Revisão da Energisa será de 7,85% para consumidores de seis municípios paraibanos
30 de janeiro de 2013

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou ontem a revisão tarifária para a empresa Energisa Borborema, distribuidora de energia que atende mais de 166 mil consumidores de seis municípios (Campina Grande, Lagoa Seca, Queimadas, Boa Vista, Fagundes e Massaranduba). O efeito médio aplicado para os consumidores do Compartimento da Borborema será de 7,85%. O reajuste será aplicado a partir do dia 3 de fevereiro.
Na conta de luz dos consumidores residenciais, o reajuste ficará em 7,56% mais cara. Já as indústrias e grandes consumidores, que fazem contratos de alta tensão, por sua vez, terão o índice mais alto (7,97%).
Os consumidores que estavam com expectativa de redução de 18%, anunciado pela presidente Dilma Rousseff terão surpresa desagradável com anúncio da Aneel a partir do dia 3 de fevereiro, que tirou parte significativa da redução do governo federal.
Menor redução
Desde 24 de janeiro, todas as unidades consumidoras do país receberam desconto mínimo de 18% em seu consumo de energia. Para os clientes da Energisa Borborema, esse desconto foi de exatos 18%, mas a partir do dia 3 de fevereiro ficará bem menor.
Para um consumidor com vencimento da conta no dia 10 de cada mês, será preciso levar em consideração três valores para chegar ao valor final da conta pelo consumo.
O custo original da tarifa que vinha sendo aplicado, do dia 10 de janeiro ao dia 24 não terá redução.
Já do dia 24 de janeiro ao dia 3 de fevereiro, será reduzido em 18%, enquanto de 3 de fevereiro até o dia 10, a redução cai para 11,8%, com a nova tarifa da Energisa Borborema que entra em vigor domingo.
A partir da fatura do próximo mês, com vencimento em 10 de março, por exemplo, o custo da energia manterá apenas um padrão: desconto de 11,8%, para os consumidores residenciais.
Esse percentual de desconto, final para essa distribuidora, será mantido até o próximo reajuste, previsto para fevereiro de 2014.
Índice bem maior
O índice aprovado ontem ficou bem acima do proposto pela Aneel de 2,09% de efeito médio, sendo elevação de 5,07% para o consumidor residencial e queda de 4,63% para os de grande porte (indústria e grandes consumidores).
A direção da agência explicou que os percentuais foram alterados, após a audiência pública em dezembro de 2012 com a participação de consumidores e dirigentes da Energisa.
Para os diretores da Aneel, as ponderações da empresa Energisa Borborema para o reajuste – sob o argumento de perdas da inflação, tendo em vista que vigorará a revisão tarifária ao longo do ano – se sobrepuseram às dos consumidores.
Entidades criticam aumento da tarifa
Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande (ACCG), Álvaro Barros, a maior prejudicada com a revisão será a indústria local e, por conseguinte, o preço final dos produtos no comércio.
“A indústria é que mais consome energia elétrica e isso implica em um custo maior no produto final, logo ele sai em desvantagem e perde em concorrência com aqueles de estados que mantiveram o desconto na tarifa de energia, anunciado pela presidente Dilma Rousseff”, assinalou Álvaro.
Ele acrescentou que o aumento na conta de energia elétrica influi diretamente no nível de competitividade das empresas, que são de fato as grandes consumidoras de eletricidade.
“Eu consigo gerar meu produto com um custo menor e posso fazer ele ser mais bem aceito no mercado. Por este motivo esse reajuste se torna bastante prejudicial à nossa economia”, destacou Álvaro Barros.
Fiep-PB
O industrial Marconi Rocha, diretor da Fiep (Federação das Indústrias da Paraíba), criticou o reajuste ao tomar conhecimento da revisão para as indústrias, dias após a redução da presidente da República. O diretor da Fiep ainda se queixou do governo do Estado que anunciou um aumento na alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os consumidores no quesito energia elétrica, há cinco dias, que corta quase pela metade o anúncio feito pela presidente Dilma.
“O que vemos é um desrespeito muito grande. O governo federal anuncia uma coisa e o governo do Estado passa por cima da determinação e ainda teve esse novo reajuste por parte da empresa Energisa. Não é só o consumidor simples que se prejudica não, todo o setor industrial do Estado é prejudicado”, criticou Marconi Rocha.
Ele disse que a direção da Fiep vai se reunir para discutir as medidas contra a revisão tarifária.