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Foto: Divulgação

Irclebson Ramos: “A inclusão, para nós, significa justamente acolher todos, sem criar espaços que segreguem ou limitem a experiência”

Presidente do Grupo Makários detalha o conceito do Senses Park Resort, os investimentos previstos, a geração de empregos e as próximas etapas do empreendimento em João Pessoa

27 de agosto de 2026

Viajar ainda pode ser um desafio para famílias com pessoas neurodivergentes. O turismo inclusivo envolve atenção aos estímulos sensoriais, comunicação clara, previsibilidade e equipes preparadas para acolher diferentes necessidades.

Um levantamento realizado em 2026 pelo Ministério do Turismo e pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) mostrou que 90,1% dos viajantes neurodivergentes já relataram julgamentos relacionados a seus comportamentos, enquanto 89,8% apontaram dificuldades pela falta de compreensão de suas necessidades por parte das equipes de atendimento.

Atento a essa demanda, o Grupo Makários, criado em 2009, aposta em um novo conceito de hospitalidade com o Senses Park Resort, empreendimento que será implantado no Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa. O complexo reunirá hospedagem, lazer, gastronomia, natureza, terapias, tecnologia e acessibilidade, com soluções pensadas desde a concepção para diferentes perfis de famílias.

Nesta entrevista, o presidente do Grupo Makários, Irclebson Ramos, fala sobre a origem do projeto, os investimentos, o cronograma de implantação e a proposta de inclusão que orienta o empreendimento.

Como surgiu a ideia do Senses Park Resort e de que forma a convivência com as famílias contribuiu para a criação do projeto?

A ideia surgiu principalmente da escuta e da convivência com as famílias. É algo de que tenho muito orgulho, porque não nasceu apenas de uma análise de mercado ou de uma oportunidade de negócio. Nasceu da capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, ouvir suas necessidades e compreender os desafios enfrentados no dia a dia.

Antes de pensarmos no negócio, pensamos no impacto que poderíamos gerar. A empatia e o propósito de transformar vidas foram o ponto de partida para desenvolver um complexo que promovesse inclusão, acolhimento e novas possibilidades de experiências para as famílias. Primeiro veio o desejo de gerar impacto e, a partir dele, construímos o projeto.

Existe algum empreendimento semelhante ao Senses Park Resort no Brasil ou no mundo?

Já pesquisamos e, até o momento, não encontramos nenhum empreendimento com uma proposta semelhante à do Senses. Existem parques e hotéis que passaram por adaptações para receber pessoas com diferentes necessidades, mas o nosso diferencial está justamente em ter sido concebido, desde o início, para oferecer uma experiência inclusiva.

Toda a estrutura está sendo planejada para acolher as famílias de forma integrada, considerando aspectos de acessibilidade, estímulos sensoriais, atendimento e experiência. Essa preocupação está presente desde a concepção do projeto, e não como uma adaptação posterior.

O Senses Park Resort será exclusivo para famílias neurodivergentes?

É importante reforçar que o Senses foi pensado para receber todas as famílias. Em alguns momentos, o projeto é apresentado como um empreendimento exclusivo para famílias neurodivergentes, mas essa não é a proposta. Se fosse exclusivo, deixaria de ser verdadeiramente inclusivo.

A ideia é oferecer uma estrutura preparada para diferentes perfis de famílias e garantir que pessoas neurodivergentes e com deficiência também encontrem ambientes, serviços e recursos adequados às suas necessidades. A inclusão, para nós, significa justamente acolher todos, sem criar espaços que segreguem ou limitem a experiência.

Inclusão é quando eu incluo todos.

Qual é a previsão para a inauguração do Senses Park Resort?

A previsão é de 36 meses de obras, contados a partir da liberação de todas as licenças necessárias para o início da construção. É um prazo que exige planejamento e atenção, especialmente pela dimensão e pela complexidade do projeto.

O Senses será um complexo que reúne diferentes estruturas e experiências, o que demanda uma execução cuidadosa para garantir que cada etapa seja entregue de acordo com a proposta do empreendimento.

O que está previsto para a primeira etapa do Senses Park Resort, qual o investimento estimado e como será o parque sensorial?

A primeira etapa contempla a hospedagem, o parque sensorial e o sistema terapêutico, com previsão de execução em 36 meses. Atualmente, o investimento estimado está entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões, valor que ainda pode sofrer alterações à medida que o projeto avance, considerando a complexidade de toda a estrutura.

Na área do parque sensorial, especialmente no espaço indoor, queremos preparar algo realmente inovador. A proposta é oferecer uma experiência imersiva, com tecnologia e ambientes planejados para diferentes estímulos. A ideia é criar um verdadeiro parque de diversão, onde as crianças possam brincar, ser estimuladas e contar com espaços de acolhimento e acomodação dentro do complexo.

Qual área do projeto gera mais expectativa para o senhor?

O parque indoor é, sem dúvida, uma das áreas que mais me despertam expectativa dentro de todo o projeto. Temos trabalhado para desenvolver uma estrutura diferenciada, com uma experiência realmente imersiva, inovadora e acolhedora.

Para chegar a esse resultado, temos pesquisado e visitado referências, inclusive fora do Brasil, buscando conhecer diferentes modelos de parques e experiências. A partir dessas referências, queremos criar algo próprio, pensado para estimular, acolher e proporcionar momentos de lazer para as crianças e suas famílias.

Como o Senses Park Resort pretende promover a inclusão profissional e quantos empregos o empreendimento deve gerar?

A inclusão profissional é um dos compromissos do projeto. Queremos ter pessoas com deficiência atuando em diferentes setores e áreas do parque, ampliando as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Uma das definições já estabelecidas envolve a área de alimentação. Estamos planejando quatro restaurantes e, independentemente de a operação ser realizada pelo Grupo Makários ou por uma empresa terceirizada, um deles terá 100% da mão de obra formada por pessoas com deficiência.

Esse é um ponto do qual não abrimos mão. Acreditamos que a inclusão precisa estar presente em toda a experiência, desde o acolhimento do cliente até a geração de oportunidades profissionais. Para nós, oferecer trabalho também significa promover dignidade, autonomia e participação social.

Em relação à geração de empregos, a estimativa é de mais de 300 postos de trabalho diretos durante a implantação. Na operação do resort, a previsão é de manutenção de uma estrutura entre 200 e 300 empregos diretos.

Fonte: Vitória Bárbara