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Foto: Divulgação

Andreia Barros: “Acredito na potência das mulheres quando elas encontram espaço, oportunidade, formação e confiança para crescer”

Diretora da Viváss Comunicação celebra nove anos de história da empresa paraibana que só contrata mulheres; conheça a história da fundadora

1 de outubro de 2026

Natural de Minas Gerais e há 19 anos na Paraíba, a jornalista Andréia Barros soma quase três décadas de história na comunicação. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, construiu sua carreira entre Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, passando por diferentes veículos até chegar à assessoria de imprensa e ao empreendedorismo.

Há nove anos, está à frente da Viváss Assessoria e Comunicação, empresa de assessoria de imprensa e relações públicas que nasceu a partir de sua experiência no jornalismo e na comunicação institucional. Com uma equipe formada apenas por mulheres, o negócio também se tornou um espaço de crescimento e desenvolvimento, refletindo uma escolha que passou a fazer parte da identidade da empresa.

Na entrevista que segue, Andréia conta mais sobre a história e o propósito da empresa. Confira:

Quando e como iniciou sua trajetória na comunicação?

Minha trajetória na comunicação começou muito cedo e, olhando hoje para quase 30 anos de profissão, percebo que o Jornalismo sempre foi muito mais do que uma escolha profissional. Foi a forma que encontrei de compreender o mundo, fazer perguntas, contar histórias e participar, de alguma maneira, das transformações ao meu redor. Sou formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora e comecei minha carreira em Minas Gerais. Ao longo dessa caminhada, tive a oportunidade de experimentar praticamente todas as plataformas de imprensa: rádio, jornal impresso, revista, televisão e, mais tarde, os meios digitais. Trabalhei em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e na Paraíba. Essa diversidade foi fundamental para a minha formação. Cada veículo me ensinou uma linguagem, um ritmo e uma maneira diferente de enxergar a notícia. O rádio me ensinou agilidade; o jornal, apuração e profundidade; a televisão, síntese e presença; as revistas, narrativa; e o digital trouxe a necessidade de acompanhar uma comunicação cada vez mais rápida e dinâmica. Depois, minha trajetória aconteceu de forma natural à a assessoria de imprensa, a comunicação institucional e, finalmente, para o empreendedorismo. Hoje percebo que todas essas experiências conversam entre si. A jornalista que fui na redação continua muito presente na profissional que sou hoje. Só mudou o lugar de onde conto as histórias.

Em sua experiência na imprensa, atuou em rádio, jornal impresso, revista, site e TV, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e na Paraíba. O que essa experiência representa na sua formação?

Representa repertório. Tive a sorte de viver o jornalismo em diferentes momentos, formatos e lugares. Conheci a redação tradicional, acompanhei as transformações dos veículos impressos, vivi a força do rádio e da televisão e também participei da transição para o jornalismo digital. Isso me deu uma compreensão muito ampla sobre a notícia e sobre o trabalho do jornalista. Aprendi que, independentemente da plataforma, algumas coisas não mudam: a responsabilidade com a informação, a necessidade de apuração, o compromisso com a verdade e o respeito ao público. Também aprendi a reconhecer o valor de cada profissional dentro de uma redação. Jornalismo é trabalho coletivo. Uma boa matéria começa muito antes da publicação e envolve escuta, investigação, checagem, edição e, principalmente, a capacidade de fazer as perguntas certas. Essa experiência também foi essencial para o meu trabalho atual. Hoje, quando penso em uma estratégia de comunicação para um cliente, consigo enxergar os dois lados da relação: sei o que uma empresa precisa comunicar, mas também sei o que uma redação precisa receber para que aquela informação tenha relevância jornalística. Isso faz toda a diferença na assessoria de imprensa.

Como nasceu a Viváss?

A Viváss nasceu de uma decisão de empreender, uma m mistura de necessidade e oportunidade. Depois de passar por diferentes experiências no jornalismo, na comunicação institucional e na assessoria de imprensa, percebi que queria construir uma empresa que tivesse uma maneira própria de fazer comunicação. Criei a Viváss há nove anos com a ideia de oferecer um trabalho mais próximo, personalizado e estratégico. Sempre acreditei que uma boa comunicação não pode ser construída a partir de fórmulas prontas. É preciso entender profundamente o cliente, o negócio, o mercado, as pessoas e o momento de cada empresa. Por isso, a Viváss nasceu com esse conceito de agência boutique: uma estrutura enxuta, mas com atendimento próximo e soluções customizadas. Hoje trabalhamos principalmente com assessoria de imprensa, relações públicas, comunicação institucional e gestão de imagem. E existe uma característica da empresa que, para mim, é ainda mais importante: desde o início, escolhi construir uma equipe formada por mulheres. Não foi uma estratégia de mercado. Foi uma escolha de vida. Acredito na potência das mulheres quando elas encontram espaço, oportunidade, formação e confiança para crescer. Então, mais do que criar uma empresa, eu queria construir um ambiente em que outras mulheres também pudessem construir suas próprias histórias profissionais. Hoje, quando olho para a Viváss, percebo que esse propósito acabou se tornando parte da identidade da empresa.

Ao longo desses nove anos, quais foram os principais desafios e o que eles ensinaram?

Foram muitos. Empreender exige uma capacidade enorme de adaptação. Você precisa aprender a lidar com incertezas, tomar decisões difíceis, administrar pessoas, finanças, clientes, crises e, muitas vezes, continuar firme mesmo quando ninguém está vendo tudo o que existe por trás daquela decisão.

Um dos meus maiores aprendizados foi entender que crescer não significa fazer tudo. Durante muito tempo, eu tinha uma postura muito operacional e queria acompanhar tudo de perto. Com o tempo, percebi que liderar também significa delegar, confiar, criar processos e, principalmente, desenvolver pessoas. Também aprendi que reputação se constrói ao longo de anos e pode ser colocada em risco em poucos minutos. Por isso, sempre procurei conduzir a Viváss com muita responsabilidade, ética e respeito pelas relações que construímos. E existe um aprendizado que veio com a maturidade: nem toda oportunidade precisa ser aceita. No começo da carreira, queremos crescer, conquistar clientes, provar nossa capacidade. Com o tempo, passamos a entender que tão importante quanto saber onde queremos chegar é saber o que não faz sentido para nós. Talvez esse seja um dos maiores ganhos que o empreendedorismo me trouxe: clareza. Hoje sei melhor quem somos, o que fazemos, como queremos trabalhar e, principalmente, quais valores não estamos dispostos a negociar. Empreender é uma construção diária. A empresa muda, o mercado muda, as pessoas mudam e nós precisamos mudar também.

O que mudou na sua forma de enxergar comunicação, carreira e empreendedorismo?

Mudou praticamente tudo. Quando comecei, eu estava muito concentrada em fazer. Hoje estou muito mais preocupada em construir: construir uma empresa, uma equipe, processos, relações e uma marca que tenha continuidade. Também passei a enxergar a comunicação de uma maneira ainda mais estratégica. Comunicação não é apenas visibilidade. É reputação, posicionamento, relacionamento e percepção. É entender o que uma marca quer dizer, mas também aquilo que as pessoas estão dispostas a ouvir. Na carreira, aprendi que existe uma diferença enorme entre saber fazer e saber liderar. Durante muitos anos, minha referência de excelência profissional era dar conta de tudo. Hoje entendo que excelência também é formar pessoas capazes de fazer bem sem depender de você. E talvez essa tenha sido uma das mudanças mais importantes da minha trajetória: entender que o meu papel não é mais estar no centro de todas as entregas. É criar as condições para que outras pessoas também possam entregar, crescer e assumir responsabilidades. O empreendedorismo me ensinou, ainda, que ninguém constrói um negócio sólido sozinho. Por trás de qualquer empresa existem pessoas. Hoje tenho muito orgulho da equipe que construí e das profissionais que cresceram junto com a Viváss.

Qual é a principal realização da sua trajetória à frente da Viváss? E que conselho daria a outras mulheres?

Minha principal realização é olhar para a Viváss e perceber que ela se tornou maior do que eu. São nove anos de história, clientes, projetos, desafios, conquistas e relações construídas. Mas, acima de tudo, são nove anos em que uma ideia que começou na minha cabeça ganhou vida própria, criou uma cultura, formou profissionais e passou a fazer parte da história de outras pessoas. Tenho muito orgulho da reputação que construímos no mercado, mas tenho um orgulho ainda maior das mulheres que passaram pela Viváss e cresceram profissionalmente conosco. Desde o início, escolhi formar uma equipe feminina. Essa escolha está ligada a algo em que acredito profundamente: oportunidade transforma trajetórias. Não basta falar sobre valorização da mulher; é preciso criar espaços reais para que ela possa trabalhar, aprender, liderar e crescer. Essa visão também aparece em iniciativas da Viváss voltadas ao desenvolvimento e à valorização das colaboradoras. Para uma mulher que deseja transformar sua experiência profissional em um negócio, eu diria: confie no conhecimento que você construiu, mas não tenha medo de continuar aprendendo.

Fonte: Maria Clara Teixeira