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Designer paraibano é selecionado em concurso nacional de joias

30 de julho de 2012

-victor hugo ...

Joias com traços orgânicos e geométricos, design inovador e diferenciado. Estas são as peças do designer paraibano Victor Hugo Falcão, de 25 anos, que pela segunda vez concorre no AngloGold Ashanti AuDITIONS Brasil 2012, maior concurso de design de joias do país. Dos 1.386 inscritos de todo o País, apenas 18 foram selecionados e Victor foi o único paraibano. A principal inspiração do recém-formado em Design de Produtos para criar suas peças é o seu amor pela Paraíba que, segundo ele, possui riquezas e enorme potencial no mercado das joias, principalmente por possuir mais de 30 espécies de gemas, dentre elas a turmalina paraibana.
A história de Victor como o designer de joias começou em 2006 quando fez um curso de joalheria em Brasília. Quando a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) abriu a graduação em Design de Produtos, no Campus de Rio Tinto, ele viu a oportunidade de ampliar seus conhecimentos na área. “Eu sempre gostei de joias e fiz meu curso voltado na área. Durante a graduação ganhei dois concursos nacionais, um foi do Sebrae Minas, no qual me inscrevi com um brinco usando peças recicladas de computador; e há dois anos ganhei o AngloGold”, contou.
Este ano, Victor mudou de categoria no concurso AngloGold e irá disputar o prêmio entre profissionais do ramo. Ele disse que foi uma surpresa muito grande ficar entre os 18 finalistas, até porque ele estava concorrendo com pessoas que estão há mais tempo no mercado. A inspiração da peça, chamada Jazida, foi a riqueza das pedras paraibanas, com suas formas e como elas refratem a luz. “Eu estou muito confiante porque dessa vez estou sendo patrocinado por uma empresa de São Paulo que irá fazer a minha peça selecionada. Da outra vez que concorri não tive esse apoio e não pude acompanhar o processo de criação da peça, que acabou ganhando. Eu acredito que dessa vez será bem promissor”, afirmou.
Além do concurso, Victor está desenvolvendo uma coleção inspirada nas belezas da Paraíba, usando as mais de 30 espécies de gemas que podem ser encontradas nas jazidas no interior do Estado. “A coleção está quase finalizada, mas ainda está no ‘papel’. É que ela faz parte de um projeto para expor as belezas das pedras e o design paraibano e mostrar a potencialidade da Paraíba, que aqui tem muito talento e riqueza”, relatou. O seu projeto para o futuro é lançar seu site, mostrando todo o seu talento.
O talento do jovem designer pôde ser visto na última edição do Miss Paraíba. A coroa usada pela escolhida para representar o Estado no concurso nacional foi feita por Victor, que se inspirou na dualidade do fogo e da água, dois elementos presentes na vida do paraibano. “Para fazer a coroa me inspirei no barroco rococó, bastante presente na arquitetura e arte colonial do Estado. Os traços da peça têm uma aparência de fogo e água, elementos presentes na vida do paraibano. O povo aqui é caloroso e o clima é quente, mas também temos muita água”, descreveu.
Mercado
Apesar de ganhar concursos nacionais e ser finalista em mais um, Victor Hugo contou que o mercado local ainda é muito fraco e não há incentivo para promover os talentos paraibanos. Segundo ele, as pessoas não estão interessadas em peças feitas por designers locais, mas de cópias de marcas já conhecidas. Além disso, Victor acredita que ainda faltam políticas públicas para estruturar a cadeia produtiva das pedras paraibanas.
“A Paraíba tem muito potencial no ramo das joias e estão sendo criados pólos de design com os cursos na UFPB e na UFCG, além de termos uma riqueza de materiais naturais e as mais de 30 espécies de gemas, que muita gente não sabe que vêm daqui. O papel do designer é mostrar todo esse potencial e fazer com que o mercado exista no Estado”, observou.
Sob medida
As peças de Victor Hugo são todas feitas sob medida de acordo com a escolha do cliente. Ele explicou que, a partir de um conceito, ele cria todo o design da joia. “No caso de um casal que quer uma aliança, por exemplo, eu escuto o que eles querem, conheço sua história e a partir disso faço o projeto no computador. Depois de aprovado que a peça é feita. Cada joia para por esse processo e sempre faço estudos para ver como ela ficou, se ela pode se feita. Muita gente acha que basta ter a inspiração para a peça surgir, mas precisa de muitos estudos e testes. Na peça selecionada no AngloGold, por exemplo, eu fiz um estudo da refração da luz sobre ela e dos ângulos”, explicou.