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Estudo aponta que 71% dos estudantes cogitam ajuda para pagar universidade

26 de junho de 2014

Pesquisa realizada com jovens entre 16 e 30 anos afirma ainda que ascensão profissional é fator determinante para escolha de curso e faculdade, na frente de vocação e valor da mensalidade. A troca parece lógica. 

Impossibilitado por questões financeiras de optar pelo que julga ser o melhor serviço, o consumidor escolhe como substituto a opção compatível mais barata. Correto? Quando o assunto são os cursos universitários, a resposta é não. O mais amplo estudo já feito sobre ensino superior no Brasil com foco em jovens com alguma questão financeira pesando na decisão pelo ensino superior, mostra que erra quem pensa que o valor da mensalidade é o critério mais importante na escolha do curso universitário.

Encomendada pela Ideal Invest, responsável pelo maior programa de crédito universitário privado para acesso ao ensino superior e pós-graduação do Brasil – o Pravaler -, a pesquisa fez uma análise profunda das considerações e prognósticos de jovens das classes A, B e C, com idades de 16 a 30 anos e autodeclarada restrição financeira para pagar a faculdade. Foram entrevistadas 600 pessoas em todo o Brasil.

Além de explicitar que quem quer faculdade não prioriza a opção mais barata, a pesquisa ratifica outra percepção: a de que a escolha do curso tem como parâmetro principal a possibilidade de ascensão socioeconômica. Na hora de escolher o curso, os jovens entrevistados priorizam a perspectiva de se firmar como bom profissional e ascender social e economicamente.

É o que fica claro quando, diante de 15 opções de respostas para a questão sobre o que mais pesa na escolha do curso, os entrevistados consideram como mais relevantes cinco itens: a possibilidade de ser um bom profissional, gostar de um determinado curso, perspectiva de ganhar um bom salário no futuro, empregabilidade e reconhecimento. Por sua vez, realização da vocação pessoal fica em sexto lugar no ranking de relevância e o preço do curso universitário aparece na nona posição.

No processo de escolha da faculdade, a lógica é a mesma: os três primeiros itens do ranking sobre a tomada de decisão a respeito da escola dizem respeito à qualidade do ensino e ao reconhecimento da instituição pelo mercado e pelo Ministério da Educação (MEC).

“O estudo deixa claro: a tomada de decisão sobre o curso universitário segue parâmetros absolutamente pragmáticos. Mesmo com restrições orçamentárias, os jovens brasileiros querem o melhor curso universitário possível. O desejo é que a faculdade seja uma alavanca para um futuro melhor em que o jovem seja reconhecido profissional e socialmente e tenha oportunidade de ganhar um bom salário”, analisa Rafael Baddini, diretor de Marketing e Produtos da Ideal Invest. “É por enxergar isso que o jovem não considera o valor do curso o item mais relevante para escolher qual graduação fará. O que ele busca é o melhor possível para o futuro, dentro de suas possibilidades, é claro, mas não simplesmente o mais barato no momento presente”, completa.

Curso superior: prioridade

A pesquisa revela ainda que a faculdade é um desejo arraigado, a despeito dos problemas financeiros para bancar o curso. Entre os entrevistados que ainda estão fora da vida universitária, 92% declaram que pensam em prestar vestibular nos próximos anos. O avanço do plano rumo à realização depende principalmente da solução da questão financeira.

Para garantir a realização do projeto, o uso de financiamento privado ou público surge como opção considerada por 71% dos entrevistados que ainda não cursam faculdade e apontam que pretendem prestar vestibular, mesmo não conhecendo todas as opções de créditos existentes no mercado. O número é quase o triplo dos atuais 24% de novos entrantes nas faculdades brasileiras que recorrem a algum tipo de financiamento ou bolsa.

“Isso mostra que há um descasamento entre o que é oferecido e o que precisa o jovem que quer estudar e não tem como bancar o curso universitário. Em parte isso se deve ao desconhecimento sobre este público. Nem mesmo as escolas sabem quem é e o que pensa este personagem porque muitas vezes ele nem chega a acessá-las por achar que não pode bancar a faculdade”, explica Baddini. “O ponto é que este não é um contingente qualquer. Segundo o INEP, cerca de 70% dos inscritos no Enem deste ano não pagaram a taxa de inscrição, uma prerrogativa para quem não tem renda ou vem de escola pública. Ou seja, quase dois terços do total dos estudantes que pleiteiam uma vaga na faculdade têm dificuldade financeira para pagar um curso superior. O resultado é uma grande parcela da população fora do ensino superior. Segundo o IBGE, mais de 24 milhões de brasileiros, entre 18 e 24 anos, estão fora do ensino superior. Só agora, porém, há um estudo que busca entender profundamente a realidade dest e público”, completa.

Para os jovens brasileiros com restrição orçamentária e desejo pela universidade, a boa notícia é que o estudo pode nortear ações que tornem sua vida mais fácil. A julgar pelos resultados da pesquisa, hoje ele convive, por exemplo, com carência de informações que relacionem faculdades e cursos a formas de pagamento viáveis. A queixa vale até mesmo para a internet – o ambiente primordial onde o jovem busca informações sobre o tema.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Google, é esta ausência de dados que faz com que o tempo médio para a decisão sobre o curso tome, somente na internet, em média 6,8 meses, dos quais 72% são gastos unicamente com pesquisas sobre formas de pagamento e potenciais meios de financiamento.

“É claro que a decisão de qual curso fazer na faculdade deve demandar tempo. Afinal, ela determina um projeto relevante de futuro. Mas é possível melhorar a oferta de informações ao jovem brasileiro que não tem recursos para ir adiante sem ajuda financeira. Assim, ele pode ter mais rapidamente resposta para sua questão essencial: como pagar o curso”, diz Baddini.

Se o tempo para a tomada de decisão pode cair, a influência no processo tende a continuar sendo exercida por quem está próximo e convive intimamente com o jovem brasileiro. Segundo as respostas obtidas no estudo da Ideal Invest, a escolha da faculdade e do curso é um processo em que o jovem considera prioritariamente sua própria opinião, seguida da dada por sua mãe e pelos amigos. Pais e cônjuges aparecem na sequência, à frente de ex-alunos da instituição de ensino, dos colegas de trabalhos e do chefe – penúltimo no ranking de influência.