“Precisamos simplificar os impostos, as leis e tudo que burocratize as empresas do nosso país”
8 de julho de 2013
Fundada em 1998, a
Qualitech comemora atualmente o posto de líder de mercado em produtos de
informática na Paraíba. O que começou de uma iniciativa dos sócios Elton e
Andrea Oliveira – ele, formando do curso de Ciências da Computação na UFPB e
então funcionário da Caixa Econômica Federal e ela, formada em Contabilidade –
hoje se concretiza como um grupo que detém três lojas, uma assistência técnica
e uma indústria e distribuidora de produtos importados.
A demanda do
consumidor por tecnologias tem contribuído para o crescimento da Qualitech e também
para todo o setor no Estado – não apenas a busca pelas novidades eletrônicas,
mas também por mecanismos que ampliem as relações na web. Para Qualitech neste
ponto, a Paraíba tem caminhado junto com os demais mercados nacionais e
acompanhado este desenvolvimento – uma expansão, contudo, que esbarra nos
entraves econômicos proporcionados pela legislação brasileira. Segundo ele, a carga
tributária, que é a maior do mundo, traz uma ineficiência descomunal na
economia. “As empresas perdem cerca de 40% do seu tempo calculando, gerando
relatórios e documentos fiscais para abastecer uma burocracia que beira a
loucura”, lamenta o diretor.
Em entrevista ao Paraíba Total, Elton Oliveira ainda
elenca gargalos diários, como mão de obra e logística brasileira, e joga luz
sobre problemas comuns não apenas aos empresários do setor de informática, mas de
todo o empresariado brasileiro, que convive com uma legislação trabalhista
ultrapassada e com poucos incentivos governamentais para o desenvolvimento.
A Qualitech completa 15 anos. Como é a Qualitech atual?
Hoje o Grupo Qualitech
conta com três lojas, (Manaíra Shopping, Tambiá Shopping e Epitácio Pessoa),
uma assistência técnica especializada localizada na Epitácio Pessoa, e ainda
conta com a Andel Tecnologia, uma indústria e distribuidora e importadora de
produtos de informática, que produz computadores com ISO 9001 e baseados no PPB
(processo produtivo básico) que conta com o incentivo do Governo Federal. A
Andel Tecnologia tem o foco exclusivo no atendimento a empresas, com um
atendimento especializado de vendedores corporativos.
Na opinião do senhor, qual o grande diferencial que fez
com que a Qualitech tenha conquistado a liderança no mercado em João Pessoa? A
que o senhor atribui?
Acreditamos
principalmente que o nosso foco sempre tem que estar na solução dos problemas
do cliente. Quando o cliente tem um problema, na nossa empresa ele tem
prioridade, e se ele procura o fabricante e esse não resolve, sempre achamos
uma solução. Conquistamos a confiança do público, pois nunca deixamos de
resolver qualquer demanda. Isso é uma regra que todos absorvem quando entram na
empresa. Um outro fator importante é a variedade de produtos. Temos em nossas
lojas desde canetas até Plotters de mais de R$ 15 mil. Focamos em ter os
melhores produtos, mais atualizados, maior variedade, mesmo que para isso
tenhamos que importa-los, caso não sejam produzidos no Brasil.
De que forma a Qualitech dialoga com o público consumidor?
Nos relacionamos
principalmente através de comerciais, folders, redes sociais, email marketing,
pelo site, telefone, enfim colocamos toda a empresa focada em atender e
responder rapidamente a qualquer solicitação de um cliente.
A Qualitech tem algum programa social, ambiental ou
educacional? Como e quando é realizado?
A Qualitech
desenvolve um programa ambiental, voltado para a preocupação com o descarte
correto do lixo eletrônico. Com o objetivo de oferecer locais acessíveis de
descarte e despertar a preocupação pelo meio ambiente, oferecemos, desde o ano
passado, pontos de coleta de lixo eletrônico em todas as lojas. Realizamos,
além do recolhimento constante do lixo eletrônico, ações pontuais nas lojas
onde os clientes recebem descontos especiais na doação de seus resíduos,
incentivando ainda mais o descarte correto.
Nosso intuito com este trabalho é ajudar a população a conscientizar-se
da importância deste tipo de reciclagem, e despertar maior preocupação com o
meio ambiente.
Quais os projetos futuros da Qualitech? Expansão, novas
unidades, mais contratações?
Temos projetos sim
para expansão para Joao Pessoa e para outras cidades e planejamos contratar
mais funcionários. As novidades previstas são principalmente na área de games e
consoles e também de smarphones, e na integração desses equipamentos dentro de
uma rede digital em nossas casas.
O senhor viaja bastante e está sempre em contato com
outros mercados, fazendo negócios dentro e fora do país. Como o senhor avalia o
segmento das lojas de informática e de assistência em João Pessoa?
Hoje a cidade de João
Pessoa, conta com empresas que tem excelentes produtos, que não ficam a dever
em relação a outras cidades. As nossas empresas, por exemplo, vendem para
outros Estados do País, justamente porque contamos com uma enorme variedade de
produtos, e como temos sempre o contato com empresas e fornecedores do
exterior, trazemos para o mercado paraibano produtos que são lançamentos, que
muitas vezes não encontramos em outras cidades. É muito importante para o
mercado local ter uma empresa que tenha esse tipo de contato no exterior, para
que o mercado saiba o que está sendo lançado mundialmente.
Hoje a tecnologia move o mundo – tablets estão sendo
usados em sala de aula, manifestações são organizadas pelas redes sociais, cada
dia uma novidade no universo da informática. Na sua avaliação, de que forma
essa transformação impacta a sociedade e quais as tendências do futuro?
Hoje a informação é
muito mais democrática, você tem acesso a tudo em qualquer hora e local. É
muito bom para a sociedade que pode participar de tudo que acontece no
mundo. Governos ditatoriais foram
derrubados devido à mobilização popular e isso ocorreu através das redes
sociais, o acesso as informações de forma imediata e sua comunicação com
milhares de pessoas ao mesmo tempo tem um poder de derrubar governos, mudar
leis ou seja, mudar os países. A
tendência para o futuro é cada vez mais ficarmos integrados com as redes
sociais, os equipamentos integrados com a internet. Hoje seu carro já pode ser
ligado pela internet, você ter acesso a eletrodomésticos na sua casa e você
pode controla-los. Uma outra tendência é
na economia de recursos da natureza, equipamentos cada vez mais econômicos,
gastando o mínimo de energia para que tenhamos uma sociedade mais sustentável.
Em relação ao mercado de trabalho, o senhor acredita que
a mão-de-obra especializada é um gargalo para o setor?
A falta de mão de
obra especializada é um gargalo para todos os setores da economia. Para atender
aos clientes e realmente solucionar os seus problemas, necessitamos de
profissionais que conheçam os produtos e qual a sua aplicação para resolver o
problema do cliente. Temos o foco total no cliente, então tentamos não somente
vender um produto, mas solucionar o problema do cliente. Em alguns casos, a
solução não é somente vender um produto, mas alterar a configuração atual
produto do cliente, ou instalar um aplicativo que o ajude na sua solução. Para
que possamos fazer isso, temos que contar com profissionais que tenham
conhecimento e experiência suficientes para ajudar ao cliente, com o intuito de
resolver o seu problema, ou mesmo indicar uma solução para um problema que às
vezes o cliente nem sabe que tem. Mas como é isso? Indicar uma solução para um
problema que o cliente não sabe que tem? Somente vou citar um exemplo: Hoje se
fala em armazenamento nas nuvens e computação nas nuvens, e que tal você ter
uma nuvem privada dentro da sua própria casa? Que você coloque seus arquivos
compartilhados com toda a família e até externamente, mas com espaço muito
maior de armazenamento? Isso é possível hoje? Claro, através de roteadores que compartilham
discos externos de armazenamento tanto na sua rede doméstica como com usuários
externos. Você liga o disco em um roteador, e ele faz o trabalho de um disco
que todos em casa podem acessar e guardar seus dados. Estamos, assim,
solucionando um problema que talvez você nem saiba que tem. Ou também quando
indicamos um smartphone, que é capaz de você editar um documento e assina-lo na
sua tela e envia-lo via email. Isso é
interessante para um empresário ou advogado. Para tudo isso, precisamos de mão
de obra especializada que conheçam os produtos e as necessidades dos
clientes.
Como a Qualitech tenta solucionar esse problema?
Tentamos solucionar a
falta de mão de obra treinando constantemente os colaboradores, através dos
treinamentos dos fabricantes, e mesmo de colaboradores internos que disseminam
o conhecimento na equipe. Montamos na empresa um centro de treinamentos,
justamente para facilitar o acesso e o conhecimento dos nossos colaboradores.
Quais outros gargalos, de um modo geral, o senhor
elencaria no setor?
Falar dos gargalos de
um modo geral é falar dos gargalos que temos no Brasil como um todo. Como
empresário, é importante informar o que passamos nas empresas, pois quanto mais
conhecimento temos, mais saberemos o porquê de os produtos serem tão caros no
Brasil, para que possamos cobrar de
nossos legisladores e governantes as melhorias desses gargalos que atormentam
as empresas e também os cidadãos. Nossa legislação tributária é a maior do
mundo e traz uma ineficiência descomunal em nossa economia. As empresas perdem
cerca de 40% do seu tempo calculando, gerando relatórios e documentos fiscais
para abastecer uma burocracia que beira a loucura. Além disso, cria ainda mais
normativos para o arquivo por 10 ou 30 anos para que o Estado possa fiscalizar
as empresas. Além de perdermos o tempo gerando tais informações, temos que
ocupar espaço muitas vezes caríssimo, para guardar papéis por anos que, em 95%
dos casos, ninguém nunca solicita. Tive uma reunião com um contador americano e
fiquei espantado com a facilidade de abertura de uma empresa e apuração de
impostos nos EUA. Leva cerca de uma hora para você abrir uma empresa, e não
precisa sair da sala do contador para isso. Ele lhe cadastra em todos os
setores do governo para que você possa gerar riqueza para o País. E a apuração
dos impostos? Isso é um sonho: em uma
hora o contador apura os impostos a serem pagos pela empresa. Tudo muito
simples, fácil, rápido. Então, o governo americano tem recursos para aplicar em
saúde, educação, segurança e na melhoria da condição da população. Gastamos o
dinheiro do país em burocracia, em ineficiência, devemos gastar o dinheiro dos
impostos em ações que tragam benefícios a população. Um outro custo que se
esconde na complexa carga tributária brasileira é que precisamos cada vez mais
nas empresas e no próprio governo de verdadeiros experts em legislação e isso
não sai barato, nem para as empresas e muito menos para o governo. Outro dado
importante e alarmante é que o governo brasileiro transfere as empresas e
instituições um outro custo adicional: implantar nos sistemas de gestão e
controle das empresas, rotinas e arquivos para alimentar a máquina de
fiscalização e arrecadação. Os chamados SPEDs nas empresas. Isso virou um
verdadeiro terror. As multas pela não geração desses arquivos fiscais são
altíssimas. As empresas de softwares comerciais no Brasil trabalham há mais de três
anos, somente nessas rotinas, para alimentar os sistemas do governo. Em todas
as reuniões de empresários é impossível que em 50% do tempo não se fale de
impostos. E você sabe quem paga essa conta? A nossa economia! Bilhões de reais
são gastos em esforço que não vão trazer nenhuma melhoria para os serviços
públicos ou facilidades para o cidadão. É máquina administrativa governamental
sugando recursos preciosos do nosso país. Precisamos simplificar os impostos,
as leis e tudo que burocratize demais os setores do nosso país. E esse custo é todo “escondido” debaixo do
tapete da burocracia brasileira.
Além dos impostos altos, como senhor avalia a legislação
trabalhista?
Nossa legislação
trabalhista é antiga e defasada, ela vem dos anos 40, onde não tínhamos as
atuais relações de trabalho, onde você pode acessar seu email corporativo e o
sistema da sua empresa da sua própria casa. A tecnologia trouxe mudanças, e
nossos legisladores, para não causar um desgaste político, não defendem e não
tentam mudar a legislação trabalhista no Brasil. Muitas indústrias e empresas
de outros países já deixaram de investir no Brasil ou fecharam as suas portas
devido a legislação trabalhista e tributária. Hoje a legislação trata os
trabalhadores como se fossem analfabetos e incapazes, que não conseguem ler e
precisam o tempo todo de que o Estado seja seu curador na relação de trabalho.
Essa legislação antiga e desatualizada traz uma gama tão grande de problemas,
que o cidadão não tem a ideia do mal que faz ao país. Precisamos de uma
estrutura gigantesca para fiscalizar e aplicar tais leis, tanto na fiscalização
das empresas como nos Tribunais do Trabalho. Como a legislação é atrasada,
acabam os Tribunais do Trabalho criando mais normativos chamados súmulas, que
aumentam ainda mais a quantidade de normas a que as empresas e cidadãos são
submetidos. Veja bem, não sou contra os direitos trabalhistas e as conquistas
dos trabalhadores, mas acredito que possamos flexibilizar os contratos de
trabalho, para que seja um acordo entre as partes, e possamos deixar as
empresas investirem no país, gerar empregos e renda. E com isso o governo
direciona o seu esforço setores que necessitam mais da gestão governamental.
A logística brasileira para os produtos estrangeiros é
eficiente ou também entrava o setor?
Sobre a logística
brasileira, nossas estradas são péssimas, ferrovias sucateadas, não existe
transporte marítimo e temos um litoral imenso. Além de tudo isso, a burocracia
impede que caminhões atravessem o país rapidamente, passam dias nos postos
fiscais de fronteiras, gerando um custo enorme a todos os brasileiros. Todos
nós pagamos essa conta sem saber, o brasileiro não sabe para onde vai a riqueza
desse pais, e digo que grande parte é
gasta na burocracia e ineficiência.É incrível que uma compra no exterior do país nos EUA (Flórida) chegue ao Brasil em sete dias através de um navio e leve 15 dias para ser liberada no porto, onde precisamos somente apresentar documentos e pagar os impostos. Nos EUA são somente 6 horas para liberar uma importação. Hoje uma compra dentro do país (de São Paulo a Joao Pessoa) leva 20 dias para chegar. Isso não é somente o trajeto que é péssimo, concordo, é a perda de tempo enorme em postos fiscais de Estados onde sequer a mercadoria vai ficar. Os caminhões passam horas nos postos fiscais somente para carimbar as notas, isso gera uma ineficiência muito grande da nossa logistica.Tal situação é
inconcebível. Isso corrói a economia, e
o capital de giro das empresas. Conheço empresas nos EUA que não tem estoque,
trabalham praticamente com venda sob demanda, com estoque zero. Compram o que
vendem, pois a logística é feita por empresas eficientes que tem data e hora
pra chegar. Chega-se a ponto de comprar às 17h do dia e às 9h da manha do outro
dia, chega uma empresa de entrega com a sua compra. Infelizmente aqui temos um
monopólio estatal para a entrega de correspondências no país. Um grande filão
nas entregas de pacotes e encomendas é entregar também correspondências, e no
Brasil se uma entrega correspondências comete um Crime Federal! Tudo isso vai
mais como um desabafo, pois se a presidente não sabe onde estão os problemas do
país, alguns dos piores estão ai em cima. Infelizmente o Brasil perdeu muito
tempo sem fazer o “dever de casa”, ou seja, sem fazer as reformas necessárias
para o crescimento sustentado no país. Continuamos na ineficiência, na
burocracia sem atender aos anseios da população.