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Paraíba registra pior número de exportações no mês de julho

21 de agosto de 2012

 -exportação 

Após o primeiro semestre fechar com alta de 38%, as exportações paraibanas registraram em julho o pior mês do ano. As vendas recuaram 5,04% para o comércio exterior por parte das empresas atuantes na Paraíba. O índice, calculado com base no que foi vendido no mercado externo em julho da ano passado, mostrou que o último mês foi responsável por US$ 11,935 milhões em vendas, enquanto o mesmo mês do ano passado somou US$ 12,569 milhões.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que trouxe um panorama das vendas no mercado externo nos primeiros sete meses do ano em cada estado brasileiro. A redução na Paraíba também pôde ser constatada na comparação de junho a julho, que registrou uma queda de 11,13% nas vendas externas. No primeiro semestre deste ano, o mês mais fraco havia sido até então abril (US$ 12,4 milhões), enquanto o pico ficou com fevereiro (US$ 34,289 milhões).
A coordenadora do Centro Internacional de Negócio (CIN), Letícia Gadelha, afirma ser difícil definir as causas para a redução, uma vez que não há uma constante nos setores que venderam menos no último mês. “É difícil definir uma causa, isso varia de empresa para empresa. Algumas podem estar investindo mais no mercado interno ou pode ter havido uma baixa na produção. Há uma série de fatores que podem provocar isso”, explicou.
Apesar disso, a coordenadora acredita que a crise europeia pode ter tido um papel importante na diminuição da compra de produtos brasileiros pelos outros países. “Nos últimos tempos, o Brasil vem apresentando um crescimento considerável em sua economia, enquanto os EUA e a Europa, que são grandes compradores nossos, estão enfrentando sérios problemas por causa da crise, o que dificulta nossas exportações. Como o mercado interno está aquecido, as empresas estão investindo mais no país atualmente”, diz.
Ainda de acordo com o Mdic, o número de importações da Paraíba no último mês foi cinco vezes maior do que as exportações, ainda que tenha sofrido uma queda de 21,32% sobre julho do ano passado. “Houve uma valorização do dólar frente ao real, o que provoca um encarecimento nos produtos que vêm de fora e fortalece o mercado local. Esse fator deve ter ajudado no incremento das exportações no acumulado do ano e na diminuição das importações, ainda que elas estejam num patamar bem superior se comparado ao que vendemos para fora”, comentou Letícia.
A Paraíba fechou o último mês com US$ 56,841 milhões em importações. Segundo o Mdic, o saldo da balança comercial do Estado (diferença entre o número de exportações e de importações) é deficitário em US$ 216,739 milhões, sendo inferior ao do ano passado em 50,04%, quando as importações bateram recorde histórico no Estado.
Acumulado do ano
Já no acumulado de janeiro a julho deste ano permanece positivo na Paraíba (36,93%) sobre o mesmo período de 2011. Nos primeiros sete meses, o Estado somou US$ 136,6 milhões ante os US$ 99,832 milhões do ano passado. As importações acumulam no ano um total de US$ 353,4 milhões.
Duas empresas concentram 81% das exportações
O levantamento do Mdic demonstrou que duas grandes empresas no Estado foram as principais responsáveis pelas vendas realizadas no exterior em julho. Só a Alpargatas e a Millennium Chemicals concentraram mais de 81% das vendas internacionais no último mês, somaram US$ 7,2 milhões e US$ 2,4 milhões, respectivamente.
O gerente-geral da Millennium Chemicals, Geraldo Morais, afirma que a alta entre os dois anos se deu devido aos excedentes produzidos na Paraíba. “Nossos produtos são mais focados no mercado interno, mas o que não é absorvido é exportado, na maioria das vezes, para a França. O que aconteceu dessa vez foi que a fábrica da Bahia, que recebe um produto em especial utilizado como matéria-prima para fazer tinta, consumiu menos”, afirmou.
De junho a julho, a empresa subiu da quinta para a terceira colocação no ranking das empresas que mais exportam no Estado. “A Paraíba ainda tem uma participação bem discreta no número de exportações do país e, além disso, são as grandes empresas que concentram a maior parte das vendas. É por isso que o CNI trabalha estimulando as pequenas empresas, uma vez que as exportações permitem uma diversificação de mercados e fazem a marca crescer”, finalizou Letícia Gadelha.