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Uberização
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasil lidera mercado da Uber, mas motoristas ganham até R$ 6,69 a menos por hora fora das capitais

Levantamento mostra diferenças de rentabilidade entre regiões e aponta influência da demanda, tarifas e custos operacionais na renda dos motoristas.

31 de agosto de 2026

Há pouco mais de uma década, chamar um carro por aplicativo ainda despertava desconfiança. Hoje, o Brasil é o maior mercado da Uber no mundo em volume de transações, segundo Silvia Penna, CEO da operação brasileira. O dado sintetiza uma transformação que extrapola a expansão da plataforma: os aplicativos de transporte passaram a ocupar um espaço permanente na mobilidade urbana e se consolidaram como uma importante alternativa de geração de renda em um mercado de trabalho cada vez mais marcado pela informalidade.
Segundo a executiva, mais de 140 milhões de brasileiros já realizaram ao menos uma viagem pela plataforma, enquanto mais de 2 milhões de motoristas parceiros utilizaram o aplicativo para obtenção de renda desde a chegada da empresa ao país, em 2014.
Embora milhões de pessoas dependam dos aplicativos para trabalhar, a rentabilidade da atividade varia de forma significativa entre as regiões do país, mesmo dentro de um mesmo estado. Levantamento do GigU mostra que um motorista da Região Metropolitana de São Paulo obtém lucro médio de R$ 15,57 por hora, com margem líquida de 43,6%. Já no noroeste paulista, em cidades como Barretos, São José do Rio Preto e Votuporanga, o rendimento cai para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%. A diferença de R$ 5,46 por hora representa mais de R$ 1 mil a menos por mês para quem trabalha cerca de 200 horas e supera R$ 13 mil ao longo de um ano.
Em Minas Gerais, motoristas da Região Metropolitana de Belo Horizonte registram lucro médio de R$ 16,05 por hora, enquanto no Triângulo Mineiro o rendimento cai para R$ 9,36. No Rio de Janeiro, a renda média por hora é de R$ 18,49 na capital e de R$ 12,24 em cidades como Angra dos Reis e Volta Redonda. Na Bahia, Salvador registra R$ 14,74 por hora, ante R$ 8,88 em municípios como Eunápolis e Porto Seguro.
As diferenças refletem fatores como demanda por corridas, tempo ocioso entre viagens, distância percorrida até o passageiro, tarifas praticadas e custos operacionais, que variam conforme a dinâmica de cada mercado. Na prática, mostram que, embora os aplicativos tenham ampliado as oportunidades de geração de renda, a remuneração está longe de ser uniforme.
“Capitais e regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, maior incidência de tarifas dinâmicas e presença mais forte de categorias premium, como Comfort e Black, que elevam o tíquete médio. Além disso, a densidade urbana reduz o tempo ocioso entre chamadas, permitindo um maior número de viagens por hora”, afirma Luiz Gustavo NevesCEO e co-fundador do GigU.

Fonte: Assessoria