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Alimentos ameaçam meta de inflação no atacado

24 de março de 2014

Num ano que já começou com pouca margem de manobra para a política econômica do governo, o cenário para o controle dos preços e o esforço para manter a inflação dentro do teto da meta se complicaram ainda mais nas últimas semanas. O choque de alimentos causado pela estiagem – já nítido e rápido nos índices de preços no atacado – ainda está por chegar com mais intensidade aos preços ao consumidor e não estava na conta do Banco Central e dos analistas até a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A previsão é a de que o impacto será mais forte e concentrado nos índices de março, mas economistas avaliam que seu efeito sobre a inflação não será restrito a este mês. Embora os itens in natura, que têm um ciclo rápido de produção, possam devolver no meio do ano boa parte da alta provocada pela seca, o mesmo não vale para as carnes, que pesam bastante na cesta de consumo e costumam absorver pressões por um tempo maior.

Há, também, a possibilidade de que o aumento na parte de alimentação se propague a outros preços, por meio da indexação (em função da alta no atacado) e das expectativas inflacionárias, que continuam piorando. Com a elevada probabilidade de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses alcance 6% já em março e a deterioração das projeções para o indicador, ficam maiores as chances de que o ciclo de aperto monetário ainda em curso seja prolongado. 

Para 2014, as projeções capturadas por meio do boletim Focus se deterioram desde o início do ano, quando a previsão média era de um IPCA de 5,97%, até ontem, quando os analistas já viam a inflação mais próxima do teto da meta, aos 6,11%. Considerando apenas o grupo chamado ‘top 5’ (os cinco analistas que mais acertam), o IPCA projetado para 2014 é de 6,39%