Estudo revela que trocar de banco custa mais de R$ 470 em média
19 de agosto de 2013
Trocar o banco do qual se é cliente pode custar caro: em média, R$ 471,70. O dado, de estudo da pesquisadora Mariana Oliveira e Silva economista da consultoria Tendências, considera os custos que pesam diretamente no bolso do cliente (como a taxa de manutenção de conta) e outros que são menos palpáveis (como enfrentar a burocracia e reagendar as contas em débito automático).
Tipos de custo
Nos gastos diretos com a troca de banco avaliados pela pesquisa, entram as taxas de abertura, cartão, extrato mensal e DOC ou TED. Além disso, são computados os custos de “relacionamento”, como o conhecimento que o gerente que convive com o cliente tem e o que pode oferecer em troca. Também é calculado o custo burocrático da portabilidade, que gera idas e vindas com papelada entre os dois bancos e a transferência de dívidas como o financiamento habitacional, que também gera custos de cartório.
Há ainda custos mais abstratos, como aprender a usar o internet banking e os terminais de autoatendimento do banco e também a incerteza em relação à qualidade do serviço – como as filas que Ribeiro encontra na hora do almoço na Caixa.
Com tudo isso considerado e baseado em cálculos complexos feitos utilizando os balanços dos bancos, a pesquisa concluiu que o custo mínimo da troca é de R$ 279 e o máximo, R$ 832. Segundo Mariana, não há possibilidade de custo zero. “Cada cliente tem um custo individual que depende até de sua capacidade de absorção de informação e do relacionamento do cliente”, diz.
“O trabalho olha apenas para o lado do custo de trocar de banco, não para o ‘líquido’, que seria comparar o custo com o benefício. Ou seja, há casos em que pode ser vantajoso fazer a troca. O preço que oferecem, por exemplo, os juros do financiamento, pode ser tão mais baixo que compensa. O que acontece é que, quanto mais alto esse custo de mudança, mais difícil é encontrar uma troca vantajosa”, diz a pesquisadora.
Os maiores bancos têm os menores custos, já que conseguem ser mais competitivos e dificultar a entrada de novos concorrentes, segundo a pesquisa. Já os menores tendem a ser mais caros e atendem nichos específicos como agricultores e pequenas e médias empresas, o que também torna mais custosa a saída e a migração para um banco com os mesmos serviços.
Transparência e informação
O custo será menor se o cliente tiver mais informações sobre o sistema bancário, se tiver facilidade em entender como funcionam as instituições e as máquinas. Já se tiver dificuldades com isso, o custo de uma mudança será maior. Segundo a pesquisa, os clientes ficam, em média, oito anos em uma mesma instituição, o que mostra como o relacionamento é importante e facilita o dia a dia do consumidor.
A portabilidade, o cadastro positivo e a padronização de quatro pacotes de tarifas são regras recentes do Banco Central que ajudam o consumidor e reduzem o custo da troca de banco para ele, diz a economista. “O cliente precisa ter como comparar os preços das tarifas, o cadastro positivo é importante para que um banco que não é necessariamente o seu tenha acesso a seu histórico e a portabilidade também, já que permite levar financiamento a outro banco”, afirma.