Setor de produtos para recém-nascidos investe nos pais de primeira viagem e incrementa vendas
20 de setembro de 2013
Às vezes eles chegam de forma inesperada. Costumam provocar grandes mudanças na vida de uma família e mexem em todo o orçamento da casa. Mas isso não importa na hora das compras para o bebê, e quando são papais e mamães de primeira viagem, não medem esforços para que o bebê tenha do bom e do melhor.
Com isso, o setor de produtos para recém-nascidos e crianças expande em todo o Brasil – com itens cada vez mais apurados e específicos para os novos pequenos. Este ramo, dentro do mercado de vestuário, é o que mais cresce. Enquanto o segmento deve registrar uma queda de 1% em 2013, a moda infantil espera crescimento de 3,8%. Segundo dados do Iemi (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), o setor faturou R$ 17,6 bilhões em 2012.
Na Capital, esse movimento tem acontecido pontualmente. “Hoje temos 15 lojas cadastradas exclusivamente com a venda de produtos para bebês, mas existem casos, por exemplo, em que a loja já trabalha com determinado produto e acrescenta a ela mercadoria para bebês. É um mercado que tem crescido”, constatou o diretor de tributação da Secretaria da Receita Municipal de João Pessoa, Paulo Freire.
Há nove meses atuando no comércio paraibano, a Catavento Baby, situada no Shopping Sebrae, trabalha com produtos dentro do segmento de bebês que atendem as necessidades de recém-nascidos de 0 a 3 anos de idade. Para posicionar bem sua marca, a Catavento conta com produtos que vão desde enxoval até roupas e acessórios, com preços variados. De acordo com a proprietária, Giselda Silva, uma característica desse mercado é a construção da clientela para antes, durante e depois do nascimento da criança. “Geralmente, oriento os meus clientes quando eles estão em dúvida com algo, focando sempre na necessidade do casal e do bebê”, explicou. Segundo a empresária, a busca maior está nos produtos que compõe o enxoval da criança, como fraldas, kit de berço e almofadas para amamentação.
Montagem do enxoval: um momento único
Nos tempos atuais, os novos papais estão com mais tempo de planejar o nascimento dos filhos. O período da gestação é a fase em que se começa a montar sem pressa e com tranquilidade tudo o que será necessário para criança. Foi assim que aconteceu com Patrícia Monteiro e Luis Mendes, ambos jornalistas, mamãe e papai de primeira viagem. Enquanto aguardavam a chegada de Lucas, eles prepararam tudo com atenção. “Cuidar do enxoval é antecipar os sentimentos que a maternidade proporciona: carinho, dedicação e muito amor”, declarou Patrícia.
Difícil mesmo é na hora em que o orçamento começa a pesar no bolso e a vontade de se fazer tudo como foi pensado permanece. Nesse momento é preciso ter equilíbrio para saber o que será prioridade. “Tem coisas que não dá para abrir mão, como a qualidade dos produtos que serão adquiridos para que não venha a ocasionar problemas para o bebê, como uma alergia, por exemplo”, lembrou Patrícia.
Patrícia acredita que, com a chegada de novas lojas, o mercado irá melhorar, já que proporcionará ao consumidor novas possibilidades de escolha. Como boa jornalista, na avaliação dela, as marcas, no entanto, devem desenvolver um trabalho maior de divulgação das lojas e dos produtos. “Os lojistas precisam investir mais em comunicar aos clientes que as lojas existem e no que elas se destacam da concorrência”, comentou.
A observação de Patrícia vai ao encontro das previsões estatísticas. A tendência, segundo o IBGE, é que a população de bebês mantenha-se estável até 2020, porém o crescimento do segmento, em média de 10% ao ano, vem do recente acesso da classe média a mais categorias de consumo. Em suma: devem vir menos bebês ao mundo – porém, o aumento do poder de compra deve alavancar em cheio o setor no Brasil.