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Vitor Dzenk: “É realmente importante que a moda volte o olhar para o Nordeste e que novas iniciativas aconteçam”

Um dos maiores nomes do estilismo brasileiro participou do evento beneficente da Maison Guilhermina, em João Pessoa

26 de outubro de 2023

Reconhecido no mundo da moda brasileira por sua carreira que começou aos 15 anos, Victor Dzenk traz inovação na estamparia digital e paixão por malhas nobres, tecidos fluídos e ênfase na valorização da silhueta feminina. Com 29 temporadas de desfiles grandiosos como Fashion Business, Fashion Rio e São Paulo Fashion Week e presença em pontos de venda no Brasil e no exterior, Victor Dzenk é um dos nomes mais influentes do país da área.

Ele veste as principais celebridades nacionais — como Ivete Sangalo, Xuxa e Preta Gil —, famosos internacionais e está em editorias de grandes revistas, peças de teatro, produções de TV e cinema. Recentemente, o estilista esteve em João Pessoa participando de um evento beneficente da Maison Guilhermina, e o Paraíba Total conversou com ele sobre sua vinda a João Pessoa e o mercado de moda no Nordeste. Confira:

O que achou de João Pessoa?

É a primeira vez na cidade, cheguei e quando vi essa praia maravilhosa, esse povo acolhedor, falei para mim mesmo: eu quero voltar! Vou voltar trabalhando e voltar me divertindo, porque eu faço as duas coisas juntos e adoro isso.

Você acredita que o mercado da moda no Nordeste tem seu destaque?

Estou com um olhar para isso e tenho visto alguns movimentos acontecendo. Destacaria entre eles, a Dani Falcão com o grupo que ela juntou e tem o George Azevedo fazendo parte e que chama Nordestesse. É um projeto muito interessante e é possível ver que isso está ganhando uma dimensão, a mídia está com o olhar para isso. Afinal de contas, o Nordeste é muito rico! Quantos estilistas do sul e do sudeste já não se inspiraram nas riquezas e na cultura nordestina? Muitos! Então, é realmente importante que a moda volte o olhar para o Nordeste e que novas iniciativas aconteçam.

Você está com um movimento de estilistas e criadores que acontece em Minas Gerais. Fala um pouco sobre ele e se é possível aplicá-lo no Nordeste.

O movimento é a Associação dos Estilistas e Criadores de Minas Gerais (A.Criem), uma associação que nasceu do meio para o final da pandemia, porque vários estilos perderam emprego e ficaram sem apoio jurídico, financeiro. Então a ideia da A.Criem, além de unificar os criadores é poder apoiar e fazer networking, recolocando esses profissionais no mercado, mercado este que ao mesmo tempo é grande, já que a moda mineira é uma moda consolidada, mas não tem um sistema que apoia o criador. Na A.Criem estou na diretoria de relações públicas, estão querendo me colocar na presidência o ano que vem, mas estou querendo navegar um pouco mais no setor que estou porque acredito que no que faço consigo agregar mais pessoas ao movimento. Acredito também que um momento de voltar a falar da moda com o pós-pandemia, como um novo momento. Olhando muito para o criador e menos para marca, porque vários criadores trabalham para marcas e eles não são comentados, não ficam famosos, as marcas que ficam. Então sei a ideia da A.Criem é colocar o holofote no criador.

Como um estilista que está há anos no mercado da moda enxerga o mercado na atualidade?

Uma coisa que acho que está geral são as coleções, por exemplo, que enxugaram. Ninguém está fazendo mais aquele monte de cabide por fazer, porque é o consumo consciente. Vamos fazer aquilo que a mulher realmente precisa ter no armário. Podemos ver coleções mais criativas, porque as pessoas estavam com a criatividade abafada. Esse pós pandemia está abrindo esse horizonte, as pessoas estão escapando e é possível ver isso acontecendo nas passarelas, na Europa, no Brasil, uma moda muito mais inclusiva. Hoje temos modelos plus size modelos amputados. Então, acredito a modo no pós-pandemia chega com um olhar mais humano. A moda não é só para mulher que veste 36-38, o Brasil é continental com mulheres com corpos diversos, cada uma com sua beleza e isso mostra que esse olhar é muito importante, que tem que acontecer e fico muito feliz em ver tudo isso.

Quais foram suas inspirações para a criação da nova coleção de verão?

A coleção verão 2024 se chama Milagres e teve como inspiração a região de Milagres (AL), na praia do Patacho. Mas, na verdade, é uma coleção que fala de todo litoral brasileiro. Fala da beleza litorânea, que nosso país possui. É uma coleção que navega em todos os tons de azul, nos degradês, tem uma estampa que é quase uma onda do mar, crochês, detalhes de madrepérola, que é o fruto do mar mais nobre, a pérola e a madrepérola. Então, é uma coleção com muito branco, muito azul, com muita vivacidade. Tem o amarelo solar, tem uma mulher glamourosa, mas ao mesmo tempo, despretensiosa que está fazendo uma festa na areia, descalça, sentindo a brisa do mar. É uma coleção com tecidos esvoaçantes, mas ao mesmo tempo também tem alguns armados, que é algo que nunca trabalhei e está sendo uma experiência muito positiva, ou seja, um tecido armado e o tafetá e me pegaram e estou amando fazer essa mulher com volume, diferente daquela mulher com volume de festa que já se viu passar. É um novo volume, são duas peças, tipo um top e uma calça que viram um macacão de festa, um top e uma saia que vira um vestidão, mas que se ela quiser, tira o top e usa com jeans numa outra situação. E é isso, temos pensado em alternativas de uso dessa roupa. Comprar um vestido só para uma ocasião não é mais esse momento que se vive hoje. O momento é de ver a roupa tendo várias possibilidades juntas!