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“Quando alguém na Paraíba compra online hoje, ele não traz riqueza alguma para o Estado”

29 de julho de 2013

Com a proximidade do Dia dos Pais, no dia 11 de agosto, a Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC
Brasil) esperam que as vendas do comércio apresentem o pior resultado dos
últimos três anos, com alta máxima de 4%.  As duas entidades afirmam que a
baixa empregabilidade e a queda da renda real do consumidor devem ser as
grandes responsáveis pela desaceleração do setor.

Na Paraíba, a Câmara de Dirigentes
Lojistas (CDL) possui expectativas contrárias, com acréscimo nas vendas em
torno de 5%, em relação a 2012. “Sempre mantemos os olhares positivos, em
especial nas datas comemorativas. Acreditamos que vamos “bombar” no Dia dos
Pais, fazer um trabalho muito bom, e que vai ser um mês que irá gerar um
excelente resultado. Apesar das atuais medidas adotadas pelo governo para
conter as inflações, tais como o corte nos investimentos, que recebemos como
repressivas e que vão afetar o comércio, nós temos certeza que bateremos os 4%
de aumento que tivemos nesse período em 2012 e chegaremos aos 5%, que é nossa
meta”, garantiu Eronaldo de Vasconcelos Maia, presidente da CDL João Pessoa.

Empresário ligado a empreendimentos de sucesso, dentro e fora da
Paraíba, tais como Lojas Maia, Shopping Tambiá e no ramo da construção civil,
Eronaldo ocupa, desde 2011, a presidência da CDL da Capital. No cargo, ele
reúne esforços com outros representantes da categoria em prol do
desenvolvimento do comércio local. Em entrevista ao Paraíba Total, ele toca na polêmica da falta de incentivos dos
governos ao desenvolvimento comercial e na falta de regulação ao comércio
eletrônico.

De que forma o senhor avalia a
promoção “Descontão Premiado” que aconteceu entre os dias 9 e 13 de julho, que
promoveu descontos de até 70% e sorteio de 30 prêmios, entre eles um carro, no
comércio da Grande João Pessoa?

Essa promoção aconteceu há alguns
anos e depois parou. Ano passado, resolveu voltar a fazê-la, especificamente
nos últimos meses de 2012 e foi um sucesso. Este ano, optamos por desenvolver o
Descontão no mês de julho, que é uma época de baixa no comércio, que vinha
aquecido pelos meses de maio e junho, que possuem festividades e estendemos
para as cidades de Bayeux, Cabedelo, Conde e Caaporã. Além de alavancar as
vendas, está é uma maneira positiva de os lojistas colocarem fim aos seus
saldos de estoque, para adquirem, portanto, novos produtos visando a nova
estação que está por vir. Estima-se que durante o Descontão, atingimos um
incremento de 10% a 15% nas vendas das lojas credenciadas, sobretudo no
segmento de eletrodomésticos. Produzimos um milhão de cupons e movimentamos
aproximadamente R$ 25 milhões.

Com exceção do mês de julho, quando a ação do “Descontão Premiado”
surtiu efeitos positivos, qual época do ano que mais preocupa os comerciantes e
que pode vir a gerar outras ações como esta?

O comércio em geral vive de ciclos,
porque ele é constituído de inúmeros segmentos distintos. Enquanto para alguns
o início do ano é complicado, para outros ele é extremamente satisfatório. Mas
sem dúvida o mês de fevereiro preocupa os comerciantes, com exceção das redes
de livraria, papelaria e materiais escolares em geral. Ele é um mês mais curto
e onde os consumidores ainda estão receosos de ir a compras por estarem ainda
finalizando os parcelamentos dos impostos com o governo.

Qual a expectativa da CDL para o Dia
dos Pais que se aproxima? As vendas devem ficar abaixo do esperado como pregam
alguns economistas e mesmo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas
(CNDL)?

Sempre olhamos para essas datas
comemorativas de forma muito positiva. O empresário não pode olhar
negativamente. No Dia dos Pais vamos “bombar”, vamos fazer um trabalho muito
bom e estamos confiantes que será um mês que vai trazer um bom resultado, a
todos. Temos consciência de que há um risco em virtude de algumas incertezas
próprias do mercado financeiro. Ficamos preocupados com algumas medidas que o
governo esta tomando para conter a inflação, como a elevação de algumas
tributações, que sabemos serem repressivas e que vão afetar o comercio. Apesar
de tudo isso, estamos trabalhando firme para alcançar nossa meta de crescimento
em 5% este ano em relação a 2012, quando tivemos um crescimento na venda em
decorrência do Dia dos Pais de 4%.

A Câmara de Dirigentes Lojistas
existe já há 47 anos. Como é a CDL-JP atual?

A CDL é uma associação que representa todos os lojistas, é uma câmara
onde trabalhamos especificamente para o comercio varejista e incorporando
também, nos últimos anos, o setor de serviços. Concebida em 12 de fevereiro de
1966, continuamos com o intuito de congregar esforços em defesa dos interesses
da classe comerciante da capital e desde então estamos cumprindo este
compromisso. A CDL foi fundada pelo comendador Antônio Dutra Sobrinho, e presta
assistência e fomenta medidas que ajudam a desenvolver a atividade do varejo em
João Pessoa. Dentre as ofertas da CDL estão consultas ao Serviço de Proteção ao
Crédito (SPC Brasil). O SPC consiste no maior banco de dados da América Latina
com informações sobre o comportamento crédito de pessoas físicas e jurídicas. O
acesso a esse sistema é uma exclusividade das Câmaras de Dirigentes Lojistas. A
CDL-JP chega atende a uma média de 8 mil pessoas ao mês com este serviço. A
entidade tem mantém cerca de 700 empresas em seu quadro de associados. A CDL
também é a instituição à frente de eventos voltados para a categoria
empresarial e também é responsável por promoções de aquecimento do comércio,
com um histórico de sucesso com as edições passadas da “Liquida João
Pessoa”, “Natal Surpresa em Toda João Pessoa” e, mais recentemente, o
“Descontão Premiado”.

Como o senhor analisa o comércio da
Paraíba em relação aos demais estados do País?

O comércio na Paraíba é crescente e
vem se acelerando nos últimos três anos. Isso se deve muito a investimentos
realizados pelos governos Estadual e Federal na Paraíba como um todo e que
acaba gerando riquezas e circulando no comércio. Especificamente ao comércio
podemos destacar a construção do Centro de Convenções, que é mais um passo
positivo rumo ao crescimento uma vez que com ele teremos condições de realizar grandes
encontros comerciais. Nossa expectativa para os próximos anos é que o
crescimento se mantenha nesse mesmo ritmo e tenhamos inclusive um upgrade, com
o plano do Seixas e Penha. Assim, proprietários de terrenos que estavam ociosos
terão um prazo para construir ou repassar para quem quiser investir. E onde há
mercado, há comércio e desenvolvimento. Comparando com nossos vizinhos
Pernambuco, que está crescendo consideravelmente graças a indústria e
instalação de empresas que vem do Sul para escoar sua produção via Suape e ao
Rio Grande do Norte que tem o privilégio de ter petróleo e um turismo
consolidado, nosso desenvolvimento não é tão expressivo. Mas a Paraíba tem seu
espaço e tudo depende do governo. Quando o governo declina seus investimentos
para o turismo, por exemplo, automaticamente ele tem resposta imediata porque
potencial para crescer, nós temos.

A CDL vê o turismo como um setor
importante para o desenvolvimento comercial do Estado?

O turismo é extremamente importante.
Na Paraíba ainda não temos um parque industrial que tenha evoluído de
maneira significativa. Temos a expectativa com a montadora da Fiat, em Goiana,
Pernambuco, que muitas outras indústrias busquem se instalar aqui no
Estado. No entanto, o turismo realmente tem todos os requisitos positivos para
desenvolver e crescer no Estado. Apesar de estamos localizados entre dois
importantes estados, que é Pernambuco e Rio Grande do Norte, somos uma Capital
muito agradável, muito bonita, que possui muito verde e ainda é uma cidade
tranquila. No turismo as relações comerciais se dão quase que exclusivamente a
vista. A geração de emprego é bastante grande e essa renda é transferida para o
comércio de forma imediata.

Caiu a inadimplência dos consumidores
paraibanos?

Essa relação de inadimplência varia
muito de mês para mês. Ela é bastante cíclica. Mas temos notado uma mudança
positiva no comportamento dos consumidores, quando mais deles estão usando o
13º salário para sanar as dívidas ao mesmo tempo em que está mais consciente de
suas obrigações. Claro que ainda existem muitos com algum grau de descontrole,
mas isto está mudando. De acordo com dados do Sistema de Proteção ao Crédito da
Capital (SPC), de janeiro a junho deste ano foram inseridos nos registros de
inadimplentes 15.108 pessoas. No mesmo período do ano passado, o valor
registrado era de 15.300. Embora pouca, houve uma redução de 1,27%.

Como o senhor analisa o perfil do consumidor atual com relação aos
compradores de 10 anos atrás?

Em uma década, muita coisa mudou e
atribuo isso a Lei do Consumidor. Ela gerou mudanças a partir das indústrias
que passaram a ter a obrigação de produzir produtos com mais qualidades.
Com acesso a informação, os consumidores passaram a ser mais exigentes, muito
mais conscientes. Atualmente a comunicação é muito rápida. Até na menor
cidade do Estado há internet, e eles sabem dos seus direitos. Até mesmo o
sertanejo que acompanha as notícias pela rádio, tem acesso aos seus direitos do
mesmo modo que qualquer outro e os cobra quando nota que está sendo enganado.
Essa é uma mudança importantíssima e muito positiva.

Como a CDL lida com o comércio
eletrônico, que é uma modelo de negócios que cresce exponencialmente a cada
ano?

O problema do comércio eletrônico
está na ausência de uma regulamentação eficiente que garantisse condições de
igualdade e competitividade com o comércio local. Quando alguém na Paraíba
compra online hoje, ele não traz riqueza alguma para o Estado. A Paraíba, na
verdade está deixando de arrecadar ICMS, deixando de gerar emprego em lojas e
que certamente cresceria o comércio local. Não estou dizendo que o consumidor
não tem o direito de comprar de casa, pela internet, mas deixe que isso seja
normatizado, realizado de maneira legal gerando impostos. O problema que as
empresas paraibanas enfrentam para se inserirem no comércio eletrônico é a
origem dos produtos a serem vendidos. Até o polo calçadista daqui é pequeno, tanto
que muitos produtos comercializados aqui vem do Sul. Para que o comércio na
Paraíba passasse a vender para pessoas de outros estados seria necessário termos uma indústria mais forte, que nos oferecesse um leque de produtos em estoque que
pudesse garantir o desenvolvimento das lojas virtuais, o que é muito comum em
São Paulo, mas não aqui. A realidade do comércio hoje é que o lojista tem
impostos a pagar já a partir da fábrica para ter o produto disponível em
estoque, além de dispor de ponto comercial, seja ele alugado ou em prédio
adquirido, precisa ter vendedores, administradores, contadores, todos
formalizados. Nada disso é real em uma empresa online. Os custos deles são
consideravelmente menores, com isso os preços são baixos e atrativos.

O comércio dispõe de incentivos públicos para seu desenvolvimento?

Não vejo incentivo nenhum para o
comércio, com exceção das micro empresas que dispõem de uma legislação
específica e bastante positiva, no entanto,  para o comércio varejista não
existe uma política pública de incentivo. O auxilio poderia vir com o equilíbrio
na arrecadação de impostos nas vendas online, na facilidade em conceder benefícios
em encargos tributários como os que são dados para as indústrias e que nunca
são ofertados ao comércio, por exemplo.

Nos últimos anos a Paraíba tem sido
invadida por franquias que há anos faziam sucesso nas regiões sul e sudeste no
país e que agora investem nas mais diversas regiões do Estado. Como o senhor
analisa o crescimento desse setor na Paraíba?

As franquias são segmentos
formatados, já montados e que não requerem talento. Com acompanhamento correto
e pesquisas extensas elas notaram que é lucrativo buscar empreendedores aqui na
Paraíba. Temos o que é mais importante para um negócio dar certo: mercado consumidor.O crescimento na
quantidade de franqueados no Estado é visto pela CDL como extremamente positivo
porque acrescenta ao comércio, gera renda, gera empregos, gera impostos. No fim
das contas é uma empresa a mais, mais um segmento a ser trabalhado. O mercado
consumidor paraibano é o responsável por essa atração. Nossa população com 700
milhões de pessoas, apenas em João Pessoa é sem dúvida um atrativo
considerável. Nossa mão de obra possui os mesmos custos do restante do Nordeste, e
a diferença fica a cargo da captação de cada um, nas especialidades dos funcionários
contratados. O comércio daqui é um comércio crescente, está competindo com todo
o Brasil em termos de preço e qualidade e, mesmo com as dificuldades, se mantém
firme.