Setor imobiliário se transforma com tecnologia, investimentos e novos perfis de comprador
Profissionalização, inteligência artificial e desenvolvimento urbano ampliam a atuação dos corretores e transformam a geração de valor no mercado
16 de setembro de 2026
O avanço da tecnologia, a maior complexidade dos empreendimentos e um consumidor com mais acesso à informação vêm exigindo profissionais mais preparados para atuar em um setor cada vez mais ligado a investimentos e geração de valor. Após participar de projetos que movimentaram cerca de US$ 4,3 bilhões em vendas, o empresário e estrategista angolano Rosário Kivota avalia que o setor caminha para projetos mais complexos, nos quais o valor não está concentrado apenas no imóvel.
Para ele, grandes projetos de desenvolvimento urbano podem gerar impacto econômico, atrair investimentos e construir marcas capazes de ultrapassar os limites do mercado onde estão inseridos. “O desenvolvimento urbano está associado a uma marca, está associado a um legado. Já um grande projeto imobiliário, muitas vezes, só tem impacto para aquele mercado específico”, afirma.
A mudança também transforma o trabalho dos corretores. Com consumidores cada vez mais informados e ferramentas que facilitam a comparação de preços, localizações e oportunidades, o profissional precisa compreender não apenas as características da propriedade, mas também o potencial econômico e a proposta de valor do empreendimento.
Na avaliação de Kivota, uma das principais transformações do setor está na passagem de projetos imobiliários tradicionais para modelos mais amplos de desenvolvimento urbano. A experiência do empresário em diferentes mercados, incluindo os Emirados Árabes Unidos, reforçou sua percepção de que projetos capazes de reunir infraestrutura, serviços, tecnologia, segurança e qualidade de vida podem alcançar investidores para além de seu mercado de origem.
Esse movimento também aparece no comportamento dos compradores. Elementos como metragem, localização e preço continuam relevantes, mas passam a dividir espaço com a infraestrutura e os serviços disponíveis no entorno. Para o setor imobiliário, essa transformação amplia a necessidade de apresentar os empreendimentos não apenas como propriedades, mas como ativos inseridos em projetos com potencial de valorização.
A inteligência artificial também deve acelerar as mudanças no mercado imobiliário. Segundo Kivota, a tecnologia tende a modificar a maneira como empresas identificam oportunidades, desenvolvem projetos e se relacionam com compradores.
O avanço das ferramentas digitais também aumenta o acesso dos consumidores a informações que anteriormente estavam concentradas nos profissionais do setor. Nesse ambiente, a atuação do corretor tende a migrar da simples apresentação de imóveis para uma função mais consultiva, capaz de interpretar informações e ajudar o cliente a compreender as características e oportunidades relacionadas ao empreendimento.
Para Kivota, a próxima etapa dessa transformação deve ocorrer principalmente em projetos que consigam integrar diferentes soluções em um mesmo ambiente. O empresário atualmente participa de iniciativas de desenvolvimento urbano como a Ocean City, que propõe integrar moradia, tecnologia, serviços e qualidade de vida.
Ainda na avaliação dele, a próxima geração de empreendimentos deverá considerar não apenas onde as pessoas querem morar, mas como querem viver. Ao mesmo tempo, a maior complexidade dos projetos aumenta a necessidade de profissionais capazes de compreender e comunicar esse valor ao mercado.

