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Foto: Imagem do curso de lutieria no Instituto Casa do Béradêro

Economia criativa: o potencial dos distritos criativos na Paraíba

Regina Amorim propõe atuação do poder público no fortalecimento da economia criativa e cita Catolé do Rocha e Brejo do Cruz como exemplos de potencial

6 de julho de 2026

O Estado contemporâneo desempenha um papel essencial como garantidor de direitos fundamentais, formulador de políticas públicas e indutor do desenvolvimento econômico e social. Continua tendo um papel fundamental e estratégico no desenvolvimento de grandes avanços tecnológicos.

As novas tecnologias e as novas economias ajudam a criar estruturas inovadoras de poder. Embora a inovação não seja o principal papel do Estado, mostrar a sua capacidade empreendedora é uma das maneiras mais eficientes de aumentar a sua proatividade.

O Estado pode priorizar a economia criativa e facilitar a economia do conhecimento, nas esferas federal, estadual e municipal. Também pode desempenhar papel fundamental na tecnologia verde, que promove a preservação dos recursos naturais, o uso de energias limpas e a redução da pegada de carbono. No Brasil, os bancos de desenvolvimento fornecem empréstimos para os segmentos mais inovadores da economia verde, esse modelo de desenvolvimento que busca conciliar o crescimento econômico com a preservação ambiental e a inclusão social.

Para os municípios paraibanos, uma solução inovadora seria a criação de distritos criativos, em bairros urbanos que integram a história, a cultura e a economia criativa. Eles funcionam como polos de inovação e empreendedorismo, promovendo a revitalização de espaços degradados e estimulando o talento, a arte e o desenvolvimento socioeconômico da comunidade. É uma atitude de gestão pública empreendedora que transforma territórios comuns em territórios criativos e potencializa os artistas da comunidade, além de proporcionar uma estrutura de entretenimento e lazer para a população e para os turistas.

Segundo o Ministério da Cultura “Território Criativo constitui uma estratégia de desenvolvimento local e regional baseada na identidade cultural, na diversidade, na inovação e na participação social. Sua força reside na capacidade de transformar vocações culturais e criativas em geração de trabalho decente, renda digna e impacto social positivo”.

Há uma tendência de negócios criativos se aproximarem, em um ecossistema que beneficia a todos. Essa movimentação acontece com os distritos criativos, territórios que reúnem pessoas e empreendedores relacionados à economia criativa. Em conjunto, eles promovem ações que melhoram o lugar onde estão instalados, potencializam os negócios e têm impacto econômico, social e urbano.

Ao assumir essa liderança, o Estado faz com que aconteçam inovações, que não aconteceriam de outra maneira. Como um ator visionário do sistema econômico, o Estado faz toda a diferença. Para isso, conta com a assessoria do SEBRAE, que já tem metodologia específica para a criação de distritos criativos, de planos de desenvolvimento territorial, que valorizem a identidade e a cultura local. Para isso é fundamental identificar oportunidades culturais, artísticas, gastronômicas e tecnológicas do território. Criar governança colaborativa, unindo empreendedores, moradores e o poder público.

A realização de um encontro de artistas e indivíduos com saberes e ofícios semelhantes é uma das primeiras ações de sensibilização para a criação de um ecossistema de um distrito criativo, que nasce de um movimento espontâneo de artistas, empreendedores e moradores que se unem para revitalizar uma área urbana, com base na identidade local, cultura e inovação, focando em governança colaborativa.

É possível viabilizar o distrito criativo de Catolé do Rocha – PB, juntamente com o Instituto Cultural Casa do Béradêro, que já existe por inciativa do cantor e compositor Chico César. A rua onde o artista gravou o clipe Mama África, tem grandes possibilidades e há interesse do poder público municipal. Da mesma forma, o “terreiro da usina” citado na música AVOHAI de Zé Ramalho, também é uma iniciativa viável do governo empreendedor de Brejo do Cruz – PB.

É preciso construir o Estado empreendedor com organizações que conseguem criar estratégias de desenvolvimento e investimentos bem-sucedidos, apesar dos desafios globais. Governos confiantes, coerentes, ágeis, que estão receptivos e sensíveis ao povo é o que se espera no século 21.

Regina Amorim

Foto: Linkedin

Sobre Regina Amorim 

É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.

Fonte: Regina Amorim