Entenda o que é o hantavírus e como evitar a infecção
Especialista alerta para os riscos da doença e explica sintomas, transmissão e prevenção
29 de maio de 2026
Transmitido principalmente por roedores silvestres, o hantavírus é uma zoonose grave que pode levar à morte em até 50% dos casos, segundo especialistas. Apesar de pouco conhecida pela população, a doença já registra ocorrências no Brasil desde a década de 1990 e exige atenção, principalmente em áreas rurais, depósitos fechados e locais com presença de ratos.
De acordo com o infectologista pediatra Jandrei Markus, professor da Afya Porto Nacional, existem diferentes tipos de hantavírus no mundo, alguns mais agressivos do que outros. “O vírus preocupa principalmente por sua capacidade de levar a óbito a pessoa que adquire a doença, além de não existir um tratamento antiviral específico disponível”, explica.
Como ocorre a transmissão?
A principal forma de transmissão acontece pela inalação de partículas virais presentes nas fezes, urina e saliva de roedores infectados. Quando essas secreções secam, o vírus pode se espalhar pelo ar, aumentando o risco de contaminação.
Os locais mais perigosos são ambientes fechados ou pouco ventilados, como galpões, sótãos, depósitos, casas fechadas e até áreas de acampamento e turismo rural. O contato direto com secreções dos animais e mordidas também podem transmitir a doença, embora sejam formas mais raras.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
Os primeiros sintomas costumam surgir poucos dias após o contato com o vírus e podem ser facilmente confundidos com outras infecções virais. Entre os sinais iniciais estão febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, náuseas, vômitos e diarreia.
Segundo o especialista, o quadro pode evoluir rapidamente para complicações graves. “A fase seguinte apresenta alterações inflamatórias importantes, principalmente nos pulmões e no coração. O paciente passa a ter tosse, falta de ar e pode desenvolver insuficiência respiratória rapidamente”, alerta.
A recomendação é procurar atendimento médico logo nos primeiros sintomas, especialmente se a pessoa teve contato recente com locais infestados por roedores nos últimos 60 dias.
Casos já foram registrados no Brasil
O hantavírus já teve casos confirmados em praticamente todas as regiões do país. A maior concentração ocorre na Região Sul, enquanto o Nordeste apresenta menor número de registros.
A doença costuma estar relacionada a áreas rurais, desmatamento e ambientes com maior presença de roedores silvestres.
Existe vacina ou tratamento?
Atualmente, não existe um antiviral específico contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte médico intensivo, muitas vezes com necessidade de internação em UTI para controle das complicações respiratórias e cardiovasculares.
Algumas vacinas já foram desenvolvidas em determinadas regiões do mundo, mas ainda não estão amplamente disponíveis e não garantem proteção contra todos os tipos do vírus.
Como se prevenir?
A principal forma de prevenção é evitar contato com locais que possam conter excretas de roedores. Especialistas orientam nunca varrer ambientes secos com sinais de infestação, já que isso facilita a dispersão das partículas contaminadas no ar.
O uso de máscara N95 também é recomendado para pessoas que precisem entrar em depósitos, galpões ou outros ambientes considerados de risco.
Além disso, manter os espaços limpos, ventilados e sem acúmulo de lixo ou alimentos expostos ajuda a reduzir a presença de roedores e o risco de transmissão da doença.
Na Paraíba, a Afya Paraíba e a Afya Educação Médica João Pessoa atua na formação e atualização de profissionais da saúde, promovendo debates e conteúdos sobre doenças infecciosas, prevenção e saúde pública. O tema também faz parte da rotina de discussão acadêmica dos cursos de Medicina da instituição, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da conscientização da população sobre doenças zoonóticas como o hantavírus.
Fonte: Vivass Comunicação
