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Foto: Divulgação

Rodrigo Soares: “Não há antagonismo entre emprego e empreendedorismo”

Presidente do Sebrae Nacional cita expansão de 5,5% do PIB paraibano e diz que “não há antagonismo entre emprego e empreendedorismo”

16 de abril de 2026

Recém-empossado como presidente nacional do Sebrae, Rodrigo Soares assume o cargo em um momento de expansão da economia e fortalecimento do empreendedorismo no Brasil. Após percorrer os 27 estados e acompanhar de perto a realidade dos pequenos negócios, ele defende uma atuação ainda mais intensa da instituição para gerar renda, inclusão e desenvolvimento. Em entrevista, Soares detalha números, estratégias e projetos que devem marcar essa nova fase — com destaque para a Paraíba, um dos estados que mais cresce no país.

O senhor assume a presidência do Sebrae em um momento importante. Como encara esse desafio?
Fizemos parte de visitas aos 27 estados, atuando na vocação do Sebrae do país inteiro, que é uma grande escola de negócios para fazer com que o povo brasileiro, lutador e resistente, possa cada vez mais empreender, gerar renda e gerar cidadania. Fui convocado agora, na desincompatibilização do presidente, para assumir a presidência nacional do Sebrae. E agora a gente vai, nesses próximos meses, continuar esse trabalho e, mais do que isso, intensificar a ação do Sebrae no país inteiro.

Qual o papel do Sebrae no atual momento da economia brasileira?
A gente tem um momento tão importante da nossa economia, do desenvolvimento. Sobre a orientação do presidente Lula, o Brasil conseguiu erradicar a fome mais uma vez, e o Sebrae tem feito um apoio importante aos diversos setores da economia, no sentido de gerar desenvolvimento e potencializar o empreendedorismo a nível nacional.

A Paraíba tem sido destaque. O que explica esse desempenho?
Não poderia ser diferente iniciar pela Paraíba. A Paraíba expandiu o PIB em 5,5%. Foi um dos estados que mais cresceu a nível nacional, atrás apenas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E entre os estados do Nordeste, cresceu acima da média do país. Hoje, com mais de 4 milhões de habitantes, tem uma economia bem distribuída entre serviços, agricultura e indústria.

Como o Sebrae atua diretamente nos municípios?
Eu tenho dito por onde ando que o Sebrae atua apoiando a economia local. O Sebrae está para o município assim como o Ministério da Economia está para o país. A gente está no território local fazendo conexões entre gestores públicos, empresários e pessoas que empreendem, melhorando e simplificando o ambiente de negócios.

Quais números mostram esse impacto na prática?
Aqui na Paraíba, por exemplo, temos o Sebrae presente em todas as regiões, com 11 regionais e atuação em 112 municípios com salas do empreendedor. No ano passado, atendemos 30 mil empresas no estado e quase 4 mil empreendedores participaram de cursos e oficinas. Em 2025, foram mais de 1,1 milhão de atendimentos no estado.

O senhor pode destacar iniciativas de impacto econômico direto?
Um exemplo importante é o Salão do Artesanato, que só na primeira edição de 2026 somou R$ 4,5 milhões em vendas. É um programa permanente. O Sebrae atua para qualificar as pessoas, porque muitas vezes elas têm talento — sabem cozinhar, fazer artesanato — mas não entendem de gestão. E o Sebrae chega para ajudar na gestão, para que a pessoa possa escalar e ampliar seu negócio.

Os dados recentes mostram crescimento na abertura de empresas. Como o senhor interpreta esse cenário?
Em janeiro e fevereiro, tivemos mais de 1 milhão de empreendimentos abertos no país, sendo 97% pequenos negócios. Aqui na Paraíba, foram mais de 14 mil novos CNPJs nesse período. Em 2025, foram 4,9 milhões no Brasil e 63,5 mil na Paraíba. Isso demonstra que a economia está em ascensão.

Esse crescimento está ligado ao desemprego ou a uma tendência empreendedora?
Não há antagonismo entre geração de emprego e abertura de empresas. Muito pelo contrário: quando você tem empresas sendo abertas, é porque o emprego está sendo gerado. A economia está se movimentando. Muitas vezes, a pessoa já tem emprego, mas quer ampliar a renda e empreende com algum talento que tem.

O acesso ao crédito ainda é um desafio para pequenos empreendedores. Como o Sebrae atua nisso?
Nós temos o Acredita Sebrae, com o Fundo de Aval para Micro e Pequenas Empresas. Muitas vezes, o pequeno empreendedor não tem garantia para conseguir crédito. O Sebrae entra com esse fundo e com o crédito assistido, orientando onde investir. Isso faz com que a inadimplência seja quase zero. De 2023 até 2025, chegamos a R$ 13 bilhões em crédito.

O Sebrae também atua em inclusão social e sustentabilidade?
Sim. Um exemplo é o apoio aos catadores de recicláveis. Em 2025, apoiamos mais de 300 cooperativas, com aumento médio de 21% no faturamento. Também atuamos junto ao CadÚnico, ajudando pessoas do Bolsa Família a gerar renda. Hoje, 99% dos empregos gerados são ocupados por esse público.

E na área de educação e inovação?
Na educação empreendedora, tivemos 9,3 milhões de atendimentos a estudantes. Também temos mais de 23 mil startups cadastradas no Sebrae. Trabalhamos com inovação em todo o país, inclusive com iniciativas no Nordeste, como o Inova Caatinga.

Qual a visão para o futuro do Sebrae?
O Sebrae hoje tem um valor de marca de R$ 33,9 bilhões, saindo do 20º para o 4º lugar no país. Isso mostra a força do trabalho que vem sendo feito. A nossa missão é continuar ampliando esse impacto, apoiando cada vez mais o empreendedor brasileiro.

 

Fonte: Redação