“Existem muitas empresas na Paraíba que trabalham dentro dos melhores padrões de qualidade e produtividade”
18 de março de 2014
O setor da construção civil tem sido um
dos principais responsáveis pelo grande desenvolvimento econômico em termo de
obras estruturantes em todo o país – que vão desde as estruturas para a Copa do
Mundo no Brasil até às execuções para a Transposição das águas do Rio São
Francisco. Na Paraíba, o que se vê são a expansão ainda crescente de prédios,
empreendimentos comerciais e condomínios horizontais.
Para tanto, a fiscalização das obras,
localidades, projetos e mão-de-obra ficam por conta do Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB), que possui quase
meio século de existência e conta atualmente com mais
de doze mil profissionais registrados.
Em entrevista
exclusiva ao Paraíba Total, a atual presidente do Crea-PB e engenheira agrônoma, Giucélia
Figueiredo, e primeira mulher a dirigir a entidade conta os principais desafios
da entidade e a luta diária por melhorias em termo de valorização e condições
de trabalho para a categoria. “Além de fiscalizar, nós buscamos o diálogo
contínuo com os profissionais e com a sociedade. O nosso Conselho não pode ser
uma caixa preta, isolada”, frisou ela.
Ao logo da entrevista, Giucélia também destacou o suporte
dado pela entidade aos associados e enfatizou a importância dos profissionais
que o Crea-PB representam para o crescimento do
Estado da Paraíba. “O crescimento da Engenharia e da Agronomia está intimamente
ligado ao crescimento do Estado da Paraíba e também do Brasil”, acrescentou ela,
na entrevista que pode ser conferida abaixo.
Como funciona a dinâmica de relacionamento entre o Crea-PB e seus associados?
Nossa gestão tem uma visão macro de
sua atuação enquanto Conselho Profissional. Além de fiscalizar, nós buscamos o
diálogo contínuo com os profissionais e com a sociedade. São muitos os desafios
que se põem, mas nós estamos passando pelo processo de construção de um Crea-PB mais ágil, eficiente, transparente e a serviço do povo paraibano. Não
só do ponto de vista da fiscalização do exercício profissional, mas também
discutindo a agenda paraibana e brasileira. O nosso Conselho não pode ser uma
caixa preta, isolada, precisamos dialogar tanto com os profissionais, como com
a sociedade, buscando ser agentes de transformação, suprindo as expectativas
que nos são atribuídas e colaborando com a resolução dos problemas que assolam
a nossa categoria e a população como um todo. Assim que nossa gestão teve
início, inserimos o Crea-PB nas redes sociais e temos utilizado
esse meio de interlocução indispensável nos dias de hoje como um instrumento
poderoso de diálogo com nossos profissionais. Esse foi um momento histórico, em
que o Crea-PB se abriu para a sociedade e pôde se
aproximar dos profissionais da área tecnológica.
Qual o papel da
unidade do Crea na Paraíba e como é de fato a sua atuação e
contribuição à nossa sociedade?
O Crea-PB é, primordialmente, uma entidade de fiscalização do
exercício profissional. No entanto, nós não nos limitamos a um exercício
fiscalizatório de caráter burocrático, “policialesco”, mas buscamos realizar fiscalizações
educativas e preventivas, porque entendemos a necessidade de se criar uma
cultura de prevenção, que deve ter por objetivo máximo salvaguardar a segurança
das pessoas. Essa prevenção está relacionada à presença na obra/serviço de um
responsável técnico registrado no Crea-PB, já que é este profissional quem
determina a segurança e a qualidade da obra, e oferece as garantias técnicas de
que ela será executada sem problemas. Quando o Crea-PB registra um profissional
ou emite uma ART – Anotação de Responsabilidade Técnica, ele está atestando que
aquele profissional está apto a realizar obras com a melhor técnica, provendo
bem-estar à sociedade. Quando o profissional é registrado, ele está submetido
às regras do Sistema Confea/Crea, que estão em consonância com o Código de
Ética Profissional. Ser registrado significa que o órgão regulador,
Confea/Crea, habilitou aquele profissional para trabalhar na área. Neste
sentido, a fiscalização do Crea-PB cumpre, por um lado, com o objetivo de
valorização profissional (mitigando o exercício ilegal das profissões de
engenharia, agronomia e áreas afins) e, por outro, com a defesa da população
que usufrui das obras/serviços fiscalizados e de qualidade.
Qual a missão e os maiores desafios do Crea-PB?
Atender os profissionais e a
sociedade com ética, transparência e eficácia, prestando serviços de qualidade
á população. Incorporar o Conselho nos debates de interesse da sociedade, como
acessibilidade, mobilidade urbana entre outros temas que estão diretamente
relacionados a qualidade de vida da população. Representamos uma categoria
profissional que está à frente do desenvolvimento das nossas cidades e lida
diretamente com a segurança e bem-estar da população. Isso, por si só, já
representa um grande desafio e responsabilidade. Por isso, buscamos todos os
dias contribuir de todas as maneiras possíveis para que o engenheiro e a
engenheira exerçam suas funções de maneira digna, assim como lutamos por uma
sociedade justa e igualitária. Nós entendemos que realizar essa missão passa
pela otimização dos serviços do Crea-PB, tornando-os mais
ágeis e eficientes.
Como anda a atuação do Conselho nos municípios paraibanos, quais os
avanços e as principais dificuldades enfrentadas para desenvolver o trabalho?
A jurisdição do Crea-PB abrange todo o Estado, por isso, também investimos na melhoria da infraestrutura
e dos serviços das inspetorias do Crea-PB (são seis ao todo
– em Campina Grande, Guarabira, Pombal, Sousa, Cajazeiras e Patos). Em 2012,
concluímos a construção de uma nova inspetoria em Campina e, agora em 2014,
vamos construir um novo prédio para a Inspetoria de Guarabira, capaz de atender
melhor os profissionais da região. Construímos uma agenda positiva de debate
nas cidades polo com temas de total interesse dos profissionais e da sociedade:
a transposição do rio São Francisco, Mobilidade urbana, Gestão de Resíduos
Sólidos foram algumas das temáticas. Buscamos, além disso, muitas parcerias com
os municípios paraibanos e com o poder público como um todo, firmando convênios
e acordos de cooperação e participando ativamente de ações, por exemplo, do
Ministério Público da Paraíba.
Que outros tipos de auxílios o Crea-PB tem oferecido aos seus associados? Há cursos, capacitações, palestras e
eventos de orientações realizados?
Investimos com vigor na educação
continuada dos nossos profissionais. Apoiamos a realização de vários cursos e
palestras e também promovemos eventos deste tipo em todo estado, como o
Congresso Estadual de Profissionais, Seminário de Fiscalização, etc. No final
de 2013, por exemplo, iniciamos uma maratona de cursos no interior do estado.
Realizamos cursos sobre GPS, Autocad, Resíduos Sólidos, totalmente gratuitos
para os profissionais, em Itaporanga, Sousa, Pombal, Cajazeiras e Patos. Neste
ano, concluiremos os cursos em Guarabira, Campina Grande e João Pessoa. As
instituições de ensino também são fortes aliadas, com as quais buscamos
parcerias que possibilitam aos profissionais e servidores do Crea-PB taxas
diferenciadas.
Como se dá a interface entre o Crea-PB e o Conselho Federal? Existem parcerias com órgãos governamentais para
o desenvolvimento do trabalho da entidade?
O Crea-PB tem uma atuação
marcante no Conselho Federal, sendo frequentemente reconhecido em âmbito
nacional pelo seu engajamento nas questões que envolvem a engenharia e a
sociedade brasileira. Em novembro passado, recebi da Anest (Associação Nacional
de Engenheiros de Segurança do Trabalho), na Assembleia Legislativa de São
Paulo, a outorga de título honorífico. Foi uma honra para mim levar o nome do Crea-PB àquele momento ímpar da engenharia e, claro, uma prova de que seguimos
no caminho certo. Ao longo do ano, o Confea promove vários fóruns e reuniões, e
a delegação da Paraíba sempre está lá, altiva, defendendo os interesses dos
nossos profissionais. Estivemos na 70ª Semana Oficial de Engenharia e
Agronomia, no 8º Congresso Nacional de Profissionais (neste, sendo o único
Conselho a apresentar propostas que serviram de referência nos debates do
Congresso), no Congresso Brasileiro de Agronomia, no Conselho Nacional das
Cidades e em tantos outros eventos. Não abrimos mão desta enorme
responsabilidade e temos sido reconhecidos por isso. A parceria com outros
órgãos, sejam públicos ou privados também tem sido fundamental nesse processo e
tem colaborado para que nossa atuação seja fortalecida e ainda mais abrangente.
Sempre faço questão de citar a forte parceira entre o CREA e o Ministério
Público, porque tem sido muito produtiva e otimizado o desempenho de ambas as
entidades.
Como o Crea-PB vê o mercado de
Engenharia na Paraíba? O que precisa melhorar?
O Crea-PB vê com bons olhos
e otimismo o mercado da Engenharia na Paraíba. Estamos cada vez mais crescendo
e abalizando o desenvolvimento do nosso Estado em várias áreas, ressaltando que
já existem empresas no Estado da Paraíba que trabalham dentro dos melhores
padrões de qualidade e produtividade. Nestes padrões, se encaixa a legalidade
dos trabalhos destas empresas: firmas com registro no Crea-PB, que contratam profissionais também legalmente habilitados, que cumprem
a lei do Salário Mínimo Profissional e que executam obras e projetos cumprindo
com toda a documentação legal necessária – dentre elas, a ART. Destacamos a
importância nesse contexto do Sinduscon/JP e Sinduscon/PB, que zelam pela
qualidade de seus associados , refletindo numa oferta de bons produtos no
mercado.
Como o Crea-PB tem realizado a
prestação de contas de suas ações aos seus associados e à sociedade?
O Crea-PB atende às novas
regras estipuladas pela lei denominada “Lei de Acesso à Informação”, Lei nº
12.527/2011 e seu decreto regulamentador nº 7724/2012, que parte do princípio
de que as informações referentes à atividade do Estado são públicas, salvo
exceções expressas na legislação. Dessa forma, disponibilizamos todas as
informações do nosso órgão no site do Crea-PB.A transparência é
um dos eixos da nossa gestão. Por isso, nós fortalecemos a atuação da nossa
Ouvidoria, justamente para estabelecer um canal intenso de diálogo com a
sociedade, que nos ajuda também a aprimorar a fiscalização e serviços em toda
Paraíba. Qualquer cidadão pode fazer denúncias, críticas e sugestões pelo site
do Crea-PB, presencialmente ou no telefone
3533-2510, e terá sua identidade preservada.
Como o Crea-PB tem contribuído
para o desenvolvimento da Paraíba e de que maneira?
O Crea-PB é a entidade que
acolhe os profissionais que protagonizam o desenvolvimento não só do Estado,
mas do país. Hoje, você não pode pensar as nossas cidades sem a presença do
engenheiro como protagonista do seu desenvolvimento, passando pelos serviços
relacionados à elaboração do projeto, execução, fiscalização. Usufruímos todos
os dias do trabalho de um engenheiro, técnico ou tecnólogo. Por isso, esses
profissionais devem ser bem remunerados, e esse tem sido um dos pilares da
nossa gestão, já que nós acreditamos que não cabe só ao movimento sindical o
compromisso com a luta pela valorização salarial dos engenheiros.
Do seu ponto de vista, quais são as perspectivas para o crescimento e
desenvolvimentos da Paraíba nos próximos anos nas áreas da engenharia e da
agronomia e como o Crea-PB se projeta nesse
contexto?
O crescimento da Engenharia e da
Agronomia está intimamente ligado ao crescimento do Estado da Paraíba e também
do Brasil. Para dar sustentabilidade ao desenvolvimento e crescimento, os
profissionais da Engenharia e da Agronomia são absolutamente necessários. Imprescindíveis
nesse sentido.
Fale um pouco dos investimentos feitos até agora na entidade, detalhando
ações realizadas e em andamento e recursos utilizados.
Bom, resumir tudo é uma tarefa
difícil, mas posso dizer que tive a sorte de ter acesso logo nos primeiros dias
de universidade a um grupo de estudantes que militavam no movimento estudantil,
me possibilitando, desta forma, ter a compreensão de que a participação
política era a principal forma de ocupar espaço e se fazer presente. Logo, fui
a primeira mulher a presidir o Diretório Acadêmico do Curso de Agronomia, na
UFPB/Areia. Minha participação e consciência política me induziram, então, a
permanecer na militância, mas em outro patamar, a militância sindical, com foco
na participação e organização profissional. Daí em diante, minha atuação me
levou a ser a primeira mulher a dirigir a Superintendência Federal de
Agricultura na Paraíba, a coordenar a Coordenadoria Nacional das
Superintendências de Agricultura, a dirigir a Delegacia Federal do Ministério
do Desenvolvimento Agrário na Paraíba e a primeira mulher a presidir, a partir
de 2012, o Conselho de Engenharia e Agronomia – Crea-PB. Finalizo
agradecendo a todos os profissionais das áreas tecnológicas a oportunidade de
ser a primeira mulher a presidir o Crea-PB, motivo de muito
orgulho , mas de muita responsabilidade. Entendo que o nosso Conselho cumpre,
além das suas prerrogativas legais, um papel social, de propor, formular e
contribuir com ações e políticas públicas que venham a melhorar a qualidade de
vida do nosso povo.