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Foto: Freepik

Erros na precificação do delivery corroem margens e podem levar varejistas ao fechamento

Especialista alerta que frete gratuito, taxas de aplicativos e custos operacionais ignorados estão transformando o crescimento das vendas em prejuízo para empresas de diversos segmentos.

24 de junho de 2026

O avanço das vendas digitais trouxe novas oportunidades para o varejo, mas também criou um problema silencioso que já afeta empresas de diversos segmentos: a falta de controle sobre os custos envolvidos nas entregas. Em muitos casos, varejistas acreditam estar aumentando receitas ao ampliar a atuação em aplicativos, marketplaces e canais próprios de delivery, mas acabam reduzindo suas margens ou até operando no prejuízo por falhas na formação de preços.
O cenário preocupa porque os erros costumam passar despercebidos. Custos com motoboys, combustível, comissões de plataformas, taxas de pagamento, integrações tecnológicas e despesas operacionais frequentemente não são incorporados corretamente à precificação dos produtos. O resultado é um modelo de vendas que aparenta crescimento, mas que pode comprometer a sustentabilidade financeira do negócio e, em situações mais graves, levar ao fechamento das operações.
Segundo Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Desenvolvimento de Software, esse é um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo varejo. “Muitas empresas estão vendendo mais e acreditando que estão crescendo, quando na realidade estão sacrificando suas margens. Quando os custos do delivery não são calculados corretamente, o aumento do volume pode acelerar o prejuízo em vez de gerar lucro”, afirma.
O delivery deixou de ser um diferencial para se tornar parte da rotina do consumidor. Comprar pelo celular e receber em casa com rapidez já é uma expectativa natural em praticamente todos os segmentos do varejo, de supermercados e farmácias até restaurantes, pet shops e lojas de conveniência. Nesse cenário, a questão para as empresas não é mais se devem atuar em aplicativos, marketplaces e canais digitais, mas como fazer isso de forma financeiramente sustentável.
O concorrente mudou

Durante muitos anos, boa parte do varejo tinha como foco principal a concorrência local. Hoje, o cenário é completamente diferente. Plataformas como iFood, Mercado Livre, Rappi e marketplaces diversos disputam a atenção do consumidor com base em conveniência, prazo de entrega e experiência digital.
“O concorrente não está mais apenas do outro lado da rua. Ele está no ambiente digital, disponível no celular do consumidor a qualquer hora. Quem não se adapta corre o risco de perder relevância”, destaca Seleber.

No varejo farmacêutico, por exemplo, esse movimento se tornou ainda mais evidente nos últimos anos. Farmácias passaram a disputar espaço não apenas entre si, mas também dentro dos aplicativos, onde preço, velocidade e praticidade influenciam diretamente a decisão de compra.
O erro de absorver todos os custos

Um dos principais equívocos observados no varejo é oferecer entrega gratuita sem conhecer o impacto financeiro dessa decisão. Muitas empresas mantêm essa prática por receio de perder clientes, mesmo quando a operação já apresenta margens pressionadas.
“O consumidor já entende que conveniência tem valor. Ele paga pela entrega de alimentos, bebidas e diversos outros produtos. O varejista precisa avaliar com racionalidade se faz sentido continuar absorvendo sozinho esse custo”, explica o executivo.
Além do frete, outros fatores frequentemente passam despercebidos e comprometem o resultado da operação:

  • comissões de marketplaces;
  • taxas de meios de pagamento;
  • custos de integração tecnológica;
  • despesas com pessoal e operação;
  • erros de precificação;
  • descontos concedidos sem análise de margem;
  • custos logísticos não incorporados ao preço final.

Tecnologia como aliada da rentabilidade

Para Stephenson Seleber, a solução passa pela adoção de sistemas de gestão capazes de integrar o varejo aos principais canais digitais e incorporar automaticamente seus custos à formação de preços. “Hoje existem sistemas que se conectam a aplicativos e marketplaces e ajustam os preços considerando as taxas cobradas por cada canal. Isso permite que a empresa participe do digital preservando sua margem”, afirma.
O executivo cita o varejo farmacêutico como um dos setores que mais avançaram nesse modelo de integração, mas ressalta que o desafio já é comum a praticamente todos os segmentos do comércio.

A própria Alpha7 Desenvolvimento de Software atua com soluções voltadas ao varejo farmacêutico, integrando operação, gestão financeira, compras, vendas e canais digitais para dar mais controle sobre custos e rentabilidade.
Como evitar que o delivery vire prejuízo

Para que o delivery deixe de ser um centro de custos e se torne uma alavanca de crescimento, Stephenson Seleber recomenda algumas medidas práticas:

  • calcular o custo real de cada entrega;
  • revisar políticas de frete e subsídios;
  • incorporar taxas e comissões à precificação;
  • integrar a operação a aplicativos e marketplaces;
  • monitorar margem e rentabilidade por canal;
  • utilizar sistemas que automatizem controles e reajustes de preço.

A presença no digital já é uma exigência do mercado. O desafio agora está em estruturar essa operação de forma que o aumento das vendas venha acompanhado da preservação das margens e da saúde financeira do negócio.
“O delivery não é mais opcional. O que define o sucesso é a capacidade de transformar conveniência em rentabilidade. Quem conhece seus custos e utiliza tecnologia para tomar decisões consegue crescer de forma sustentável”, conclui Stephenson Seleber.

Fonte: Assessoriai