Investidor brasileiro mantém preferência pelo CDB, mas amplia busca por proteção no exterior
Juros elevados sustentam a atratividade da renda fixa local, enquanto a diversificação internacional ganha espaço como estratégia de redução de riscos
16 de setembro de 2026
O cenário de juros elevados mantém o CDB entre os investimentos preferidos dos brasileiros de alta renda, principalmente pela previsibilidade, liquidez e percepção de segurança oferecidas pela renda fixa. Ao mesmo tempo, porém, cresce o interesse pela internacionalização do patrimônio, em um movimento que, à primeira vista, pode parecer contraditório, mas revela uma mudança importante na forma como o investidor brasileiro administra riscos.
Na prática, as duas estratégias podem cumprir funções diferentes dentro de uma mesma carteira. Enquanto investimentos locais permitem aproveitar oportunidades de remuneração em reais, a exposição internacional reduz a dependência do patrimônio em relação a uma única moeda, economia ou jurisdição.
Para Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, o investidor não precisa escolher entre a segurança oferecida no mercado doméstico e a diversificação global. “Não existe contradição necessariamente. O CDB pode cumprir uma função importante de liquidez, previsibilidade e remuneração em reais, especialmente em um ambiente de juros elevados. Já a diversificação internacional atende a outro objetivo: reduzir a concentração do patrimônio em uma única moeda, economia e jurisdição.”
Mesmo quando a renda fixa brasileira oferece retornos atrativos, a decisão de manter parte do patrimônio no exterior deve ser analisada sob uma perspectiva de longo prazo. Isso porque juros elevados não eliminam outros tipos de exposição, como riscos cambiais, fiscais, políticos ou decorrentes da concentração geográfica dos investimentos.
“A decisão de internacionalizar patrimônio não deve ser tomada apenas comparando a taxa de um CDB com o retorno de um ativo no exterior em determinado momento. Juros altos podem tornar a renda fixa brasileira muito atrativa no curto prazo, mas não eliminam riscos cambiais, fiscais, políticos e de concentração geográfica. A diversificação internacional é uma decisão estrutural”, explica Murta.
O especialista ressalta ainda que não existe um percentual de investimento no exterior que seja adequado para todos. A composição deve considerar fatores como perfil do investidor, tamanho e distribuição do patrimônio, despesas futuras, objetivos familiares e sucessórios, horizonte de investimento e tolerância ao risco.
“Mais importante do que perseguir um número é entender qual risco a diversificação internacional está ajudando a reduzir”, afirma.
Outro ponto que exige atenção é a forma como esse processo é estruturado. Segundo Murta, um dos erros mais frequentes ocorre quando o investidor escolhe produtos financeiros e envia recursos para outro país antes de avaliar aspectos tributários, jurídicos e sucessórios.
“Primeiro é necessário compreender os objetivos do patrimônio, a residência fiscal, a forma de titularidade dos ativos, as obrigações de declaração e os impactos sucessórios. Depois, escolhem-se os instrumentos financeiros. A internacionalização patrimonial precisa começar pelo planejamento, não pelo produto”, conclui.

