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“Com a crise econômica, o setor de serviços tem sido um dos mais penalizados com o momento”

9 de junho de 2015

A última quinzena de maio, foi realizada na Paraíba a décima edição do Festival Brasil Sabor, um evento gastronômico que conta com a participação de restaurantes e bares associados à Abrasel – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, que realiza o evento nos estados. Na Paraíba, o evento aconteceu em João Pessoa, Bananeiras e Campina Grande e garantiu descontos de até 50% nos preços dos pratos do festival. Uma boa iniciativa, segundo avaliou o presidente interino da Abrasel-PB e empresário, Paulo Amaral. 

Em conversa com o Paraíba Total, Paulo, proprietário há 14 anos do restaurante Fina Fatia, em João Pessoa, foi taxativo ao falar da recessão econômica do setor: “O setor, inclusive, tem gerado demissões”, lamentou o presidente. No entanto, segundo ele, este não é um fenômeno exclusivo da Paraíba e é preciso que o empresário tente encontrar oportunidades para crescer e melhorar seu negócio.

Veja trechos da conversa.

Quais os objetivos do Festival Brasil Sabor?

A ideia da Abrasel nacional, quando criou o festival, foi dar oportunidade aos associados dos estados, durante um período do mês de maio, para se apresentar a novos clientes e mostrarem novos pratos ao público, numa divulgação ampla, em parceria entre o associado e diversos patrocinadores. Esse ano o nosso número de participantes foi bem resumido, apenas 28, dos 206 associados, mas foi muito válido a todos os empresários que decidiram participar deste evento, que incluiu João Pessoa, Campina Grande e Bananeiras.  

 Quais foram os destaques desta edição?

A motivação do evento deste ano foi mais para dar uma movimentação na economia que vem dando sinais de cansaço. Para não afirmarmos que estamos em recessão, em crise, que todos os demais setores também estão atravessando. O setor registrou perdas em vendas.  Então, nós fomos buscar por meio do festival um estímulo ao consumo e à alimentação fora de casa. O período escolhido foi justamente entre o Dia das Mães e o Dia dos Namorados.

Mas o evento atendeu às expectativas dos participantes?

Tenho certeza que o associado que não entrou este ano, pelo sucesso do festival, deverá repensar em participar no próximo ano. Os depoimentos de que participou este ano são de que ficaram satisfeitos com os resultados, diante do investimento mínimo de apenas R$ 300, para integrar ao Festival. Para garantir o sucesso do evento, a Abrasel fez convênios com patrocinadores como a Ambev, Governo do Estado da Paraíba, Café São Braz, Banco do Nordeste, a BIA, Convention Bureau, a PMJP. A avaliação foi positiva sim.

E o público consumidor compareceu?

Falando inclusive pelo meu estabelecimento (o restaurante Fina Fatia), foi muito boa esta edição. Inclusive os clientes que foram nos visitar disseram ter ido a outros estabelecimentos que participaram do festival devido à satisfação revelada por eles.  Mas, no geral, se viu uma boa movimentação da sociedade para aproveitar os descontos nos pratos. Alguns estabelecimentos fizeram pratos exclusivos para o evento. Outros incrementaram os que já tinham e fizeram um preço especial.

O senhor comentou que a crise atingiu bem o setor. Quais seriam as saídas indicadas neste segmento?

É inegável que estamos vivendo um período de recessão, e a crise passa pelo nosso setor também. E como bem já divulgou o IBGE, o setor de serviços tem sido um dos mais penalizados com o momento, pois quando o consumidor precisa cortar despesas, o comer fora de casa é um dos primeiros a serem cortados. O setor, inclusive, tem gerado demissões. Além do deslocamento urbano, que se torna muito desgastante. E isso é o quer tem contribuído para maiores quedas. A economia atual está fazendo com que a gente repense, planeje e deixe de fazer algumas coisas. Então, para os empresários, minhas orientações é que se aproveite a crise para se fazer enxugamentos necessários, promover capacitações e até aproveitar para fazer aquelas pequenas reformas, melhorias nos estabelecimento, já que está tendo pouco movimento. Na época de alto fluxo, seria inviável realiza-las. Mas acreditamos que 2016 deverá ser melhor.

No setor gastronômico, a mão-de-obra qualificada também é um gargalo como é na maioria dos segmentos?

Com certeza é. E ainda um pouco mais, pois é uma mão-de-obra difícil de ser conquistada. Isso porque, para se trabalhar no setor de alimentação, é essencial gostar de alimentos, gostar de estar nesse ambiente, de servir. É um momento em que, quando todos estão se divertindo, nós estamos trabalhando. É difícil manter uma equipe não só qualificada, mas motivada para ela tem que trabalhar em datas como Natal, Dia do Trabalho, Páscoa etc. Nossa maior dificuldade se dá por falta de uma educação de base e também pela carência de cursos técnicos na área, o que tem ficado como obrigação do empregador promover isso ao seu colaborador. Hoje ainda temos algumas ferramentas oferecidas pelo Sebrae, Fecomércio, Sesc, Senai, que tentam fazer uma melhora nessa mão-de-obra. Mas, até o ano passado, onde o cenário era outro e fluía uma demanda de mão-de-obra, o Brasil perdeu uma grande oportunidade de melhor capacitar sua população.

Como o senhor vê o aumento do número de estabelecimentos de serviços no Estado? Esse crescimento tem acompanhado a qualidade nos serviços prestados?

Desde os 14 anos que atuo nesse segmento e nunca vi um crescimento tão grande como o ocorrido nos últimos dois anos. Houve uma grande expansão, onde muita gente decidiu abrir seu negócio, inclusive de outros estados. Muitos deles planejados em 2012, executados em 2013 e 2014, período em que João Pessoa teve um aumento bastante significativo de estabelecimentos gastronômicos, na ordem de 40% a 50%, todos na euforia da economia. Depois em junho do ano passado, veio o pesadelo, o freio na economia. Logo após o período da Copa do Mundo de Futebol, onde se achava que o Brasil venceria e seria só comemoração.  Agora, de janeiro deste ano para cá, esse crescimento, infelizmente, parou. 

É assim apenas na Paraíba ou o senhor tem percebido nos demais estados do Nordeste?

No último encontro nacional da Abrasel que tivemos, em Fortaleza, pudemos entender os depoimentos dos empresários do setor nacionalmente. Os proprietários de restaurantes do Sul e Sudeste estavam um pouco mais pessimistas ou conscientes com relação ao cenário econômico que estava para se formar. Já por aqui no Nordeste, ainda não tínhamos essa visão de crise. E agora em abril e maio, veio confirmar que 2015 não está sendo bom para comemorar conquista alguma na economia. Pelo contrário, está sendo um período de castigo econômico. No entanto, na minha concepção de crises, é nelas que os bons e mais competentes se safarão. É uma depuração, e os competentes encontram oportunidades.

Quais as novidades da Abrasel Paraíba para ainda este ano?

Na verdade, a Abrasel tem eventos anuais. Além do Brasil Sabor, temos o Bar em Bar, nascido em Minas Gerais, que pretendemos implantar ainda este ano na Paraíba, onde há concurso gastronômico da comida de barzinho, as famosas comidas de botecos. Temos ainda o Guia Abrasel, que anualmente publicamos com a relação atualizada de todos os restaurantes associados, com horário de funcionamento, cardápio, forma de pagamento, entregas, além de informações complementares para o turista, como mapas da cidade, pontos turísticos, horários de transportes e de funcionamento de museus. A previsão de lançamento desse guia este ano é para novembro.