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“Mesmo com aumento do número de vagas ofertadas, ainda há necessidade de ampliação do Ensino Superior na Paraíba”

13 de janeiro de 2014

Criada em 2002, a partir de um
desmembramento da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG) é hoje referência de instituição
acadêmica no desenvolvimento de tecnologia de ponta. Em dez anos, 
conseguiu aumentar em quase 200% o número de vagas para alunos e também em
quase o mesmo percentual o número de cursos de graduação oferecidos, que tem
como destaque o de Engenharia Elétrica.

Com toda sua potencialidade, a UFCG,
inclusive, tem firmado convênios com instituições do exterior. O primeiro
aconteceu com a Universidade da Califórnia, no âmbito rural. O pontapé inicial
resultou em um crescimento vertiginoso na área de tecnologia, que igualou a
instituição aos mais conceituados centros de pesquisa no eixo Sul–Sudeste.
Depois, veio o convênio tecnológico com o governo britânico, que instalou um
laboratório de alta tensão em Campina Grande, o primeiro das universidades no
Brasil. Em seguida, foram firmados acordos com Japão, Alemanha, França e
Holanda e Canadá.

Em entrevista ao Paraíba Total, o reitor da instituição, José Edilson de Amorim,
elencou projetos, convênios e outras iniciativas da UFCG. “A UFCG foi
classificada em 1º lugar, dentre as Instituições da Paraíba, e em 4º lugar,
dentre as do Nordeste, tendo obtido conceito institucionais”, ressaltou.

Em números, atualmente a UFPB tem
cerca de 16.700 alunos matriculados em 75 cursos de graduação (94 cursos, se
contarmos com as duplicações em turnos diferentes) e em 23 programas de
pós-graduação, que oferecem 23 cursos de mestrados, sendo 19 acadêmicos e 4
profissionais, e 11 cursos de doutorado. Para dar suporte a todas as atividades
de ensino, pesquisa e extensão, bem como às atividades administrativas
desenvolvidas pela Instituição, o seu quadro de pessoal conta com 1.453
docentes, sendo 732 doutores e 518 mestres, 1.545 servidores
técnico-administrativos, além de um quadro de cerca de 1.000 servidores
terceirizados. No que diz respeito aos inativos, a Instituição se
responsabiliza pela folha de pagamento de 507 docentes e 534 servidores
técnico-administrativos aposentados.

Confira a entrevista na íntegra.

É fato que o mercado de trabalho
requer, cada vez mais, maior qualificação profissional – e isso passa
necessariamente, pelo Ensino Superior. De que forma acontece essa exigência do
mercado de trabalho paraibano, em sua opinião?

Com a ampliação das vagas de ingresso
no Ensino Médio oferecidas pelo Estado ocorrida nos últimos anos, ampliou-se,
na mesma proporção, a procura por vagas no Ensino Superior. Desta tal afirmação
a crescente concorrência que se observa nos últimos processos seletivos de
todas as instituições de Ensino Superior da Paraíba. Tradicionalmente, a
procura se volta mais para os cursos cuja carreira está consolidada e oferece
mais segurança no que diz respeito à garantia de emprego e prestígio social. No
entanto, cursos que surgem com o objetivo de formar profissionais para as novas
carreiras exigidas pela atualidade também têm tido considerável aceitação. Isso
porque o mercado de trabalho, por estar cada vez mais competitivo, exige, a
cada dia, mais competência e conhecimento especializado na área de atuação
daqueles que querem se inserir no mundo do trabalho. Portanto, tem sido um
verdadeiro orgulho gerir uma instituição que tem buscado ao máximo oferecer um
ensino de excelência para sociedade.

Na sua opinião, os alunos da UFCG têm
sido bem aproveitados no mercado de trabalho, de um modo geral? E os cursos que
a instituição oferece estão dentro das exigências e das potencialidades de
trabalho que têm o Estado?

A existência de uma universidade
federal em um Estado como a Paraíba representa, de imediato, a oportunidade dos
jovens da região ingressarem no Ensino Superior público, gratuito e de
qualidade, o que lhes assegura maiores chances para o sucesso profissional.
Além disso, a presença de uma universidade também significa a possibilidade de
desenvolver os setores produtivos do estado, haja vista a contribuição dada
para a formação de recursos humanos, a partir das atividades de pesquisa e
extensão científico-tecnológica que produz. A UFCG, particularmente, tem dado
suporte ao surgimento de inúmeros empreendimentos intermediados pela Fundação
Parque Tecnológico da Paraíba – PaqTcPB, por meio de incubadoras que propiciam
o surgimento de empresas com chance de sucesso, nos mais diversos setores
produtivos. Em resumo, o nível de empregabilidade dos alunos egressos da UFCG é
muito alto. Na última avaliação da Folha de S. Paulo, por exemplo, onde fomos
muito bem ranqueados, a empregabilidade dos alunos formados na UFCG é bastante
alta. A UFCG foi classificada em 1º lugar, dentre as Instituições da Paraíba, e
em 4º lugar, dentre as do Nordeste, tendo obtido conceito institucionais; da
extensão; contínuo (3,50) muito próximo aos da Universidade Federal de
Pernambuco (3,53) e da universidade Federal do Ceará (3,52), que ficaram,
respectivamente, em segundo e terceiro lugares, configurando praticamente um
empate técnico para a segunda colocação. Dos convênios nacionais, o mais
significativo foi com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA. A UFCG
ainda mantém parceria com várias instituições públicas e privadas como Nokia,
Petrobras, Ford, Siemens Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que
fazem dela um lugar privilegiado para inovação em tecnologia e que atrai
inclusive estudantes brasileiros de várias regiões e também de outros países
que buscam conhecimento e formação superior de excelência.

Como funciona a dinâmica de
relacionamento entre a universidade e seus docentes e discentes?

É típico das instituições de Ensino
Superior a prática do espaço democrático de discussões. Na UFCG, não poderia
ser diferente. Além da Ouvidoria, que abre espaço para ouvir e encaminhar as
demandas de todo e qualquer cidadão, componente ou não da comunidade acadêmica,
a UFCG tem, em seu Estatuto e Regimento Geral, institucionalizado vários órgãos
colegiados em que são discutidos, com a presença de representantes das três
categorias (docentes, servidores técnico-administrativos e discentes) todos os
temas acadêmicos e administrativos de relevância para a Instituição.
Destacam-se, dentre estes: Colegiado de Curso; Assembleia de Unidade Acadêmica;
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE;Conselho Administrativo –
CONSAD; Conselho Curador; Conselho Universitário, que se subdivide em:
Colegiado Pleno; Câmara Superior de Ensino; Câmara Superior de Pós-Graduação;
 Câmara Superior de Pesquisa e Extensão; Câmara Superior de Gestão
Administrativo-Financeira. Além disso, há a orientação geral da reitoria no
sentido de todos os gestores concederem agenda disponível aos interessados nos
temas objeto de cada pasta de trabalho.

Como andam os projetos que a UFCG
pretende de expandir sua estrutura física (campi) e o ensino (mais cursos e
pós)? Quais os principais focos nessas áreas para 2014 em diante?

Estamos desenvolvendo projetos
executivos para construção de sala de aula, laboratórios, ampliação e
recuperação de bibliotecas, ambientes para professores, restaurante e
residências universitárias, para que em todos os campus da instituição, de
Campina Grande a Cajazeiras, possam contar com essas instalações. Até março,
estaremos iniciando os processos licitatórios.

O setor de educação pública é muito
concorrido, e ao mesmo tempo ainda carente de investimentos. Há espaço para
mais instituições de Ensino Superior na Paraíba, na sua avaliação?

Os dados fornecidos pelo IBGE e por
pesquisas realizadas pelo Ministério da Educação mostram que a Paraíba já
melhorou bastante a relação existente entre o número de egressos do Ensino Médio
e o número de vagas ofertadas para ingresso no ensino superior. No entanto,
ainda há muitos jovens, na faixa etária que vai dos 18 aos 24 anos fora do
ensino universitário, notadamente em algumas regiões do Estado, a exemplo do
Vale do Piancó. Assim sendo, podemos afirmar que ainda há necessidade de
ampliação do ensino superior no Estado da Paraíba.

Quais são as perspectivas para os
próximos anos e como a UFCG se projeta nesse contexto?

A meta do governo federal, consignada
no Plano Nacional de Educação – PNE é elevar a taxa bruta de matrícula na
educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população que se
encontra na faixa etária que vai dos 18 aos 24 anos. Essa meta geral, que visa
o maior acesso às vagas, não dispensa metas específicas voltadas para assegurar
a devida qualidade na oferta do ensino superior. Desta forma, as universidades
precisam adotar medidas para proporcionar a melhor formação profissional de
seus formandos. A UFCG tem plenas condições de, com o devido respaldo do
governo federal, ampliar a sua oferta de vagas, com a criação de novos cursos
de graduação, sobretudo em áreas ainda não contempladas nas localidades em que
possa atuar a Instituição.

Fale um pouco dos investimentos
feitos até agora na instituição, detalhando ações realizadas e em andamento e
recursos utilizados.

Desde que a UFCG foi criada, em 2002,
vimos passando por processos de expansão do ensino público superior,
coordenados pelo Governo Federal. Tendo aderido ao Programa de Expansão Fase I
e ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais – REUNI, a Instituição cresceu significativamente: em 2002, tinha
quatro campi (Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras), em que eram
oferecidos 29 cursos de graduação; hoje a Universidade Federal de Campina
Grande conta com sete campi (com a criação dos campi de Cuité, Pombal e Sumé).
Para dar suporte a todo este crescimento, foram investidos cerca de R$ 100
milhões que possibilitaram a construção de novas edificações, para salas de
aula, laboratórios, bibliotecas, residências e restaurantes universitários,
gabinetes para professores e ambientes administrativos, dentre outros
equipamentos, bem como para toda a infraestrutura necessária para o
funcionamento desses espaços. A estrutura física de uma instituição de ensino
nunca está definitivamente pronta, haja vista as necessidades que aparecem, a
cada momento, em função das novas demandas acadêmicas. Assim, o investimento na
infraestrutura é contínuo.

Qual o custo médio mensal para se
manter em funcionamento uma universidade como a UFCG? Esse valor repassado pelo
Governo Federal é suficiente, caso não, como seria o ideal para se trabalhar de
forma tranquila?

O orçamento destinado à UFCG no
exercício 2013 é de aproximadamente R$ 500 milhões apenas para a manutenção dos
cursos de graduação e da folha de pagamento de servidores ativos e aposentados,
além dos pensionistas, que gira em torno de 29 milhões por mês. Neste montante,
não se inclui os recursos captados pelos projetos de pesquisas do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, da Financiadora de
Estudos e Projetos – FINEP, entre outras agências, nem os recursos dos diversos
projetos apresentados ao Fundo Setorial de Infraestrutura – CT-INFRA.

Qual a sua opinião sobre as cotas nas
instituições de ensino superior? São necessárias? Destaque os pontos negativos
e positivos.

Penso que, como compensação social e
aceleramento histórico, as cotas são necessárias. Na prática, os cotistas das
universidades têm tido muito bom desempenho, promovendo, adicionalmente, a
ampliação da assistência estudantil no interior das universidades. As cotas
possibilitam que muitos estudantes pobres, vindos das escolas públicas, tenham
acesso ao ensino superior.