“Na Paraíba, infelizmente, não encontramos mão-de-obra necessária para o setor de varejo de alimentos”
24 de junho de 2013
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) representa um dos
mais dinâmicos setores da economia brasileira, com faturamento superior a R$
201,6 bilhões (5,5% do PIB – Produto Interno Bruto), mais de 81,1 mil lojas e
se destaca por empregar mais de 900 mil funcionários de forma direta, e quase
três vezes esse número indiretamente. Na Paraíba, o segmento é representado pela
ASPB – Associação de
Supermercados da Paraíba, uma entidade criada em 1977 sem fins lucrativos que
tem como objetivo representar o estado no segmento.
Inserida
na região que mais consome no País, a Paraíba está no vagão nordestino do
crescimento no poder de compra e do desenvolvimento do setor varejista. Em todo o Estado, 220 lojas são filiadas à
ASPB.
Analisando
o setor e o mercado paraibano, o presidente da entidade, Cícero Bernardo da
Silva, embora animado com as expectativas – que aliam inovação dos
estabelecimentos e crescimento das vendas com a desoneração dos produtos da
cesta básica – lamenta o maior gargalo: a falta de mão de obra qualificada para
a crescente demanda. “Temos
vagas em todos os setores das lojas. Na Paraíba, infelizmente, não encontramos
mão-de-obra necessária para o setor de varejo de alimentos”, disse o presidente
em entrevista ao Paraíba Total.
Os
desafios da ASPB, a inovação dos lojistas, a nova medida federal estão entre os
assuntos da entrevista que segue.
O consumo no Nordeste cresce a
cada ano. Como o senhor avalia o consumidor paraibano no contexto do setor
supermercadista?
O
consumidor cada vez mais está mais exigente, quer mais qualidade, quer uma
melhor prestação de serviço e busca lojas mais confortáveis. O mercado
paraibano foi invadido por grandes redes, o que aumentou a competitividade no
mercado. As lojas genuinamente paraibanas tiveram que fazer investimentos em
layout de loja, comunicação visual, melhorar mix de produtos, qualificar ainda
mais os colaboradores para poder atender melhor e muitas vezes se antecipar ao
desejo do cliente.
Como essas empresas, as
paraibanas, devem se posicionar para não perderem mercado frente aos grandes
varejistas, já que os três maiores do Brasil estão atuando na Paraíba
fortemente?
Ao
contrário do que muita gente pensa as grandes redes não comprometem o pequeno
varejo. Eles têm um diferencial que nenhum grande grupo consegue superar que é
o relacionamento direto com o seu cliente. No pequeno varejo, o dono conhece o
cliente pelo nome e muitas vezes até suas necessidades, então fica mais fácil
de fazer um atendimento personalizado, buscando satisfazer o desejo de cada
indivíduo.
Como a ASPB tem trabalhado para
fortalecer o setor na Paraíba?
A ASPB é
uma entidade com fins lucrativos, cujo finalidade é reunir, orientar,
coordenar, defender e representar, no Estado da Paraíba, as empresas
individuais ou coletivas, ligadas à atividade de supermercados, protegendo a
categoria contra todos os fatores que direta ou indiretamente possam impedir ou
dificultar o seu desenvolvimento e funcionamento como um todo. Temos trabalho a
interiorização das atividades da entidade, por meio da realização de encontros
técnicos, palestras e realização de eventos, a exemplo da Convenção Paraibana
de Supermercados – Consuper, que é realizada no mês de outubro, em João Pessoa,
bem como o Encontro de Supermercados do Sertão, realizado no mês de abril, na
cidade de Patos. Atualmente contamos com 220 lojas filiadas em todo o Estado.
Qual o balanço dos organizadores do
III Encontro de Supermercados do Sertão, último grande evento da entidade no
Estado?
O
encontro deste ano foi considerado pelos participantes e visitantes como a
melhor de todas as edições já realizadas. Boa parte das empresas participantes
já procura reserva para o próximo ano. Nessa 3ª edição conseguimos imprimir um
ritmo mais ágil em todo o processo, desde o planejamento à montagem das
estruturas. Tudo ficou ainda mais bem organizado e agradou bastante. Como vem
acontecendo a cada edição, nossa expectativa é de que no próximo ano, o evento
esteja ainda melhor.
Quais são os maiores desafios com
que o varejo de alimentos no Estado?
Nosso
maior desafio é a mão de obra qualificada. Temos vagas em todos os setores das
lojas. Na Paraíba, infelizmente, não encontramos mão-de-obra necessária para o
setor de varejo de alimentos.
Os supermercados têm criado
outros serviços, como delivery, refeições prontas e farmácia. Como o senhor
avalia essa inovação?
Positiva.
Cada vez mais o cliente quer economizar tempo e resolver tudo em um único
lugar. Então o lojista tende a oferecer cada vez mais serviços, seja
disponibilizando um caixa para receber contas, comida pronta, farmácia e até
salão de beleza.
Como o setor recebeu a medida da
presidente Dilma em desonerar a cesta básica brasileira? São boas notícias para
o segmento na Paraíba?
A desoneração dos produtos da cesta básica é das
mais antigas bandeiras do setor supermercadista. No ano passado, a Abras se manifestou
fortemente a favor da aprovação da MP 563/2012, especialmente da Emenda do
deputado Bruno Araújo, do PSDB/PE, que desonerava vários itens e permitiu
inclusive a expansão da cesta. Como no entendimento do Executivo Federal havia
necessidade de estudos mais profundos na questão, a presidente Dilma vetou esta
emenda, mas criou, inclusive a pedido da Abras manifestado à época com apoio do
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), um grupo de trabalho para analisar
detidamente a questão. A Abras foi uma das entidades ouvidas por este grupo,
inclusive com a apresentação de uma proposta de desoneração que ampliava os
itens da cesta básica (a Cesta Abras). Depois de findo todo esse trabalho, no
âmbito do Ministério da Fazenda, mas com grande interveniência de outros
ministérios, como o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio
Exterior (MDIC), que sempre apoiou a iniciativa da Abras, agora a Presidência
da República dá sua resposta positiva às importantes reivindicações do setor
supermercadista, em prol de toda a população brasileira, e lança a Medida
Provisória nº 609. Antes da medida, uma família de baixa renda (ganho de até um
salário mínimo) gastava em torno de 40% do orçamento mensal na compra de
comida. Portanto, o fim dos impostos nos itens da cesta básica significará, sem
dúvida, mais comida no prato dessa população carente e os supermercados poderão
cooperar firmemente para a efetividade desta medida.
A ASPB promove ou incentiva
alguma ação sobre sustentabilidade, como por exemplo a questão dos resíduos
sólidos? Falta informação para impulsionar a sustentabilidade nas
empresas/indústrias ou interesse?
A ASPB
está inserida dentro de um projeto nacional desenvolvido pela Abras que está
atenta às questões sociais e preocupada com a preservação do meio ambiente onde
se acredita que os supermercados podem desempenhar um papel social importante
para a sustentabilidade do Planeta. A entidade, que funciona como uma
federação, conta com o apoio das 27 Associações Estaduais do setor e tem,
portanto, a capilaridade de ação ideal para desenvolver projetos
sócio-ambientais, conjugados ao varejo, em todo o País. O projeto em
questão, que objetiva criar centenas de polos de capitação de materiais
recicláveis, é uma proposta social da entidade que visa ao mesmo tempo diminuir
os resíduos na natureza, gerar mais renda para pessoas em condição de exclusão
social e, também, incentivar a educação para o consumo.
Como é esse projeto?
O
objetivo do Projeto Reciclagem é unir esforços com a iniciativa privada e poder
público para acelerar o desenvolvimento da cultura da coleta seletiva urbana,
por meio de um projeto gerenciado pela Fundação Abras, que agrega 27
Associações Estaduais de Supermercadistas do Brasil.
O senhor disse que são 220 lojas
filiadas em todo o Estado. Quais as vantagens em se associar à ASPB?
A vantagem
de se estar associado são muitas. Primeiro porque não se está sozinho: o
esforço de um lojista é somado ao esforço de outros parceiros, aumentando
assim, e muito, as chances de que as coisas deem certo. A troca de ideias, a
interação entre parceiros e as ações conjuntas no sentido do qualificar o
segmento e despertar a atenção do governo para a necessidade de políticas
públicas. Entidades no sistema são criadas por pessoas que acreditam na
valorização profissional, buscando informações e benefícios para uma classe, ou
seja na partilha de valores comuns, na disponibilidade para fazer parte de um
projeto, na dedicação a uma causa e, sobretudo na vontade e orgulho de ter uma
Associação cada vez mais forte e digna.