“Na Paraíba, o segmento empresarial tem despontado como nosso cliente de financiamento nos últimos anos”
2 de junho de 2014
Segundo números da própria
instituição, 74% das operações do Banco do Nordeste (BNB) do Estados estão
focadas no setor rural. “Os números aqui da Paraíba até me surpreendem
positivamente, pois até o momento já foi regularizada junto ao BNB a situação
de 50.430 produtores rurais, num total de R$ 287 milhões”, apontou o novo
presidente nacional do BNB, Nelson Antônio de Souza, que esteve em João Pessoa
para um evento interno para servidores, na última semana.
Os números, porém, dão brecha para um
novo e crescente público, o empresarial, que tem crescido nas operações do
banco por meio de financiamentos agressivos, como nos casos do Shopping
Mangabeira e das indústrias Brennand. “Nós definimos que precisamos dar um zoom
em algumas ações do Banco, com alguns objetivos empresariais”, disse ao
presidente à reportagem do Paraíba Total.
Nelson de Souza, que atua no BNB
desde julho de 2012 e que assumiu a direção geral do Banco em 4 de abril deste
ano, bem como a Diretoria de Estratégia, Administração e TI do Banco, falou
ainda de sua metodologia de trabalho e de suas metas pessoais a serem atingidas
junto à Instituição financeira até o final do ano. “Nosso foco é priorizar os
seguintes itens: A melhoria no atendimento; A celeridade no crédito; e O estar
na vanguarda e capitanear o pensar Nordeste. E tudo isso deverá ser cumprindo
dentro do prazo que foi 31 de dezembro de 2014”, comentou ele.
Formado em Letras e Psicologia, falou
ainda sobre o perfil do paraibano, dos novos investimentos no Estado, como abertura
de duas agências – em Picuí e em Cabedelo – e comentou sobre a atenção ao
Desenvolvimento Regional Sustentável, uma das prioridades em termos de ação,
adotadas pelo BNB.
Quais os principais investimentos
previstos pelo BNB para a Paraíba ainda em 2014?
Somente para a Paraíba nós temos
recursos na ordem de R$ 1,7 bilhão para serem investidos. Contudo, se tivermos
uma maior demanda, nós poderemos até ultrapassar esse valor chegando à casa dos
R$ 2 bilhões. Somente no segmento do microcrédito nós temos R$ 600 milhões para
investir esse ano.
Como novo dirigente, o senhor tem
alguma meta pessoal para atingir aqui em nosso Estado?
Ao sumir, a nossa meta tem sido
igualitária para os Estados do Nordeste. O nosso foco é priorizar os seguintes
itens: melhoria no atendimento, celeridade no crédito, estar na vanguarda e
capitanear o pensar Nordeste. E tudo isso deverá ser cumprindo dentro do prazo
que foi 31 de dezembro de 2014. No caso do atendimento, nós já estamos
aumentando nosso número de agencias e fizemos um convênio com a Caixa Econômica
para que o cliente possa usar todas as cassas suas lotéricas. No item crédito,
nós queremos um crédito célere, pois nós vamos contratar, desembolsar e nós
vamos cobrar, pois nós temos que receber, para poder reemprestar. Nossa meta
também é cumprir a função de desenvolvimento regional sustentável de maneira
competitiva e rentável. Pois, é preciso repensar o Nordeste como um todo, e o
BNB tem na sua missão atenuar as desigualdades regionais.
Como está a questão das dívidas dos
produtores rurais em nosso Estado?
Os números aqui da Paraíba até me
surpreendem positivamente, pois até o momento já foi regularizada junto ao BNB
a situação de 50.430 produtores rurais, num total de R$ 287 milhões. Então, o
que falta é aproximadamente 36 mil produtores se regularizarem. E eu os
conclamo a irem eu ao banco, pois eles estão amparados pelas leis 12.844 e
12.249 e pelas as resoluções do Conselho Monetário 4211, 4212, 4214 e
4315para renegociarem as suas dividas com até 85% de abatimento. E é
válido lembrar, que caso eles ainda não possam liquidar os seus débitos, eles
terão ainda a opção de refinanciar em até dez anos, com três anos de carência e
com taxa de juro de 0,5 % a 3,5% ao ano. Isso porque, há por parte do BNB um
reconhecimento de que no caso dos produtores, eles não atrasaram seus
pagamentos porque quiseram, mas sim porque foram acometidos pelo fenômeno
natural da seca e tiveram seus prejuízos. Ainda mais, porque para o banco não
interessa apenas que eles se regularizarem, mas que além de tirarem da produção
o sustento, eles possam voltar a cultivar, a sua criação e lucrar também com
isso.
Como está a atuação do BNB no Estado
da Paraíba, de um modo geral, não apenas aos produtores rurais?
Eu vejo que a Paraíba já vinha bem
capitaneada, pelo nosso superintendente José Maria Vilar, que é gabaritado e
tem nossa confiança. Mas, ao assumirmos, nós definimos que precisamos dar um
zoom em algumas ações do Banco, com alguns objetivos empresariais. Tudo isso, mesmo
preservando o plano de planejamento estratégico do banco, que é feito de quatro
em quatro anos e executado a cada ano.
Quais as novidades em termo de
ampliação do número de agências?
Queremos fechar 2014 com um total de
20 agências na Paraíba. Já temos atualmente 18 em funcionamento e estaremos
abrindo brevemente mais duas nos municípios de Picuí e de Cabedelo. Com isso,
também estamos ampliando no geral as agências próprias do banco em 50%. Além
das estruturas também estamos contratando pessoal, inclusive já chamamos 1.300
colaboradores nos meses de abril e maio deste ano.
Como o senhor avalia as parcerias
feitas aqui no Estado?
O Banco do Nordeste tem desenvolvido
várias parcerias significativas aqui no Estado, uma delas é com o Governo do
Estado, principalmente na área rural. Para se ter uma ideia, nesse âmbito, nós
temos na Paraíba 74,5% de cobertura de tudo que é investido nessa área rural,
com recursos oriundos do BNB. Enquanto isso, o Estado entra como parceiro em
ações de assistência técnica, de pesquisa, de infraestrutura. E há um grande
interesse nosso de cada vez mais poder ampliar esse tipo de parceria.
Como o BNB tem reagido ao aumento da
taxa de juros, principalmente da Selic que está hoje em 11%?
De forma tranquila, pois na
realidade, a taxa de juros dos agricultores, o máximo que ela chega hoje é a 5%
ao ano. Ela vai de 1% a no máximo 5% ao ano. E a Selic foi mantida em
11%, ou seja, nossa maior taxa ainda é menor que a metade da taxa plena da
Selic. E é válido lembrar que no caso do semiárido, onde tem municípios ainda
em estado de calamidade, ainda tem o Plano Safra, lançado pelo Governo Federal,
onde ainda existe uma rebate de 40% os agricultores, para refazerem suas
demandas com as pequenas chuvas recentes, além da linha de crédito para
prejudicados com a estiagem, que já dispõe de credito novo a mais 50 mil
deles, ou seja, estamos renegociando e abrindo novo crédito aos que
reabilitaram sua condição de crédito.
Qual o perfil do paraibano como
cliente do BNB. Ele se destaca mais no setor rural?
A Paraíba está, eu diria, em todo os
setores em que o banco atua. E é claro que o setor rural é bastante forte. Mas,
o segmento empresarial tem despontado bastante aqui na Paraíba como nosso
cliente nos últimos anos. A prova disso são os grandes empreendimentos que
contam com nosso financiamento, como o Shopping de Mangabeira e as cimenteiras
dos Grupos Brennand e Elizabeth, que além gerar empregos diretos aqui no
Estado, no caso das cimenteiras, vão tornar a Paraíba o segundo maior polo do
segmento do país, perdendo só para Minas Gerais.
Já existe alguma previsão de quanto
deve ser liberado para Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste
(FNE)?
Temos sim, inclusive nos já
estamos trabalhando desde o início do ano nesse sentido. São R$ 810 milhões
destinados à Paraíba, e é válido lembrar que o maior orçamento da história aqui
para o Estado. Isso somando todos os recursos e linhas de crédito, a Paraíba
terá R$ 1,7 Bilhão. Enquanto que global, para toda a região será algo em torno
de R$ 25,2 bilhão, sendo R$ 13,7% do FNE. Isso, representa 50% do total dos
recursos do banco.
O BNB está sendo mais cauteloso na
aprovação e concessão de empréstimo, em função de polêmicas que já envolveram o
banco?
Sempre tivemos cuidado, e essas
polêmicas estão sendo apuradas, dentro dos processos administrativos, dentro
das sindicâncias necessárias, e estamos dando celeridade para virarmos essa
página. Nós queremos o banco atue de maneira justa, com um julgamento dentro da
legislação, com direito de ampla defesa. Mas, logicamente que pessoas que tiveram
algum desvio isso será corrido em termo de conduto. E no caso do rigor do
crédito, eu sou um que defendo que o crédito seja realmente bem feito, pois o
dinheiro não é nosso, o dinheiro é público e para que o banco possa emprestar
para outro cliente, terá que receber de quem primeiro levou. Então, nós temos
que retroalimentar o crédito, por isso também estamos com muito rigor na
cobrança, e esse também é nosso papel. E, para isso, o banco tem toda uma
equipe de acompanhamento. Agora, nós não podemos colocar o caso dos produtores
rurais nesse mesmo barco, pois são vitimas de adversidades naturais, e por isso
que todas as execuções de agricultores que estão amparados pelas leis estão
suspensas até 31 de dezembro para então renegociá-los, só aqui foram 3.780 e no
Nordeste 126 mil suspensas.
Em linhas gerais, existe alguma ação
estratégica do BNB para auxiliar no crescimento da Paraíba e não apenas para
ações paliativas, uma vez que índices demonstram que a Paraíba tem crescido
pouco nos últimos anos?
Esse um debate mais amplo, pois
envolve muitas variáveis a serem levadas em consideração. Mas, de uma coisa é
certa o Banco do Nordeste tem cumprido e vai manter o cumprimento da sua meta
de fomentar o desenvolvimento regional e sustentável, de maneira competitiva e
rentável com o seu papel de banco público, pois muita muitas vezes só se é
feito o balanço financeiro das coisas e se esquece do balanço social que também
é de suma importância para o crescimento de uma localidade. E nisso nós estamos
verdadeiramente empenhamos.