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“Os empresários esquecem que são as pessoas os elos principais para o sucesso da organização”

5 de novembro de 2013

Os
desafios das empresas não estão na inovação e nem na competitividade tecnológica.
Isso na opinião de Maria da Penha Silva dos Santos, presidente da ABRH-PB
(Associação Brasileira de Recursos Humanos da Paraíba). Para ela, é a gestão de
pessoas que está diretamente relacionada ao sucesso das corporações – e a
maioria delas não investe nessa área.

Psicóloga organizacional e
consultora em Gestão de Pessoas com atuação na área de Diagnóstico
Organizacional, Maria da Penha, no cargo de presidente da Associação desde
2011, conversou com o Paraíba Total e explicou com a ABRH funciona no Estado,
como o empresário deve motivar e qualificar seu colaborador – sejam os
inquietos da chamada Geração X ou dos mais experientes e até mesmo idosos que
desejam voltar ao mercado de trabalho. “Se o empresário tem um plano de
desenvolvimento de talentos, um plano de carreira, ele tem mais chances de
reter talentos dentro da empresa. Hoje o profissional não quer só ganhar
dinheiro, não é mais uma questão salarial. Ele quer oportunidade de crescimento”,
disse Maria da Penha.

Como é a ABRH da Paraíba em números e como
funciona a Associação no Estado?

De
2011 até outubro de 2013, nós crescemos 120% em termos de associados, que são profissionais
liberais de qualquer ramo, empresas de todos os portes e pessoas da área
jurídica. Gestão de pessoas é sem fronteiras. Atualmente estamos em 62 empresas
associadas em todo o Estado e temos 85 pessoas físicas. É um número significativo,
na nossa opinião. Já a missão da ABRH, de um modo geral, é disseminar o
conhecimento no ramo do trabalho, desenvolver pessoas e organizações. Nós
trabalhamos exatamente com esse foco. Tudo o que nós fazemos enquanto Associação,
fazemos para atender exatamente essa missão. Atendemos os associados com
palestras, cursos, seminários, capacitação.

E como o empresário tem tratado a área
de RH dentro das suas empresas?

Nosso
maior sonho é tornar o RH estratégico. Hoje o RH é muito mais operacional do
que estrategicamente planejado e executado. Ele não é, por exemplo, tão
valorizado como o marketing, como o departamento comercial. Nós precisamos
estar exatamente nesse patamar de representação dentro da organização. Uma
empresa não faz nada sem pessoas.
Os empresários ainda não veem os recursos humanos como estratégico na
corporação e esquecem que são as pessoas os elos principais para o sucesso da
organização.

 O
RH como setor estratégico seria, então, o maior desafio das empresas?

Esse
é o maior desafio e o maior ativo de uma organização. Mas o empresário está
mais preocupado com o mercado, com a tecnologia. Mas a tecnologia não funciona
se não tiver um profissional, uma pessoa por trás operando. Para dar certo,
esse talento tem que estar muito bem alinhado com essa máquina.

Como as empresas paraibanas atuam com os
jovens que acabam de entrar no mercado de trabalho?

A
geração Y é muito dinâmica, gosta de desafios, é bem diferente da geração
anterior. As empresas estão acostumadas e trabalham melhor com a geração dos baby
booms. Assim, os gestores são mais conservadores. Estão assim ligados ao
passado. Não podem inovar, não podem gerar ideias, tem que cumprir a risca
todas as regras. Mas a geração Y quebra regras, gosta de inovar. Para uma
empresa ser competitiva no mercado, ela deve saber lidar com esse novo
profissional.

Qual a orientação da ABRH neste sentido?

O
que mais orientamos é no sentido na educação corporativo. O empresário tem medo
de investir nesse trabalhador e ele ir embora depois. Mas é um risco que o
empresário corre. É preciso ousar mais nessas gestões. O mercado não te oferece
talentos prontos. Ele vai aprender e ter sua experiência nas empresas. Mas se o
empresário tem um plano de desenvolvimento de talentos, um plano de carreira,
porque se você não tiver um plano de carreira dificilmente você vai ter o
talento. Se o empresário tem
um plano de desenvolvimento de talentos, um plano de carreira, ele tem mais
chances de reter talentos dentro da empresa. O profissional não quer só ganhar
dinheiro, não é mais uma questão salarial. Ele quer oportunidade de crescimento,
principalmente com a geração Y. Na hora das entrevistas, o profissional já
pergunta isso: ‘Para onde eu vou crescer nessa empresa? Onde vou estar daqui a
dois anos?’ Se ele não tiver respostas, ele muda de empresa.

O empresário paraibano tem essa
consciência?

A
ABRH orienta muito os trabalhadores nesse sentido, inclusive ajudando a
selecionar pessoas. A gente seleciona, há um grupo de psicólogos voluntários que
fazem a entrevista de forma aprofundada, e direciona para o perfil da empresa.
A gente encaminha e seleciona diretamente para aquela empresa. E nós temos
banco de empregos também, inclusive para estagiários. As pessoas podem mandar
seus currículos e as empresas, divulgar suas vagas.

O trabalhado da Paraíba tem se
movimentado como força de trabalho pela qualificação profissional constante?

No
caso do idoso, as coisas mudaram um pouco. As empresas perceberam que precisam
fazer essa sinergia de talento, juntando expertises. A experiência de vida, a
serenidade dos mais velhos devem andar junto com os jovens dessa geração, que
são antenados às novas tecnologias, rápidos e inteligentes. É o quadro
funcional ideal.

Para os que estão abrindo uma empresa,
qual a orientação da ABRH?

Percebemos
que algumas empresas novas estão se preocupando mais em selecionar bem. A
grande sacada é essa: selecionar o profissional ideal que vai trabalhar nessa
empresa, de acordo com o perfil de ambos. O novo empresário tem que construir
um bom plano de treinamento para capacitar os funcionários. Nada acontece na
empresa sem as pessoas.