Alê Pessoa: “Manter a organização e o cuidado com a produção é fundamental para garantir a qualidade e o respeito aos nossos clientes”
Com quase duas décadas na confeitaria, empreendedora relembra o início de sua trajetória até a construção de sua marca
22 de outubro de 2026
Nascida no Recife, Alessandra Calado Pinho Pessoa construiu uma trajetória de quase duas décadas na confeitaria. Neta de uma boleira, cresceu em meio aos doces e descobriu cedo sua vocação para a cozinha. Aos 11 anos, começou a vender brigadeiros na escola e deu os primeiros passos no empreendedorismo. Psicóloga por formação, com pós-graduação em Psicologia Organizacional, Alê conciliou as duas áreas por um período, até decidir se dedicar integralmente à sua grande paixão.
Hoje, à frente da Alê Pessoa Tortas e Doces, ela comanda uma equipe, três lojas e acompanha de perto as linhas de produção. Na entrevista que segue, fala sobre os desafios de empreender, a importância da organização na rotina da empresa e os planos para o futuro da marca.
Como se deu sua relação com a Paraíba e de que forma João Pessoa se tornou a sua casa?
Minha relação com a Paraíba começou ainda antes de nascer. Apesar de minha família ser toda de Recife, na época em que nasci, meu pai havia passado em um concurso e veio morar na Paraíba, em Santa Luzia, junto com minha mãe. E há 47 anos, não existia a estrutura e o apoio que temos hoje. Como eram apenas os dois por aqui, quando minha mãe ficou grávida, precisou retornar a Pernambuco para me ter. Foi aqui que me casei, tive meus filhos, que são paraibanos e pessoenses, estudei, me formei e decidi empreender. Por isso, digo que sou paraibana de coração.
Sua história com a confeitaria começou cedo. Em que momento percebeu que os doces poderiam deixar de ser um hobby e se tornar seu negócio?
Sou formada em Psicologia, com pós-graduação em Psicologia Organizacional, mas a cozinha sempre foi um lugar especial para mim. Minha avó era boleira e, nas férias em Recife, eu estava sempre por perto, envolvida naquele universo. Sempre gostei de cozinhar e brinco que também sempre fui boa de boca! Aos 11 anos, quando quis muito comprar uma bolsa da Company, que era uma febre na época, comecei a vender brigadeiros no colégio para juntar dinheiro. Da quinta série até o ensino médio, vendi doces, e ali nasceu uma pequena empreendedora. Anos depois, já formada, eu atuava como psicóloga quando fiz uma pausa na carreira para me dedicar à maternidade dos meus dois filhos, Alexandre Filho e Ana Beatriz. Nesse período, continuei a fazer bolos e doces, principalmente para os aniversários deles. Aos poucos, os amigos também começaram a encomendar, e as indicações chegaram a outras pessoas. Por volta de 2007 ou 2008, comecei a trabalhar informalmente com a confeitaria e, durante um tempo, conciliei as duas profissões. Até que decidi seguir minha paixão e me dedicar aos doces.
Como surgiu o nome Alê Pessoa e o que levou você a escolhê-lo para representar a marca?
Desde pequena, minhas amigas e meus familiares me chamavam de Alê. Quando comecei a fazer cartões para divulgar meus doces, percebi que precisava escolher um nome para a marca. Pensei em Alê Calado ou Alê Pinho, meus outros sobrenomes, mas achava que não soavam tão bem. Pessoa é o sobrenome do meu marido e, quando pensei em Alê Pessoa, gostei da sonoridade. Achei simpático, tinha uma identidade própria e combinava comigo. Foi assim que surgiu o nome que passou a representar meu trabalho na confeitaria.
Quais foram os maiores desafios do início da confeitaria e o que levou você a dar um novo passo no negócio?
Na época, eu trabalhava em casa e o negócio cresceu muito rápido, mas sem a estrutura necessária. As compras da confeitaria se misturavam às de casa, eu não tinha horário para parar e muitas vezes trabalhava até de madrugada. Foi um período de muito aprendizado, mas também de desgaste, até que enfrentei um problema de saúde e precisei parar completamente. Passei entre três e quatro anos sem trabalhar. Apesar de ter ficado traumatizada com aquela fase, a paixão pela cozinha falou mais alto e decidi voltar. Dessa vez, sabia que precisava separar a vida pessoal da profissional. Foi aí que, entre 2016 e 2017, aluguei meu primeiro ponto comercial, no Techne Mall, e a Alê Pessoa surgiu formalmente.
A marca Alê Pessoa cresce e conquista espaço na confeitaria. Como você enxerga esse crescimento e o que considera essencial para manter a qualidade do trabalho?
Acredito que esse reconhecimento é resultado de um trabalho contínuo e que ainda tenho muito a aprender e a conquistar. Esse crescimento vem de muito empenho, não apenas meu, à frente da cozinha, mas também de toda uma equipe comprometida, que caminha junto comigo. Hoje, toda a nossa produção está concentrada em uma única unidade, com linhas de doces e salgados. Conto com profissionais muito competentes, entre nutricionistas, chefs de cozinha e coordenadores de cada setor. Temos um trabalho muito focado nos processos, com fichas técnicas minuciosas e controle de todas as etapas. Acredito que manter essa organização e o cuidado com a produção é fundamental para garantir a qualidade e o respeito aos nossos clientes.
Fonte: Maria Clara Teixeira
