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Amauri
Foto: Divulgação

Amauri Sales: “Escalar um negócio não é crescer a qualquer custo, é reduzir variáveis e manter consistência na entrega”

Empresário paraibano recebe Selo ABF pela 4ª vez e fala sobre inovação e padronização no food service

30 de abril de 2026

A consolidação de modelos híbridos, que combinam delivery, experiência presencial e franquias, tem redefinido o setor de food service no Brasil, e exige dos empreendedores não apenas criatividade, mas domínio rigoroso de indicadores, processos e posicionamento de marca. Nesse contexto, o empresário paraibano Amauri Sales de Melo tem se destacado nacionalmente ao acumular crescimento consistente e reconhecimento recente no mercado de franquias e inovação no delivery, especialmente pela capacidade de escalar mantendo padrão operacional e experiência do cliente. O reconhecimento veio pelo quarto ano consecutivo ao receber o Selo de Excelência em Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF), uma das mais relevantes certificações do setor no país.

Amauri é fundador e CEO da Home Sushi Home e construiu um ecossistema de marcas que dialogam com diferentes momentos de consumo. Ele lidera operações como ManguShoyu, Mitt Sushi Bar e Sea Rooftop, explorando desde o delivery escalável até experiências gastronômicas presenciais mais autorais. Sua trajetória é marcada por uma transição estratégica do Direito para o empreendedorismo, aliada a uma atuação fortemente orientada por dados e eficiência operacional.

Nesta entrevista que segue, Amauri detalha os bastidores dessa construção, da virada de chave que o levou a empreender, até os desafios de escalar múltiplas marcas, passando por gestão financeira, tecnologia, padronização e leitura de mercado. A conversa oferece uma visão técnica sobre como estruturar negócios sustentáveis no food service, especialmente em um cenário cada vez mais competitivo e orientado por experiência. Confira:

Você iniciou sua trajetória no Direito, fez mestrado em Lisboa e migrou para o empreendedorismo na gastronomia. Em que momento essa mudança deixou de ser uma aposta e passou a ser uma decisão estratégica em sua vida?

A decisão veio em setembro de 2017, após uma temporada de dois meses em São Paulo. Naquele período, a operação do Home Sushi Home atingiu, pela primeira vez, um faturamento de R$ 100 mil mensais. No entanto, por falhas de gestão, esse volume não se convertia em resultado financeiro. Foi a partir desse desalinhamento entre faturamento e lucro que decidi me dedicar integralmente ao empreendedorismo.

A Home Sushi Home nasce como uma dark kitchen e evolui para uma rede de franquias com atuação nacional. ManguShoyu também nasce como dark kitchen e evoluiu para restaurante próprio. Quais foram os principais ajustes no modelo de negócio para torná-lo replicável e escalável, assim como definir que era o momento de abrir uma loja física?

No caso do ManguShoyu, a decisão de migrar para o presencial foi motivada por dois fatores principais. O primeiro, a mudança no comportamento do consumidor no pós-pandemia, com maior busca por experiências físicas, e desafios estruturais do delivery, como o alto custo das plataformas e a dependência de mão de obra especializada. Além disso, o produto em si influencia. O poke, por exemplo, tem uma operação mais simples e padronizável do que a culinária japonesa tradicional, o que facilita a transição. Já no caso da escalabilidade, foi fundamental estruturar processos, padronizar insumos e desenvolver um modelo que reduzisse variáveis operacionais nas unidades.

Hoje você opera diferentes marcas, Home Sushi Home, ManguShoyu, Mitt Sushi Bar e Sea Rooftop. Como você estrutura a arquitetura de marcas para atender públicos distintos sem gerar sobreposição ou canibalização?

A lógica não é separar públicos, mas sim momentos de consumo. As marcas dialogam com o mesmo perfil de cliente, porém em ocasiões diferentes. Isso evita canibalização e fortalece o ecossistema. Um exemplo prático é o Mitt Sushi Bar, que não opera no delivery justamente para não competir com a Home Sushi Home. Já o Sea Rooftop trabalha com uma proposta de experiência, focada em ambientação, coquetelaria e gastronomia ibérica contemporânea, ocupando outro espaço na jornada do cliente.

Em uma operação com alto volume de pedidos e múltiplas unidades, quais são os principais indicadores que orientam sua tomada de decisão no dia a dia, especialmente em custo de mercadoria vendida, margem e fluxo de caixa?

O Custo de Mercadoria Vendida é, sem dúvida, o indicador mais sensível da operação e exige monitoramento constante, pois impacta diretamente a margem. Além dele, acompanhamos de perto o Net Promoter Score, que mede a satisfação e lealdade do cliente. Essa combinação entre indicadores financeiros e de experiência permite uma leitura mais completa do negócio, garantindo não apenas eficiência operacional, mas consistência na entrega ao consumidor.

 Com negócios em diferentes formatos e cidades, como você garante padronização de processos, treinamento de equipes e manutenção da cultura organizacional?

Trabalhamos com uma base sólida de documentação e treinamento, que inclui manuais operacionais, videoaulas, tutoriais e procedimentos padronizados. No entanto, mais do que processos, existe um acompanhamento próximo junto aos franqueados. A cultura organizacional não pode ser apenas comunicada, ela precisa ser vivida na prática. Por isso, buscamos liderar pelo exemplo e garantir que os valores da marca estejam incorporados no dia a dia das equipes.

João Pessoa tem sido base para validação de vários dos seus projetos. Na sua visão, quais são as principais oportunidades, e gargalos, para quem deseja escalar negócios no food service hoje?

Existe um espaço relevante para inovação, mas ainda vemos muitos negócios replicando modelos já saturados. As maiores oportunidades estão justamente em propostas que entreguem algo novo, seja em produto, experiência ou modelo de operação. No nosso caso, buscamos inovar desde o início, seja ao transformar a experiência de entrega da Home Sushi Home, ao posicionar o Mitt com padrão internacional acessível, ou ao trabalhar o ManguShoyu com foco em lifestyle e alimentação personalizada. Ainda há muito espaço para evoluir nesses três pilares.

 

Fonte: Heloísa França