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Caderneta de poupança volta a render 0,5% ao mês

28 de agosto de 2013

Quinze meses depois de ter alterado a forma de remuneração da caderneta de poupança, o governo voltará a mexer na rentabilidade da aplicação financeira mais popular do país. Caso o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decida dar continuidade ao processo de elevação dos juros básicos da economia, que atualmente estão em 8,5% ao ano, os depósitos na caderneta deverão render pelo menos 0,5% ao mês. Hoje, a correção é definida por 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Como essa taxa quase sempre fica zerada, o poupador recebe, em média, 0,48% ao mês.

Parece pouco, mas, para especialistas, a diferença de 0,2% ao mês na correção tornará a poupança ainda mais atraente. “Hoje, sem dúvida, essa é a melhor opção de aplicação para o pequeno investidor, porque, além de ser isenta de Imposto de Renda (IR), ela é fácil de entender e absolutamente segura na hora de receber”, disse o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.

Mesmo antes de o governo mudar a forma de cálculo da caderneta, em maio de 2012, os depósitos na poupança já vinham superando os saques mês a mês. Em julho, a chamada captação líquida chegou a R$ 9,331 bilhões, o maior resultado já registrado para meses de julho e o segundo melhor desempenho da história, ficando atrás somente de junho deste ano, quando os depósitos ultrapassaram os saques em R$ 9,451 bilhões. Em agosto, até o dia 20, o saldo está positivo em R$ 1,914 bilhão, segundo dados do BC.

Tamanho apetite pela caderneta reflete o baixo interesse do brasileiro por modalidades de investimentos menos conservadoras, como fundos de renda fixa, que geralmente rendem mais. Essa lógica se inverteu, no entanto, a partir do momento em que os juros básicos caíram ao menor patamar histórico, 7,25% ao ano. Como são tributados pelo IR e também cobram taxa de administração dos cotistas, os fundos acabam sendo menos vantajosos que a poupança na maior parte dos casos.

Um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) mostrou que, independentemente do prazo de resgate da aplicação, apenas os fundos com taxa de administração inferior a 0,5% ao mês conseguem bater a caderneta. Porém, conforme esclareceu a entidade, essa taxa normalmente só é oferecida para aplicações de valores superiores a R$ 50 mil. Para o especialista em finanças pessoais Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), apenas se os juros básicos subirem acima de 10% ao ano os fundos voltariam a se tornar mais vantajosos que a poupança.