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Juros subiram a 39,9% em janeiro deste ano

28 de fevereiro de 2014

Após recuo em dezembro, a taxa média de juros cobrada do consumidor voltou a subir e chegou a 39,9% ao ano em janeiro, informou ontem o Banco Central. É o maior patamar desde março de 2012, quando estava em 41,2%. A inadimplência teve pequeno recuo de 0,1 ponto percentual, voltando ao patamar de 6,6% verificado em novembro, próximo ao menor da série histórica, de 6,4% em abril de 2011.

As taxas referem-se ao crédito concedido a pessoas físicas com os chamados recursos livres, que excluem o crédito habitacional, rural e o concedido pelo BNDES.

A alta dos juros verificada em janeiro para este segmento foi expressiva, de 1,9 p.p frente ao mês anterior. Já para as empresas, o aumento foi de 1,4 p.p, o que levou a taxa para 22,8%. Com isso, a taxa média total com recursos livres chegou a 30,7%, também a maior desde março de 2012.

“Isso acontece todo ano. As pessoas usam a renda de fim de ano para sair do cheque especial, onde há taxas mais caras. Há um efeito de recomposição em janeiro. O consumo dessa linha agora voltou ao patamar normal”, diz Tulio Maciel, chefe do departamento econômico do Banco Central.

A alta dos juros ao consumidor reflete o novo ciclo de aperto monetário promovido pelo BC. Desde abril do ano passado, a autoridade monetária já subiu a taxa básica de juros (Selic) em 3,5 pontos percentuais. Atualmente, ela está em 10,75% ao ano. Com os juros altos, fica mais caro tomar empréstimos e fazer compras parceladas. Ao aumentar a taxa básica, o governo busca desestimular o consumo e conter a inflação.

No segmento de recursos direcionados, que consideram as linhas do BNDES e do crédito habitacional, o juro total aumentou bem menos do que no crédito onde os bancos são livres para escolher as taxas. Ficou em 7,9% ao ano, alta de apenas 0,4%. Já a inadimplência se manteve em 0,9%.

Com isso, a taxa de calote consolidada do sistema financeiro, que considera a inadimplência em todos os segmentos, alcançou 3,0%.

Estoque

O estoque total de empréstimos chegou a R$ 2,72 trilhões em janeiro, aumento de apenas 0,1% em janeiro. O crédito disponível no país chegou a 56,1% do PIB (Produto Interno Bruto). No mês anterior, a proporção era 56,5% e, em janeiro do ano passado, de 53,3%. A previsão do BC é que ele alcance 58% do PIB no fim deste ano.

Para Maciel, o crédito continua sendo um elemento importante para o crescimento da economia. “Cresceu acima do PIB nominal em 2013, portanto, segue como fator que contribui para a expansão da atividade econômica. No início do ano, o crescimento de 0,1% tem uma carga do efeito sazonal muito acentuada”, afirmou.

Cheque especial subiu a 154%

As famílias voltaram a recorrer ao uso do cheque especial em janeiro. O saldo dessa modalidade subiu 7,7% de dezembro para janeiro, ao ficar em R$ 21,766 bilhões, de acordo com dados do crédito do sistema financeiro divulgados pelo Banco Central (BC).

Em dezembro, quando há pagamento de 13º salário, os clientes bancários costumam usar a renda extra para sair o cheque especial, mas em janeiro o saldo voltou a subir. Em janeiro, a taxa de juros do cheque especial para as pessoas físicas foi a que mais subiu. A taxa chegou a 154% ao ano, com alta de 6,1 ponto percentual em relação a dezembro. Essa é a taxa mais elevada desde junho de 2012, quando ficou em 156,7% ao ano.

O cheque especial é a modalidade com juros mais altos. A taxa do crédito pessoal (incluído o crédito consignado), por exemplo, ficou em 43% ao ano, em janeiro, com alta de 1,7 ponto percentual em relação a dezembro.