Crescimento do e-commerce aumenta demanda por tecnologia e infraestrutura logística no Brasil
RFID amplia a visibilidade dos produtos, reduz erros operacionais e ajuda empresas a lidar com picos de vendas como Black Friday e Natal
3 de setembro de 2026
O crescimento do comércio eletrônico no Brasil aumenta também a pressão sobre a infraestrutura necessária para atender o consumidor com rapidez, precisão e confiabilidade. Em um mercado no qual estoque, separação, expedição e entrega precisam funcionar de forma integrada, tecnologias como a identificação por radiofrequência (RFID) ganham espaço como ferramentas para ampliar a visibilidade dos produtos e tornar a operação mais eficiente.
Segundo projeção da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e Comércio Eletrônico (ABIACOM), o e-commerce brasileiro deve movimentar R$258,4 bilhões em 2026, registrando um crescimento de cerca de 10% em relação ao ano anterior. As principais datas do segundo semestre devem concentrar aproximadamente R$65 bilhões em vendas, considerando Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Para o Natal, a expectativa é de R$29,6 bilhões e 42,2 milhões de pedidos, enquanto a Black Friday deve movimentar cerca de R$14,7 bilhões.
Nesse cenário, a capacidade de saber exatamente quais produtos estão disponíveis, onde estão localizados e em que etapa da operação se encontram passa a ser um diferencial competitivo e fator crítico para reduzir custos, economizar tempo e aumentar a satisfação do consumidor. Ao oferecer maior controle sobre estoque e transporte, essa visibilidade permite agilizar processos, evitar perdas e atrasos e garantir que o produto chegue ao cliente com mais rapidez e eficiência. É justamente nesse ponto que o RFID pode contribuir para o e-commerce.
A tecnologia utiliza ondas de radiofrequência para identificar produtos individualmente por meio de etiquetas inteligentes, permitindo a leitura de diversas peças simultaneamente e sem a necessidade de contato físico e/ou visual direto com o código. Na prática, isso possibilita automatizar etapas de conferência, inventário, separação e expedição, reduzindo erros e a dependência de processos manuais.
“Em uma operação de e-commerce, especialmente durante períodos de pico, não basta ter o produto disponível: é preciso ter certeza de onde ele está e garantir que o item correto seja separado e enviado ao consumidor. O RFID traz essa visibilidade no nível do produto e ajuda as empresas a transformar dados de estoque em decisões mais rápidas e precisas”, afirma Agustin Stamparin, gerente de inovação para a América Latina da Avery Dennison.
O avanço do omnichannel tornou ainda mais relevante a precisão das informações de estoque. Um mesmo produto pode estar no centro de distribuição, em uma loja física, em um ponto de retirada ou reservado para uma compra realizada pela internet. Quanto maior a integração entre esses canais, maior a necessidade de informações confiáveis sobre a disponibilidade e localização dos itens.
Para a Avery Dennison, empresa global de ciência de materiais e soluções de identificação digital, o RFID pode atuar desde a origem do produto até sua chegada ao consumidor, conectando o item físico aos sistemas digitais da operação. As soluções da empresa incluem inlays e etiquetas RFID, tecnologias para impressão e codificação, além de soluções voltadas à gestão de inventário e rastreamento em nível de item.
Os ganhos operacionais também aparecem no case da Fast Group, fabricante de componentes automotivos que adotou RFID para ampliar a visibilidade de sua cadeia de suprimentos e integrar informações em tempo real aos sistemas da empresa. Após a implementação, a companhia registrou 30% de redução no trabalho manual, 30% de aumento na eficiência das operações de entrada e saída e 30% de melhoria na acuracidade do inventário. Embora o projeto esteja inserido em uma operação industrial, os resultados mostram o potencial da tecnologia em ambientes de alto volume e complexidade, nos quais velocidade, precisão e visibilidade são fundamentais para reduzir divergências e manter o fluxo de produtos.
No e-commerce, essa infraestrutura pode contribuir para reduzir erros de separação e embalagem, melhorar a conferência dos pedidos e aumentar a precisão das informações utilizadas para o atendimento. Um estudo publicado na revista Procedia Computer Science, em 2022, aponta que uma estrutura baseada em IoT e RFID pode abranger até 90% das operações, aumentando a confiabilidade do estoque e reduzindo o risco de erros humanos. Os pesquisadores destacam ainda que a falta de visibilidade em tempo real pode levar à indisponibilidade de produtos já vendidos no e-commerce ou, no sentido contrário, ao excesso de estoque. Com o RFID, divergências podem ser identificadas ao longo da operação, ajudando a evitar erros no atendimento, atrasos na preparação dos pedidos e a evitar que o consumidor receba um item diferente daquele que comprou.
“Quando pensamos em grandes picos de demanda, cada erro operacional pode representar mais do que um custo adicional: pode significar atraso, devolução e uma experiência negativa para o consumidor. Ao identificar cada item individualmente, a tecnologia RFID ajuda a criar uma operação mais controlada e conectada, desde o estoque até a entrega”, acrescenta Agustín.
A proximidade da Black Friday e do Natal reforça a importância desse planejamento. Para as empresas, isso significa que a infraestrutura logística precisa estar preparada não apenas para um pico isolado, mas para uma temporada prolongada de vendas.
Nesse contexto, o RFID pode ser utilizado para aumentar a velocidade dos inventários, melhorar a acuracidade do estoque e apoiar processos de fulfillment. A Avery Dennison também oferece soluções voltadas especificamente à logística do e-commerce, com tecnologias de rastreamento em nível de produto que conectam o item físico às informações digitais e ajudam a garantir melhor controle do produto, da loja até chegar ao consumidor.
“O consumidor não enxerga toda a infraestrutura por trás de uma compra online, mas percebe imediatamente quando ela falha. A expectativa é receber o produto correto, no prazo e nas condições esperadas. Por isso, tecnologias que aumentam a precisão e a rastreabilidade deixam de ser apenas ferramentas operacionais e passam a fazer parte da estratégia de experiência do cliente”, conclui Agustin.
Com a expansão do comércio eletrônico e a consolidação de modelos omnichannel, a tendência é que a visibilidade em nível de item se torne cada vez mais importante para varejistas e operadores logísticos. Nesse cenário, o RFID se apresenta como uma tecnologia capaz de aproximar o mundo físico do digital e oferecer às empresas informações mais precisas para tomar decisões em tempo real.
Fonte: Assessoria
