faz parte da família? E como seria o papel do especialista face a este processo de transição?
Entendo que no mundo moderno já é óbvio que comprar conhecimento por meio de especialistas é uma constante, quanto antes isso é feito melhores os resultados e menor o investimento. O papel desse especialista quer uma competência consistentes – conhecimentos, experiências, habilidades, posturas.
Contratar um especialista que não seja da família pode interferir na cultura da organização? De que forma?
Sim e não. De preferência é que ele tenha a competência de respeitar essa cultura e potencializar. Profissionalização não quer dizer mudança de cultura, mas evolução em fatores críticos para o sucesso da família empresária.
Como a chamada Geração Y, considerada inquieta, superficial e imediatista, se comporta frente a uma sucessão familiar?
Muito bem. Eles estão muito abertos ao novo. Entretanto dado ao senso de urgência característico dessa geração, precisam de modelos, formação e monitoramento para que o sucesso se concretize.
Quando e onde acontece o evento em João Pessoa?
A palestra O Futuro das Empresas Familiares do Nordeste será gratuita e acontece no dia 17 de setembro, às 19h, no Hotel Cabo Branco Atlântico. No dia seguinte à palestra, em 18 de setembro, os empresários e seus familiares interessados poderão participar das clínicas de atendimento especializado. Será uma prévia, uma mini consultoria pré-agendadas, em conversas mais pontuais. Informações e inscrições: http://pji.com.br/ ou (83) 3021-8189.