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MPF diz que BBom usou “laranja” para tentar sacar R$ 2,5 milhões bloqueados

15 de agosto de 2013

Sem conseguir reverter judicialmente a decisão que paralisou suas atividades, a empresa BBom (Embrasystem) resolveu usar uma estratégia ilegal para tentar driblar o bloqueio judicial de seus bens. Segundo informações do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), na semana passada a empresa teria usado como “laranjas” um diretor e sua mulher para tentar sacar R$ 2,5 milhões retidos pela Justiça. 

De acordo com o órgão, a empresa, que fornece rastreadores de veículos e está sendo acusada de formação de pirâmide financeira, teria transferido o montante para a conta de Cristina Dutra Bispo, mulher do diretor de marketing do grupo, Ednaldo Alves Bispo. Para o MPF-GO, os dois seriam usados como “laranjas” na tentativa de burlar o bloqueio de bens e sacar o dinheiro. No dia 10 de julho, a Justiça determinou o bloqueio de bens da companhia. Na ação, foram incluídos mais de cem veículos, incluindo carros de luxo, além de R$ 300 milhões em contas bancárias do grupo.

O MPF agiu rápido e entrou com uma ação cautelar, pedindo a suspensão da operação financeira. O pedido foi acatado pela Justiça Federal e o saque do dinheiro foi impedido. Em nota, a BBom afirmou que recorrerá junto ao Tribunal Regional Federal ainda nesta semana, e criticou a divulgação de informações sobre o processo por parte do Ministério Público. O casal foi incluído pelo órgão na ação civil pública contra a BBom.

Pirâmide

Na análise das autoridades, a pirâmide financeira é uma modalidade considerada ilegal porque só é vantajosa enquanto atrai novos investidores. Pelo modelo de gestão financeira, assim que os aplicadores param de entrar, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso. O golpe tem como marca registrada as promessas de retorno expressivo em pouco tempo.

Na BBom, as pessoas que se associavam ao negócio eram remuneradas a partir da indicação de novos participantes (divulgadores). No ato da vinculação, havia um pagamento de R$ 60 para o cadastro e adesão no valor no plano escolhido, que variava de R$ 600 a R$ 3 mil. A empre4sa se defende e afirma trabalhar com marketing multinível, e não pirâmide financeira.

Ação e devolução 

A situação da BBOm está cada vez mais complicada, já que a semana passada o MPF-GO e o MP-GO moveram um ação civil pública pedindo o fim da empresa e a reparação dos danos causados aos consumidores. Os órgãos informaram que pediram a relação de nomes, valores pagos e dados pessoais de todas as pessoas que adquiriram pacotes ou realizaram pagamentos para a aquisição de rastreadores. A condenação dos sócios da empresa também foi solicitada.