Economia Criativa: políticas públicas e gestão baseada em evidências fortalecem territórios criativos
Regina Amorim destaca debate no Salão Nacional do Turismo e aponta que gestão baseada em evidências é fundamental para fortalecer territórios criativos no Brasil
29 de junho de 2026
O potencial criativo não é apenas para alguns cérebros privilegiados. Ele é uma habilidade disponível e pronta para ser despertada em cada ser humano. Quanto mais exercitá-lo mais se encontra a criatividade. Quanto mais se aprende sobre a economia criativa, mais conhecimento vamos ter para liberar a capacidade de imaginação.
No – CE, destaco a palestra sobre “Brasil Criativo”, da Cláudia Leitão, especialista de Economia da Cultura e Economia Criativa que está Secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura. Foi um momento de reflexão e insights para a gestão dos territórios brasileiros, comprometidos com os princípios da Economia Criativa.
Não basta ter pessoas criativas em qualquer lugar se não tiver as políticas públicas, com seus indicadores, para mensurar qual território é mais criativo que o outro. Em geral medimos mal, medimos pouco o território. Temos que ter instrumentos para fazer uma gestão por evidências, utilizando dados confiáveis, pesquisas científicas e fatos, para tomar decisões organizacionais, substituindo o “achismo” e a intuição.
Não dá para gerir turismo e economia criativa numa perspectiva amadora. Precisamos ter capacidade de mensurar os avanços. “Nos Territórios Criativos, cultura, economia e sustentabilidade atuam de forma integrada, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando oportunidades para trabalhadores e trabalhadoras da Economia Criativa”.
Para Cláudia Leitão o maior desafio que temos pela frente, ao mergulhar na cultura e na economia criativa é repensar com o Estado, a formulação das políticas transversais. Talvez muitos negócios da economia criativa não tenham evoluído, porque a economia criativa não sobrevive isoladamente, mas de forma transversal, principalmente com a atividade turística e os ecossistemas culturais e criativos da economia criativa.
A criatividade é uma habilidade fundamental, um recurso capaz de fazer enfrentar a complexidade deste século. Está presente nos processos produtivos e na dimensão simbólico-cultural, que gera valor agregado aos seus bens e serviços. O Portal Brasil Criativo, do Ministério da Cultura, https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/brasil-criativo é uma plataforma para incentivar a articulação entre empreendedores, investidores e territórios, ampliando oportunidades de negócios, fortalecendo redes e sistemas produtivos e contribuindo para a consolidação de novos modelos de desenvolvimento baseados na criatividade, na diversidade cultural e na sustentabilidade.
Mariana Mazzucato é uma influente economista ítalo-britânica, professora na University College London (UCL) e fundadora do Instituto de Inovação e Propósito Público. Em seu livro “O Estado Empreendedor” ela traz uma análise reveladora do papel dos governos nas revoluções tecnológicas mais recentes do mundo. Como exemplo, a marca iPhone e Apple que são resultado de pesquisas financiadas pelo Estado americano.
Programas governamentais estruturados que geram lucro são casos de sucesso internacionais, tais como o “EXIST” na Alemanha ou o concurso “idea of the Year” na República Tcheca, uma forma de apoio estratégico e financeiro pode dobrar as chances de sucesso de novos negócios, acelerando o desenvolvimento de produtos e serviços. No Brasil, a Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), é uma política pública permanente, instituída pela Lei nº 14.399/2022 que destina R$ 3 bilhões anuais da União a estados e municípios, até 2027, para apoiar negócios criativos, como fontes geradoras de riqueza nas sociedades modernas.
A criatividade deve ser vista como um fenômeno colaborativo, ou seja, uma forma de interação e produção de conhecimento, em que as soluções e comportamentos surgem da colaboração de diferentes pessoas. Uma força coletiva capaz de reconstruir futuros desejáveis, moldar ambientes e sobreviver às complexidades de um mundo global. O futuro desejável dos territórios criativos do Brasil será construído pelos brasileiros, que escolheram acessar a sua capacidade imaginativa, integrando a tecnologia, para potencializar uma visão de mundo mais empática, criativa e original.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim