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Justiça aprova plano da Energisa para compra do Rede por R$ 3 bilhões

10 de setembro de 2013

Foi aprovada na segunda-feira (9), pelo juiz da 2ª Vara de Falências de São Paulo, onde tramitava o processo de recuperação judicial das cinco holdings do grupo paulista Rede, o plano de aquisição proposto pela Energisa, controlada pela família Botelho, de Minas Gerais. Segundo noticiado pelo jornal Valor Econômico, a proposta depende agora do sinal verde da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que há um ano administra as oito distribuidoras do grupo Rede, além do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O principal obstáculo, a aprovação do plano de recuperação pela Justiça, foi superado, após dois meses de impasse. Os credores do grupo Rede votaram o plano proposto pela Energisa em assembleia realizada no início de julho, mas o resultado da votação continuava em aberto. Uma parte dos credores, que era contrário à oferta, questionava o voto do FI-FGTS, que votou a favor da Energisa. A decisão final coube ao juiz.

A operação vai custar à Energisa cerca de R$ 3 bilhões. A empresa se comprometeu a pagar R$ 1,9 bilhão aos credores e a investir mais R$ 1,1 bilhão nas oito distribuidoras. Jorge Queiroz, herdeiro e dono do grupo Rede, receberá o valor simbólico de R$ 1.

Com a aquisição, a Energisa sobe, de uma só vez, vários degraus entre os maiores grupos do setor elétrico brasileiro. Em ativos, o grupo salta de R$ 5 bilhões para R$ 13,6 bilhões. Em receita líquida anual, a companhia sai de R$ 2,9 bilhões para R$ 8,2 bilhões.

Em entrevista, Ricardo e Mauricio, herdeiros e principais executivos da Energisa, afirmaram que a aquisição do Rede é uma oportunidade rara. “Trata-se de uma situação única para o grupo”, disse Ricardo. Fundado há 108 anos, a Energisa originou-se da Companhia de Força e Luz Cataguazes-Leopoldina.

O próximo passo da Energisa será a apresentação de um plano de recuperação das oito distribuidoras para a Aneel, que deve ser entregue até o fim deste mês. A empresa também terá de captar recursos para bancar a aquisição. “Já temos asseguradas linhas de crédito e temos uma estrutura financeira montada [para financiar a aquisição]”, disse Maurício.

A empresa não terá de desembolsar todos os R$ 3 bilhões previstos na operação imediatamente. Quanto aos credores do Rede, explicou Ricardo, eles ainda vão escolher, nos próximo 60 dias, entre as três alternativas apresentadas para quitação dos empréstimos. E eles podem optar pelo prazo mais longo. Desta forma, a necessidade de caixa será menor.

As cinco holdings de Queiroz acumulam dívidas de R$ 3,4 bilhões, segundo um levantamento feito pela consultoria Apsis. O grupo deixa, portanto, um calote de, pelo menos, R$ 1,5 bilhão, considerado um dos maiores do País.

Quanto ao plano que será apresentado para a Aneel, Ricardo afirma que existem 60 pessoas trabalhando neste momento em um diagnóstico. “Temos certeza que o plano irá satisfazer os reguladores”. Segundo Thomas Felsberg, advogado do grupo Rede, todas as indicações levam a crer que a Aneel aprovará a transferência do controle para a Energisa. “Sentimos que há um apoio generalizado”, disse.

A Energisa possui duas distribuidoras na Paraíba, Energisa Paraíba e Energisa Borborema, e outras três em Minas Gerais, Nova Friburgo (RJ) e Sergipe. O Rede está presente no interior de São Paulo e Paraná e havia se expandido para o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.