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“As administrações públicas federais têm deixado muito a desejar quando o assunto é turismo no Brasil”

13 de agosto de 2013

O ano de 2013 está sendo e promete ser um ano determinante para o setor de
turismo da Paraíba. Empresários do ramo se preparam para investir novos
empreendimentos com o incentivo do Polo Turístico e para melhorarem os
estabelecimentos para os grandes eventos que o Brasil irá receber. Este movimento
é visto de forma positiva pela
Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB), que tenta ampliar a
visibilidade do ‘Destino Paraíba’, junto a órgãos, como PBTur, Sebrae e Fecomércio.
“O atual momento da hotelaria paraibana é um momento de expansão, de
crescimento. O melhor termômetro é o fluxo de turistas para o destino, que vem
aumentando nos últimos anos”, avaliou o presidente da ABIH-PB, Inácio Junior.

Na
entrevista que segue, o gestor pontua dois momentos importantes: o
credenciamento da Fifa aos hotéis da Paraíba para receber turistas para a Copa
e o Polo Turístico do Cabo Branco que, junto com o Centro de Convenções, pode
ampliar a atividade no Estado. No local, segundo a ABIH-PB, os investimentos
devem variar de R$ 30 milhões a R$ 70 milhões, dependendo da estrutura de cada
hotel.

Com
sede em João Pessoa, a ABIH-PB conta com 150 associados espalhados pelo Estado e
espera, com o novo polo, mais um passo importante para que o Estado, finalmente,
possa avançar no segmento, como os vizinhos Rio Grande do Norte e Pernambuco. “O
setor da Paraíba mostra-se suficiente forte e se preparando para novos desafios”,
acredita.

O
Paraíba Total conversou com o
presidente da ABIH, que ainda ressaltou a falta de iniciativa pública no setor
e a alta carga tributária, que entrava o crescimento deste mercado.

O setor hoteleiro é um grande gerador de empregos. Como o
senhor avalia a sua importância na economia brasileira e paraibana?

Sem
dúvidas nenhuma, o setor de hotelaria é um grande empregador. Somos grandes prestadores
de serviço. Diante desta demanda que o país vem gerando com a realização de
grandes eventos, a hotelaria e o poder público vêm incentivando a realização de
cursos de capacitação da mão de obra. As pessoas querem ser bem atendidas. Hoje,
toda a sociedade tem noção do que o turismo, o setor de hotelaria representa
para a economia de um país. No caso da Paraíba, estamos vivendo um novo momento;
novos empreendimentos estão surgindo em João Pessoa, Costa do Conde e litoral
norte. O setor da Paraíba mostra-se suficiente forte e se preparando para novos
desafios.

Nesta semana, a Paraíba participa de um Roadshow no
Nordeste. Qual a importância dessa participação?

Este roadshow é resultado de
uma parceria com o Governo do Estado, Fecomércio e do Convention Bureau de João
Pessoa. Primeiro temos que destacar o compromisso dos hoteleiros paraibanos em
continuar a divulgar o destino como um todo. Nesta ação, iremos mostrar a nossa
infraestrutura hoteleira, nossas tarifas e belezas naturais. Não tenho dúvidas
de que iremos obter resultados positivos com esta divulgação. Vão participar os
seguintes hotéis: Ambassador, Hardman, Village Confort e Premiun, Slow Hostel, Ouro
Branco, Igatu, Cabo Branco Atlântico, Mussulo Resort, Quality Sol Mar, Ondas do
Atlântico, Blue Sunset, Green Sunset, Imperial Hotel, Tropical Tambaú, Pousada
Flat Jardins, Hotel Caiçara, Pousada do Caju, Hotel Netuanah, Nobille in e Pousada
Casa Branca.

Como a entidade avalia o Polo Turístico do Cabo Branco,
proposto pelo Governo do Estado?

A
diretoria da ABIH avalia como sendo muito positivo para todo o setor. É um
apoio que nós teremos no turismo como um todo. Também é importante lembrar que
o Centro de Convenções de João Pessoa, depois que for totalmente inaugurado,
vai implementar efetivamente o turismo de negócios em nossa Capital. Somos muito
procurados pelo turismo de lazer, por enquanto. A área onde será erguido o
complexo será dividido em 19 lotes, e cada um deles deve abrigar um empreendimento
diferente. Os investimentos devem variar de R$ 30 milhões a R$ 70 milhões,
dependendo da estrutura de cada hotel. A área recebeu investimentos públicos superiores a R$ 100 milhões nas construções das redes elétrica, de
água e vias de acesso.

Como está o atual momento da hotelaria paraibana? No que
avançamos nos últimos anos?

O
atual momento da hotelaria paraibana é um momento é de expansão, de
crescimento. O melhor termômetro é o fluxo de turistas para o destino, que vem
aumentando nos últimos anos. Em dez anos, foram inaugurados doze hotéis, o que
é muito bom. O número de meios de hospedagem quase que dobrou. Só no mês
passado, com o São João, dos quase20 mil leitos em
todo o Estado, um total de 69,64% estiveram ocupados. Em João Pessoa a taxa de
ocupação foi de 64,81% das unidades habitacionais, índice 3,88%  superior
ao mesmo mês do ano passado, e 5,57% acima da ocupação de maio deste ano.

O Ministério do Turismo diz que poderá criar uma comissão
permanente na Câmara para analisar projetos de lei específicos da área de
turismo. Até que ponto isto poderá ser benéfico para o setor hoteleiro do nosso
Estado? 

Eu
não acredito nisso! O Governo Federal promete, diz que vai fazer e nunca faz.
As administrações públicas têm deixado muito a desejar quando o assunto é turismo.

O senhor acredita que a hotelaria do Nordeste vai estar
devidamente preparada para receber os grandes eventos que o Brasil irá sediar
nos próximos anos?

Acredito.
Veja: durante a realização da Copa das Confederações, o setor de hotelaria não
registrou falta de leitos. Então, acredito que sim, a rede está preparada. Cinco
hotéis paraibanos estão credenciados pela FIFA para hospedar torcedores estrangeiros
durante a Copa de 2014. A
operadora Match, credenciada entidade internacional do futebol, enviou para os
gerentes dos hotéis Tropical Hotel Tambaú, Nobile INN Royal, Intercity Premium
João Pessoa, Ambassador Flat e Hotel Ouro Branco, uma placa reconhecendo os
meios de hospedagem como aptos a receber hospedes estrangeiros. Os contatos e
os contratos estão sendo efetivados e por isso o número de hotéis credenciados
pode aumentar. As negociações entre a entidade máxima do futebol mundial e a
rede hoteleira paraibana preveem que em 2014, sejam reservados até 70% dos
apartamentos para hospedes estrangeiros. O Ministério do Turismo prevê que
durante o período da Copa do Mundo de 2014, um total de até 600 mil turistas
estrangeiros circulem pelas cidades-sedes. João Pessoa vai ser beneficiada com
os visitantes que forem ao Recife e à Natal, duas cidades-sedes. Não temos um
número fechado, mas acredito que poderemos receber entre vinte a 40 mil
turistas durante os jogos.

Na opinião do senhor, quais os principais gargalos do
setor em nosso Estado?

O
maior gargalo do setor da hotelaria é a burocracia: alta carga de impostos, que
é absurda e nós precisamos de uma divulgação ainda maior em nível nacional. São
justamente nossas maiores reivindicações.