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“Falta o debate propositivo e sobra o debate meramente eleitoreiro na imprensa paraibana”

11 de junho de 2014

No último dia 1º deste mês de
junho foi lembrado em todo o País o Dia da Imprensa. Os profissionais da área
permanecem, no entanto, na luta pela valorização da categoria e ainda reivindicam
melhores condições de trabalho e a volta pela exigência do diploma da profissão
de jornalista.

Na Paraíba, o último mês foi de
comemoração. A ACI – Associação Campinense de Imprensa conseguiu uma parceria
de liberação de R$ 1 milhão em financiamento para compra de equipamentos
eletrônicos e projetos de fortalecimento da renda do profissional de
comunicação.

A Associação, fundada em 01 de
maio de 1980, conta com pouco mais de 200 associados efetivos e comemora outras
conquistas importantes. A novidade para este ano é a instituição do Prêmio ACI
de Jornalismo, como parte das comemorações dos 150 anos de Campina Grande. “O
prêmio também será uma forma significativa de valorizar o profissional de
imprensa de Campina Grande”, adiantou o presidente da entidade Fernando Soares
dos Santos, em entrevista ao Paraíba Total.

Graduado em Comunicação Social,
com especialização em Marketing e MBA em Assessoria Executiva, Fernando acumula
grande experiência no mercado da comunicação no Estado e lamenta as reticentes
pautas dos veículos de comunicação. “A política é a principal pauta do
noticiário paraibano. É ela quem conduz o debate e induz a leitura. Falta o
debate propositivo e sobra o debate meramente eleitoreiro na imprensa paraibana”.

Abaixo, trechos da entrevista.

Oportunidades de emprego,
qualificação, nível acadêmico, salários. Como o senhor avalia o mercado de
trabalho para jornalistas na Paraíba e em Campina Grande?

Se tomarmos como base o piso salarial pago em
estados como Rio Grande do Norte, Piauí, e Sergipe, que se assemelham em
características econômicas, o valor salarial pago ao profissional de imprensa
na Paraíba está na média. Nas assessorias de imprensa e nas agências a
remuneração já consegue ser um pouco melhor. Mas precisamos continuar
defendendo dias melhores para a categoria.

Como o senhor avalia a imprensa paraibana, que foca seus
editoriais em programas de polícia e política, principalmente?

Vejo essas opções como uma
questão de mercado, apesar dos temas, que em alguns casos fogem da ética, da
imparcialidade e do profissionalismo. Além de abusarem do populismo e do
sensacionalismo em busca de audiência.

Quais são os principais gargalos do trabalho do jornalista na
Paraíba e especialmente em Campina Grande?

O principal gargalo é a falta de
emprego e a precariedade do mercado de trabalho, principalmente para quem
trabalho no serviço público, onde faltam as condições mínimas de trabalho.

O senhor acredita que a política muda a cena jornalística no nosso
Estado?

Infelizmente, sim. A política é a
principal pauta do noticiário paraibano. É ela quem conduz o debate e induz a
leitura. Falta o debate propositivo e sobra o debate meramente eleitoreiro na
imprensa paraibana.

O senhor está há quanto tempo à frente presidência da ACI. Quais
os diferenciais e conquistas de sua gestão?

Assumimos a presidência da ACI em
julho de 2013. Portanto, há 11 meses. Implantamos uma estratégia de recuperar o
prestígio da entidade e a autoestima do associado, através da realização de
palestras, atividades culturais e associativistas. Ampliamos ou gerando novas
parcerias, dentre elas, com instituições de ensino médio, superior e técnico,
beneficiando os dependentes dos associados. Com programas de microcrédito do
Governo do Estado e do Município conseguimos liberar cerca de R$ 1 milhão em
financiamento para compra de equipamentos eletrônicos e projetos de
fortalecimento da renda do profissional de comunicação. Também conquistamos com
a Cehap um condomínio residencial com 300 apartamentos. Este condomínio presta
uma homenagem póstuma ao radialista e ex-presidente da ACI, Clóvis de Melo.
Também implantamos o ACI Mais Saúde. Trata-se de uma rede de convênio com
médicos e serviços de saúde que atendem os associados e seus dependentes com
descontos nos valores cobrados nas consultas e exames laboratoriais. São mais
de 130 convênios nessa parceria, que é um sucesso.

Quais foram os principais pontos de avanço da ACI nos últimos
anos, na avaliação e em linhas gerais?

Ser uma entidade forte, atuante,
representativa e respeitada pela sociedade e, principalmente, pelos seus
associados é nosso desafio. A profissionalização da entidade, com a criação de
serviços que oferecem benefícios para os associados e a modernização do seu
estatuto, também foram e continuam sendo pontos marcantes.

Quais são os projetos para a ACI até o final de sua gestão? 

O nosso maior desafio é
consolidar a sede própria da Associação Campinense de Imprensa, uma vez que,
atualmente, a entidade funciona em dependências cedidas pela UFCG. Também
almejamos conquistar uma área campestre, para instalarmos o Clube da Imprensa.
Também consideramos importante e um marco na história da entidade, o Prêmio ACI
de Jornalismo que lançaremos este mês, como parte das comemorações dos 150 anos
de Campina Grande. O prêmio também será uma forma significativa de valorizar o
profissional de imprensa de Campina Grande.

Quais as principais metas e ações desenvolvidas pela entidade em
prol da categoria que representa?

Nossa meta tem sido fortalecer o
associativismo, mostrando para os associados à importância da entidade na luta
e na defesa dos interesses da classe.

Qual a sua opinião sobre a obrigatoriedade do diploma de
jornalista?

A obrigatoriedade e tão
importante quanto à necessidade do profissional de imprensa continuar se
atualizando, não se limitando, apenas, ao curso de graduação. O mercado exige
um profissional cada vez qualificado.