“O Brasil pode ser um dos maiores potenciais turísticos do mundo e a Paraíba tem potencial para seguir nesse sentido de crescimento”
13 de agosto de 2014
O ministro do Turismo (MTur), Vinícius Lages, esteve em visita na Paraíba na semana passada. Na agenda, reunião com agentes de turismo locais, visita a obras em João Pessoa, como o Centro de Convenções, e aos bares da Praia do Jacaré em Cabedelo, que passam pelo processo de interdição judicial.
Em entrevista à imprensa, o ministro destacou os principais pontos de sua primeira agenda no Estado, desde que assumiu a pasta ministerial, em março deste ano, como também destacou investimentos federais no setor, acumulado no Estado em R$ 408,9 milhões, em 2012-2013. Com o balanço positivo da Copa, Lages acredita que as Olimpíadas do Rio de Janeiro serão ainda melhores em estrutura e estratégias de captação de destinos brasileiros. “No Rio, se fizermos nosso trabalho bem feito, o País terá mais ganhos do ponto de vista turístico. Faremos o mesmo esforço para incorporar essa diversidade que o Brasil tem, aproveitando a janela da Copa”, comentou o ministro.
Vinícius Lages, que já morou na Paraíba por três anos, destacou o potencial da Paraíba para o segmento. Desde a criação do Ministério do Turismo (MTur), a pasta destinou R$ 408,9 milhões para obras de infraestrutura turística na Paraíba. Um total de 5.854 pessoas foram beneficiadas pelo Pronatec Turismo, programa de qualificação do MTur.
“Aqui, o trade descobriu que tem um potencial no México. Os mexicanos que vieram visitar a Paraíba recentemente aprovaram o destino turístico paraibano e daí nosso papel é ajudar a posicionar a Paraíba nesses canais de venda, fazendo um trabalho com as operadoras que realmente vendem para esses mercados apontou. Para ele, “o Brasil pode ser um dos maiores potenciais do mundo e a Paraíba pode e tem potencial para seguir nesse sentido de crescimento.
Abaixo, trechos da entrevista.
Esta é a primeira vez que o senhor vem à Paraíba como ministro. O que conteve em sua agenda no Estado?
Essa nossa agenda aqui no Estado é uma agenda pós-Copa e que já tínhamos comprometido a visitar os 65 destinos indutores, e João Pessoa é um deles. A Paraíba tem um conjunto grande não só na orla, e eu comprovei isso, pois morei aqui três anos. Então, a Paraíba está no meu coração, como também há um paraibano que faz parte do Embratur, o diretor Gilson Lira, que tinha me formulado o convite desde então. Assim que terminou a Copa, comecei a agendar para estar aqui agora. E nosso encontro contem uma reunião com o trade turístico para podermos ter uma compreensão dos grandes desafios do ponto de vista de infraestrutura e promoção, desde a sinalização de projetos, de infraestrutura, o andamento das obras do Centro de Convenção, o desafio dos bares da praia do Jacaré, que iremos compreender como o ministério pode melhor mediar esse conflito e questões também a médio e longo prazo. Temos que inserir a Paraíba em uma estratégia de venda do Brasil, já que a Copa nos deu a certeza que somos um produto turístico de qualidade e que queremos continuar posicionando esse produto no mercado. Isso se fará articulando com uma oferta regional, sobretudo aqui latino-americana. Enfim, acompanhar agora uma atividade técnica do pessoal do turismo rural (Ruraltur), eu que sou do Sebrae, venho do Sebrae e tenho um grande interesse no turismo rural, e Paraíba tem mais esse potencial e tem inclusive o evento o Ruraltur.
Como está a Paraíba no plano de turismo para os Estados do Ministério?
A Paraíba entra primeiramente num esforço de promoção compartilhada, a Embratur já fazia isso, mas o ministério quer esse trabalho de aproximação maior com o trade turístico para ajudar a Paraíba a se posicionar melhor no mercado. Então, o ministério tem uma nova diretora de marketing, Luciana Fernandes, que está repensando a estratégia de o ministério atuar nessa área de inteligência comercial, integrando o marketing nacional e internacional. Vamos somar esforços para que a Paraíba se insira dentro de canais de vendas do destino. Ela já tem mapeado os mercados potenciais, e aqueles que também quer conquistar. Aqui, o trade descobriu que tem um potencial no México. Os mexicanos que vieram visitar a Paraíba recentemente aprovaram o destino turístico paraibano e daí nosso papel é ajudar a posicionar a Paraíba nesses canais de venda, fazendo um trabalho com as operadoras que realmente vendem para esses mercados.
João Pessoa vai sediar o Festival de Turismo em Outubro, o maior em número de participantes do Nordeste. Qual será o apoio do ministério ao evento?
Eu ainda não recebi nenhuma proposta específica do evento. Uma de minhas técnicas me falou que foi convidada para palestrar, mas certamente me interessa muito estar aqui, voltar aqui, pois a Paraíba, João Pessoa, é um dos melhores destinos de turismo do Brasil. E teríamos um imenso prazer em colaborar com mais esse evento.
Qual a leitura sobre o cenário do crescimento turístico do Brasil e como a Paraíba pode se projetar também nesse âmbito?
Esse é o novo ciclo do desenvolvimento do turismo. A partir de 2013, tivemos um avanço na política do turismo, com regionalização, segmentação, qualificação, o plano aquarela, colocando o Brasil no plano do exterior. Creio que essa próxima década também será desafiadora e estamos apostando que toda a melhoria em termos de investimento que houve com a Copa, com a expansão dos aeroportos, os terminais portuários que nós vamos ter incluindo resorts, marinas, e terminais de passageiros e muito importante, para receber transatlânticos, navios e sediar competições náuticas. E por tudo isso, eu não tenho dúvida que o Brasil pode ser um dos maiores potenciais do mundo e a Paraíba pode e tem potencial para seguir nesse sentido de crescimento.
Qual é o índice de competitividade da Paraíba no setor turístico diante dos outros Estados da Federação?
O índice geral de competitividade turística do estado da Paraíba é de 68,7 pontos. As variáveis mais bem avaliadas são: capacidade empresarial, infraestrutura geral, economia local, acesso, aspectos ambientais e monitoramento. Considerando os resultados obtidos por todos os 65 destinos avaliados em 2013, a média Brasil, índice referencial da competitividade nacional, foi de 58,8. A média dos índices das capitais foi de 66,9.
Como o senhor avalia a Copa do Mundo para o segmento. Os problemas devem se repetir nas Olimpíadas do Rio de Janeiro?
Na minha opinião, a Copa foi um sucesso, o turista internacional aprovou o evento e tivermos um bom produto, com reconhecimento disso. Uma coisa é ter praia e outra coisa é ter montanha, é ter pantanal, e um povo como o brasileiro. No mundo inteiro, a disputa os itens são os mesmos, mas esses itens com o povo brasileiro incluso foi nossa diferença. E nosso objetivo é sustentar essa imagem positiva e, junto à Embratur, vamos posicionar ainda mais esse produto brasileiro no mercado internacional e também articular melhor a promoção do turismo interna no Brasil. Nós temos um mercado interno que cresce e, a medida em que cresce, temos uma expansão nos aeroportos, uma melhoria na mobilidade, mais e melhores hotéis, investimentos de todas as formas que aconteceram pra Copa. E no caso do Esporte, nós estaremos com as Olimpíadas também porque o Brasil tem vocação para também ser um destino para a realização destes eventos. E quanto à Olimpíadas do Rio, o Ministério já está engajado com a Prefeitura do Rio de Janeiro, pois não é só um evento olímpico do Rio. E como não é um evento no Brasil, a Paraíba e demais estados podem sim montar estratégias para se ingerir nesse contexto. Para tanto, vamos também trabalhar o ano interior para fazermos um calendário ligado ao esporte no Brasil e integrar o mundo inteiro aqui novamente. E, se fizermos nosso trabalho bem feito, o País terá mais ganhos do ponto de vista turístico. Faremos o mesmo esforço para incorporar essa diversidade que o Brasil tem, aproveitando a janela da Copa.
Em termos de turismo, o País pode mudar de patamar como destino turístico a partir da realização desses grandes eventos?
Sem dúvida. Há grupos que vieram agora e que nunca visitaram o Brasil antes. E nesses grupos há mexicanos, australianos e americanos também. Nós temos que crescer muito ainda no turismo internacional. Recebemos pouco menos de 6 milhões de turistas estrangeiros normalmente por ano. Isso não é nada em relação ao nosso potencial. Acho que, com a melhoria da nossa infraestrutura e com essa visibilidade de que o Brasil é um país bacana de visitar, um país alegre, que é um “spa” para a alma, se a gente melhora a logística e a infraestrutura, e estamos fazendo isso, vamos atingir novos mercados. No caso dos americanos, a questão do visto era um desafio. Acho que a simplificação através de procedimentos eletrônicos já nos ajuda muito. Temos que avançar para termos reciprocidade, liberar essa questão do visto. Avançarmos também para mercados que hoje são os maiores emissores, como os da Ásia. O mercado dos nossos vizinhos também interessa muito. Se tivermos a média do que ocorreu em outros países que sediaram a Copa, nos próximos anos teremos um crescimento de 5% a 10% no número de turistas. Com isso, cumulativamente, vamos sair do teto de 6 milhões de turistas internacionais.
Como o Mtur pode intervir junto ao Ministério Público Federal com relação à situação dos bares do Jacaré, em Cabedelo?
Há uma decisão, em um prazo determinado, e que a questão agora é evitar um prejuízo para que possa comprometer qualquer desenvolvimento daquela área. A longo prazo, sabemos que este é um dos filés do litoral paraibano, um produto consolidado, conhecido em todo o Brasil pelo atrativo na Praia do Jacaré. Há uma determinação da justiça e claro, mas se for possível fazermos parte de um processo de negociação para mostrar uma medida que possa comprometer uma intervenção que transforme essa área num polo bem mais atrativo para o turismo paraibano, a gente vai fazer. Vamos nos inteirar de tudo, e verificar como ministro pode fazer os encaminhamentos também foi um dos motivos que antecipei a minha vinda à Paraíba.