iFood inicia entregas com drones na Grande São Paulo e amplia operação logística
Nova rota em Barueri reduz tempo de entrega, integra drones e entregadores e marca primeira operação sobre áreas residenciais no Brasil
2 de junho de 2026
No ano em que celebra 15 anos de história liderando a revolução do delivery no Brasil, o iFood, empresa brasileira de tecnologia, anuncia a expansão do uso de drone para a Grande São Paulo. A partir de 1 de junho, a cidade de Barueri passa a receber pedidos por esse modal, em uma operação desenhada para solucionar um dos maiores gargalos do delivery tradicional: as rotas com altas taxas de rejeição pelos entregadores, que, nesse caso, era de quase 50% dos pedidos. A escolha da região não foi por acaso; o objetivo é contornar a complexidade de acesso e o longo tempo de espera para entrada nos grandes condomínios de Barueri, e, assim, transformar trajetos que antes eram evitados pelos entregadores em operações rápidas e eficientes.
O modelo de negócio é multimodal e mantém o entregador como peça fundamental do processo. O fluxo começa dentro do shopping Iguatemi, com um mensageiro ou com a robô autônoma Ada realizando a coleta interna nos restaurantes do centro comercial, seguido pelo voo do drone que cruza o trecho aéreo de 3,6 quilômetros em cinco minutos e, por fim, a “última milha”, feita de moto por um entregador que leva até o cliente.
“Essa integração garante que a tecnologia atue de forma complementar, ampliando as possibilidades de rotas sem substituir o papel essencial da pessoa entregadora. O que queremos com isso é aumentar a demanda dos restaurantes, aumentar a oferta e praticidade para os consumidores e garantir renda aos entregadores”, explica Mariana Werneck, diretora sênior de logística do iFood.
A executiva também reforça que segurança e precisão técnica são os pilares para cada rota, especialmente em uma região com uma das maiores densidades de tráfego aéreo do mundo. A aeronave utilizada, desenvolvida pela empresa brasileira Speedbird Aero, é o mesmo modelo operado em Sergipe: voa a 50 km/h a uma altitude de 60 metros e suporta condições climáticas adversas, como ventos de até 55 km/h e chuvas leves. A nova rota, criada em parceria pelas duas empresas, possui as certificações necessárias da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e o percurso de cada voo é controlado e monitorado pela Speedbird, com um operador acompanhando a operação em tempo real e assegurando convivência segura com o tráfego de helicópteros da Grande São Paulo.
É a primeira rota de delivery no Brasil que vai sobrevoar áreas residenciais. Isso foi possível porque, em dezembro de 2025, a Anac certificou a Speedbird para operar o drone em regiões com densidade de até 5 mil habitantes por km2.
“Para a Speedbird Aero, essa operação é um passo importante para consolidar o drone como parte da logística urbana. Em um mercado que cresce rapidamente, o desafio vai além do voo. A prioridade é garantir a segurança aérea e, por isso, a parceria com ANAC e DECEA, aliada à novas tecnologias e à integração com a operação em solo, torna-se essencial para superar os obstáculos dos serviços de entrega em áreas complexas”, afirma Manoel Coelho, CEO da Speedbird.
A nova operação em Barueri herda o sucesso tecnológico de Sergipe, onde a rota aérea que conecta um shopping de Aracaju a moradores de Barra dos Coqueiros já superou a marca de mais de 5 mil pedidos desde outubro/2025. Naquela operação, o trajeto terrestre de 36 km, que levaria cerca de uma hora entre ida e volta, foi reduzido para um voo de menos de quatro quilômetros percorrido em apenas três minutos, com a etapa final realizada sempre por entregadores. A rota, que antes sequer existia, passou a abrir novas possibilidades aos restaurantes. Há registro de estabelecimentos que chegaram a aumentar em 50% as entregas via delivery por conta do drone, que destravou oferta e demanda.
Como funciona o drone do iFood?
- Capacidade: até 5 kg
- Velocidade: 50 km/h.
- Altitude: até 60 metros (equivalente a um prédio de 20 andares), conforme regulamentação do DECEA, abaixo do limite técnico da aeronave.
- Segurança: equipado com GPS para navegação e paraquedas em caso de emergência.
- Operação: comandado por um centro de controle da Speedbird Aero em Franca (SP).
- Frota: dois drones disponíveis para o trajeto, que podem ser acionados ao mesmo tempo, conforme a demanda.
- Resistência: suporta ventos de até 55 km/h e chuva leve (5 mm por hora).
