“No geral, o mercado da comunicação paraibano está muito aquecido, se comparamos com os mercados de estados vizinhos”
4 de março de 2014
Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É inovar e não apenas assistir, mas fazer parte do desenvolvimento. Se bem trabalhado, culmina em grandes resultados.
Um dos maiores empreendedores da área de Comunicação na Paraíba seguiu à risca a cartilha do empreendedorismo e é o entrevistado desta semana do Paraíba Total. Desde quando começou a trabalhar, aos 11 anos de idade, o jovem empresário Alex Filho, hoje aos 33, acumula sua história de vida como cantor gospel, radialista, apresentador de televisão, empresário do setor de construção civil, perfumaria e brinquedos. Hoje, ele comemora os seis anos de criação da TV Master, a primeira televisão com conteúdo 100% paraibano.
Em entrevista exclusiva, Alex Filho contou sobre sua trajetória de sucesso nessas áreas e falou dos desafios para montar e consolidar o Sistema Master, mais precisamente a TV, que é transmitida pelo do canal 20 da NET e pelo site http://www.tvmaster.tv/.
“A primeira e única toda nossa” tem planos para retomar o portal, criar uma rádio e expandir a programação televisiva para outras cidades do Estado, adiantou o diretor da emissora. Durante a entrevista, Alex ainda avaliou o mercado da comunicação da Paraíba, a interface com o mercado publicitário e avaliou de que forma a TV Master contribui para o desenvolvimento do Estado.
A TV Master comemora seis anos de fundação. Fale um pouco da história deste empreendimento.
A Televisão Master nasceu com o meu trabalho em uma outra televisão. Na verdade, nasceu de uma produtora de vídeo que nós tínhamos que se chamava Alex Filho Comunicação. Na época, nos arrendávamos a extinta TV O Norte, onde começamos há dez anos com o meu programa , em abril de 2004, data da minha estreia, o “Alex Filho com você”, com meia hora de duração por semana, todos os domingos. E fomos fazendo um trabalho e passo a passo. Com a bênção de Deus, chegamos a arrendar mais de 30 horas por semana, ou seja, a maior parte da programação da local da emissora já extinta. E isso foi uma escola porque, dentro dessa grade, nós tínhamos além do meu programa diário, que ao final já estava com duas horas de duração, tínhamos três programas automobilísticos, na área de educação e outros 18 programas que, ao final, chegamos a 25 programas produzidos por nós. Foi quando surgiu o canal. Já estávamos com quatro anos de mercado e um tanto quanto experimentado nesse sentido, de produzir conteúdo. A pesquisa em si de mercado não foi tão necessária, pois naquele momento nossa pequena experiência foi suficiente. E se fizéssemos pesquisa de mercado teria dado tudo errado porque, além da experiência, o mercado publicitário, que é quem compra, não compraria a ideia. Foi o que aconteceu no primeiro ano da TV Master: o mercado publicitário não comprou a ideia, achavam até um absurdo, pois todas as televisões produziam duas horas por dia e o resto era grade do Rio e de São Paulo. Não há nenhum problema nisso, mas a nossa proposta foi focada no telespectador e na telespectadora. Nós acreditávamos que depois eles acabariam aceitando uma programação toda nossa. Então, nesse primeiro ano recuamos nosso departamento comercial e fomos em busca da nossa lua de mel com o nosso público. Hoje o público abraça de uma forma muito linda e generosa a ideia que temos um canal para assistir a Paraíba todos os dias e durante as 24 horas dos 365 dias do ano.
Como é então a relação do Sistema Master com o mercado publicitário atualmente, depois dessa fase inicial?
No mercado publicitário, atuamos hoje de melhor maneira possível. As agências de publicidade nos respeitam muito, e nos continuamos respeitando as agências. Então, nosso departamento comercial, junto com a filosofia da empresa, está cada vez mais ligado ao mercado publicitário e acho hoje esse respeito que nos é tido por eles também é comprovado no nosso grande número de anunciantes. O mercado entende que seu cliente tem retorno porque a TV Master sabe o que quer. Temos um perfil, um público formador de opinião, de classe média em diante. Chegamos a trabalhar com a classe C em diante e até queremos trabalhar com todas as classes. No entanto, hoje esse desejo tem a ver com a macroeconomia do Brasil e, como o país tem melhorado, esperamos que isso aconteça logo. Hoje chegamos a 70 mil lares, a 300 mil telespectadores, estamos em todos as regiões de João Pessoa onde conseguimos trazer um retorno para os nossos anunciantes que também sabem onde querem atingir. Por isso existe esse boa relação entre nossa TV, agências e nossos clientes anunciantes.
Como funciona a dinâmica de relacionamento do Sistema Master com os demais sistemas do mercado da comunicação paraibana?
Nossa dinâmica é excelente, pois quando eu nasci aqui na televisão paraibana. Graças a Deus, eu pude contar com o que eu tinha de visão juntamente com a reciprocidade das pessoas, então desde que comecei a apresentar em TV na extinta O Norte. Eu convidava os apresentadores dos outros veículos, da TV correio, da TV Tambaú, da própria TV Cabo Branco, que hoje é a nossa parceira número um. Então, quando Master surgiu, eu me tornei um pouco mais empreendedor, um empresário da comunicação como as pessoas colocam. Daí veio a concorrência normal, que uns a levam de uma forma e outros de outra, mas para mim, que nasci no comércio – eu trabalho desde os 11 anos de idade e não parei até hoje, nos meus 33 anos – então concorrência para mim é algo salutar, que requer ética e respeito, admiração e motivação para a gente faça melhor o nosso trabalho.
Então, são vinte anos de trabalho e de muita atuação. É uma história de muito empreendedorismo…
Na verdade, eu comecei na Comunicação através da música. Eu tenho um ministério de louvor, uma carreira gospel, tenho cinco CDs gravados e isso foi o mais forte na minha vida até meus 23 anos. Quando eu tinha 17 anos, eu já tinha 3 CDs gravados e assinei meu primeiro contrato com a gravadora Line Records, pertencente ao Grupo Record de Televisão. Na época, a maior gravadora gospel da América Latina, daí eu me projetei no cenário gospel para todo o país e aos 23 anos eu já tinha feito shows em estádios de futebol para 50 mil e 70 mil pessoas junto com as igrejas, com a mídia gospel, em todo Brasil mesmo. Exceto três capitais, eu já tinha cantado na África, em Muçambique, para 50 mil pessoas. E essa carreira me trouxe à Comunicação. O próprio Gospel Line, programa da rede Record, que foi apresentado por Mara Maravilha, por Nil, o ex-integrante do grupo Dominó, também foi apresentado por mim. Em alguns momentos, eu fazia reportagens especiais. E todo artista cantor está sempre do outro lado sendo entrevistado, então de vez enquanto se vê um cantor que virou apresentador e creio que foi assim que aconteceu comigo. E tanto que, quando estreei, há dez anos, eu não fazia um modelo engessado, nos padrões. Eu fazia com uma cara mais artística mesmo tratando de assuntos sérios como política e por aí em diante.
Como conciliar os papéis de apresentador e de empresário ao mesmo tempo?
É extremamente puxando conciliar os dois papéis porque o empresário é 100% a responsabilidade e o apresentador é a responsabilidade e a seriedade, mas também é a arte, é a festa, é o lado artístico, é a parte da alegria o tempo todo. Muitas vezes, você tem que entrar no estúdio com uma boa carga de responsabilidade das empresas não só da televisão, mas das demais empresas e, ao mesmo tempo, esquecer um pouco tudo isso para ser o artista naquele momento. Claro que, para mim, as duas coisas se completam.
O que o senhor destacaria como o grande diferencial da TV Master diante das demais emissoras paraibanas?
Podemos afirmar, com certeza, que o nosso diferencial é a paraibaneidade, que, como já falei, nos trouxe muita dificuldade no primeiro ano junto ao mercado publicitário. Hoje a TV Fiscal, que é quem monitora os veículos de comunicação, atesta de maneira pública que nós somos em média o terceiro veículo, ou seja, a terceira TV. Estamos em terceiro lugar entre as abertas em número de anunciantes aqui no Estado, graças a Deus e ao nosso público telespectador, que entendeu nossa proposta. Somos a segunda em termo de interatividade no Twitter, perdemos apenas para a afiliada da Globo de João Pessoa.
Qual a missão e os maiores desafios do Sistema Master?
O nossa missão e também nosso maior desafio e a busca pela excelência. Porque televisão é sinônimo de tecnologia, de qualidade, pois em um mesmo modem de televisão é possível ter 200 canais. Uma tendência dos Estados Unidos, onde a TV por assinatura é ainda mais forte que a TV aberta, é nosso alvo. No Brasil, caminhamos para isso, pois o que antes há uns dez anos uma assinatura em promoção custava R$ 200, hoje existem pacotes por R$ 29,90. As pessoas começam ter acesso. Então, nosso desafio é uma excelência em conteúdo, cenografia, de jornalismo, comercial, tudo tem que está muito bem linkado e em harmonia. A nossa TV está para o telespectador como estão outros canais, como Globo Sat, da Fox etc.. A gente é chamado e mensurado para esse desafio de atingir a excelência. Por isso, para 2014, essa é uma das nossas maiores metas.
Fale um pouco mais dos avanços de 2013 e dos projetos para 2014.
Como avanços de 2013, digamos que foi ano de consolidação. Nós implantados o HD interno, alta tecnologia e também consolidamos boa parte da programação atual. Também investimentos em novos cenários. E no caso da TV em geral, como ela não para, nos não esperamos que venha nada de ordem nacional de satélite, já que não somos afiliados a nenhuma emissora nacional. Somos nós que geramos o nosso próprio conteúdo e temos é um forte compromisso de levar à Paraíba de manhã, de tarde, a noite e de madrugada. Em 2014, nosso maior projeto vai ser levar excelência do trabalho para ser levado ao nosso público.
Há expectativa de expansão do sinal da TV Master para outras cidades ou mesmo para outros estados?
Temos a pretensão de chegar a Cabedelo, a Campina Grande e a Patos. Temos ainda o nosso portal, que é o Paraíba Master, que no momento está em stand by justamente em função do ritmo alucinante que é a gestão da empresa da TV Master. Em breve, nos iremos reativá-lo em um tempo em que possamos mais se dedicar ao veículo, que devido a sua abrangência deve ser levado muito a sério, como todo veiculo de comunicação precisa ser. E ainda temos planos de implantar rádio também no nosso sistema no futuro. Mas, a TV é nosso foco.
Como é composto atualmente o Sistema Master?
No geral, o mercado da comunicação paraibano está muito aquecido, se comparamos com os mercados de estados vizinhos. A Paraíba fomenta muito, a Paraíba gera muitas oportunidades de emprego, gera conteúdo, então o mercado está bem e a TV Master quer está bem dentro desse cenário. Hoje nosso maior foco é na TV, que já está completando seis anos, porque ela nós projeta e nos chamou para um desafio muito grande com o nosso diferencial de paraibaneidade 24 horas. Isso é muito complexo. Hoje, nós temos sete estúdios na central Master de produção e somos a primeira televisão do Estado que tem um teatro. Então, é um empenho e um desafio para essa família composta de quase 110 pessoas, entre apresentadores e funcionários, nas suas mais diversas áreas de atuação.
Qual a real função do teatro do Sistema Master?
Geralmente em televisão, teatro é para ser utilizado todas as semanas pelo menos, mas esse não é o nosso caso. Nossa ideia não é ir ao ar um programa de auditório semanalmente e sim ele é destinado aos programas especiais da casa, a exemplo do especial de Carnaval, aniversário do Programa, São João, nossos debates, que se tornaram bastante reconhecidos nas eleições de 2012. Fomos a única emissora a realizar o debate ao vivo das eleições municipal direto da cidade de Patos. Então, além de utiliza-lo para nossa programação especial, utilizamos para funções multiuso como espaço para coquetel de lançamento de programa, de um produto, pois ele tem capacidade para 160 pessoas. Para se ter ideia o auditório do programa de Silvio Santos, que é um ícone da TV, tem capacidade para apenas 140 pessoas.
Na sua opinião, como o Sistema Master tem contribuído para o desenvolvimento do mercado da comunicação da Paraíba ?
Com muita humildade, a TV Master deu uma sacudida no mercado porque o mercado na época que estreamos, exceto a Globo que é um padrão a ser seguido pelas suas afiliadas, eu comecei um programa no horário da manhã, e recebi conselhos e crítica sobre isso. Mas encarei e na primeira pesquisa Ibope, apareci bem nas minhas duas horas de programação. Aí, as demais televisões começaram a usar a parte da manhã. Hoje, todas ou pelo menos a maioria usam. Demos uma primeira balançada e depois quando a TV Master estreou, a média das demais emissoras eram cinco programas e a nossa conta com praticamente 40 programas. Isso despertou nas demais a necessidade de mais estreias de programas concorrentes, o que, na verdade, deveria ter partido naturalmente delas próprias que são TVs abertas. Então, modestamente e humildemente, nós ajudamos a construir esse caminho de fomento à paraibaneidade na televisão local.
Algo mais a acrescentar ao nosso leitor?
Vamos continuar dedicados às empresas, a televisão, bem como ainda as nossas empresas de varejo, que há dez anos no ramo de perfumes, deixo esse segmento para meu irmão. Também mergulhamos na área de brinquedos, na Avenida Edson Ramalho, fizemos a maior loja de brinquedos da Paraíba, a Buba e Teco, e em breve teremos sua primeira filial no Mangabeira Shopping até o final do ano. Não era nem para ter começado assim, mas começou com as bênçãos de Deus esse desafio maior, Ao mesmo tempo, enxergamos perspectivas para construção civil, que é nossa empresa-mãe do grupo. A nossa família trabalha nesse tripé: construção civil; varejo de brinquedos e a comunicação com a nossa TV Master.