Economia criativa: cidades do futuro dependem de inovação, autenticidade e talento, defende especialista
Regina Amorim aponta criatividade, conhecimento e sustentabilidade como pilares para o desenvolvimento urbano nas próximas décadas
28 de julho de 2026
O século 21 será o século das cidades. A população urbana já ultrapassa 50% da população mundial, tornando as cidades mais congestionadas, poluídas, inseguras e desiguais. A única alternativa para uma cidade é transformar-se em uma cidade melhor. Não é preciso ver as cidades como problemas, mas sim, como solução.
Com as mudanças sociais, econômicas e ambientais, uma das saídas é a preparação das cidades para o futuro. É valorizar o espírito empreendedor e o valor da criatividade, do talento e da diversidade. Mergulhar no intangível das pessoas e do conhecimento.
“O talento, a inovação, a conectividade e a autenticidade são as dimensões do sucesso da cidade do futuro”, afirma José F.G. Mendes, professor de Sistemas Regionais Urbanos da Universidade de Minho – Portugal. Para ele, a cidade tem a missão e a responsabilidade de identificar, analisar e solucionar desafios, de forma lógica e criativa, descobrindo também potencialidades e vulnerabilidades.
Preparar a cidade para o futuro é contribuir para a sua competitividade e sustentabilidade, garantindo o desenvolvimento econômico, com bem-estar e qualidade de vida da população. A globalização é uma megatendência irreversível. “Pensar globalmente e atuar localmente” é papel das lideranças transformadoras. A urbanização também é uma megatendência. O fluxo migratório entre países poderá atingir os 450 milhões em 2050, determinado pela busca por empregos qualificados e bem remunerados, um reflexo do mundo globalizado da economia da inovação, também denominada economia do conhecimento. Essa megatendência que determinará a liderança do futuro, exigirá mais troca de conhecimento, mais mercados em rede, trabalho colaborativo e qualificação da força de trabalho.
Na economia da inovação, conhecimento é a unidade monetária. Um verdadeiro ecossistema de inovação para cidades inovadoras, que transforma conhecimento em riqueza, através das plataformas de transferência de tecnologia e de empreendedorismo criativo,
Segundo as Nações Unidas, até 2050 a população mundial será de 9,19 bilhões. Associado a esse crescimento está o aumento da geração 60+, que atingirá um terço da população, contribuindo para uma forte redução da força de trabalho global. As competências essenciais do futuro do trabalho estão na criatividade, inovação e empreendedorismo. As mulheres são as novas trabalhadoras qualificadas e as novas lideranças, que dominarão os círculos de decisões, na política, nas empresas e nos mercados, da megatendência demográfica e da força de trabalho.
O desenvolvimento de energias alternativas para o futuro, deve satisfazer os requisitos de energias limpas, renováveis, abundantes, econômicas, confiáveis e seguras. Até 2050, a necessidade energética será gigantesca sobre a economia mundial. Para um futuro imediato as energias solar e eólica, prometem grandes avanços para reduzir o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera. A megatendência de alterações climáticas exige prioridade das tecnologias limpas, que se tornarão um dos valiosos clusters econômicos do século 21.
Diante das megatendências as cidades, regiões e países precisam estar conscientes para construir o futuro sustentável. As ameaças e oportunidades de um mundo em mudanças profundas são considerados desafios que exigem ação.
A estratégia do futuro das cidades tem por base a interpretação dessas tendências e do seu respectivo impacto. No caminho do sucesso das cidades é preciso acompanhar as tendências e identificar os desafios. Muitas cidades carecem de autenticidade, preferem copiar vocações de outras cidades e assim permanecem sem alma e sem identidade.
Cidades com características únicas ganham vantagem competitiva e atrai pessoas criativas e talentosas, que buscam oportunidades, realização profissional, liberdade de expressão. Valorizam a qualidade de vida, preservam o patrimônio histórico, cultural e ambiental, a cidadania e os padrões de comportamento. A cidade do futuro deve ser sustentável e autêntica, um ambiente propício à diversidade, à criatividade e à permanente reinvenção, que atenda aos requisitos econômicos, sociais, culturais e ambientais.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim