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Foto: Banco de Imagens

Economia Criativa: Liderança do futuro exigirá mais humanidade e menos burocracia

Regina Amorim destaca que inteligência artificial, ética e propósito serão competências centrais para líderes em um mercado cada vez mais tecnológico

3 de agosto de 2026

O papel do líder do futuro deve concentrar-se no lado humano, ajudando os colaboradores a compreender o impacto da inteligência artificial e da tecnologia nos empregos, mas também destacando as áreas em que a tecnologia pode valorizar os funcionários. Os líderes do futuro precisam entender que impacto determinada tecnologia pode ter sobre os negócios da empresa.

A tendencia de maior impacto no futuro da liderança é a Inteligência Artificial (IA). Com a tecnologia, haverá mais tempo e recursos para focar nas pessoas que colaboram com a organização. Líderes devem concentrar-se na tomada de decisões, no acesso aos dados, fazer com que os colaboradores se mantenham motivados, engajados e capacitados para o trabalho. Ter foco nas qualidades humanas é uma das características mais importantes dos líderes do futuro.

A inteligência artificial levará os bons líderes a criarem empresas mais humanizadas, colocando o bem-estar, a empatia e o respeito às pessoas, no centro das relações. As habilidades puramente humanas estão se tornando cada vez mais eficazes e ganham destaque pela dificuldade de serem replicadas por máquinas, a saber: a comunicação, a liderança, o trabalho em equipe, a resolução de problemas, a adaptabilidade, a inteligência emocional, a criatividade, entre outras.

Os principais líderes mundiais estão preocupados com a rapidez em que as mudanças acontecem, provocadas por novas tecnologias, novas demandas e expectativas de consumidores e funcionários, concorrência e globalização. Um dos caminhos para ser bem-sucedido, como liderança do futuro é desafiar “o estado atual das coisas”. O que funcionou para líderes no passado, não funciona no presente e nem funcionará no futuro.

Elaborar planos estratégicos para cinco anos equivale a um exercício diário de criatividade e flexibilidade, para acompanhar o ritmo das mudanças. Bom mesmo é aceitar a incerteza e não deixar o medo guiar a tomada de decisões. Propósito e significado serão ainda mais valiosos nas marcas no futuro, fazendo parte do trabalho e dando sentido à vida. Muitas organizações estão focando na experiência dos funcionários, para que eles possam encontrar sentido no trabalho, um propósito com significado para comparecer ao trabalho. Propósito e significado fazem parte do pensamento humano. A mudança sobre como pensamos e lideramos, nas organizações públicas e privadas, prioriza investir nos funcionários, ser útil aos clientes, negociar de forma ética com os fornecedores e dar apoio às comunidades.

As organizações do futuro não podem apenas pensar em somente existir, mas serem parte de uma sociedade, com líderes engajados nas questões sociais mais amplas. Até 2030, pesquisa aponta que haverá uma enorme escassez de talentos, em torno de 85 milhões de pessoas para o mercado de trabalho (Korn Ferry). Uma das razões, além da baixa taxa de fertilidade no mundo, temos a geração 60+ representando 30% da população mundial.

Para as empresas inteligentes trabalhar com a geração de funcionários mais velhos é uma excelente oportunidade de aproveitar os mais experientes, os que se dedicam com propósito e significado nas organizações, os que têm mais conhecimento e maturidade na tomada de decisões, ocupando o papel de assessores, instrutores e mentores da nova geração de talentos que entram na organização.

Ser uma liderança ética também traz impacto significativo na tomada de decisões de qualquer empresa. Na cultura organizacional com forte ética, mais de 70% dos funcionários buscam orientação, dos seus líderes, quando estão em dúvida, quanto a atitude ética que devem tomar. No cenário atual, empregados, clientes, fornecedores e investidores querem ser parte de uma organização, com lideranças éticas e essa é uma tendência do futuro, que vai aumentar cada vez mais.

Infelizmente não temos muitos líderes assim. Estudo da LRN, 2018, (consultoria global de ética e compliance – “A Situação de Liderança Moral nos Negócios”) apenas 17% dos líderes costumam dizer a verdade e 23% são líderes de forte moralidade. A pergunta que fica é: Estamos prontos para exercer o papel de líder do futuro?

Regina Amorim

Foto: Linkedin

Sobre Regina Amorim 

É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.

Fonte: Regina Amorim