Augusto Lins: “Sempre volto para perto do cliente: é lá que estão as melhores respostas”
Convidado pelo EquityClub, fundador da Stone esteve em João Pessoa e falou sobre liderança, cultura de atendimento e jornada empreendedora
23 de abril de 2026
Augusto Lins, fundador e conselheiro da fintech Stone, companhia de meios de pagamentos e soluções financeiras, construiu sua trajetória movido por um desejo claro de empreender. Formado em Engenharia Eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele logo percebeu que seu caminho não seria a engenharia tradicional.
Nos anos 80, fundou sua primeira empresa de software. Depois, buscou aprimorar sua visão de gestão com um MBA nos Estados Unidos, onde se aproximou do mercado financeiro e dos meios de pagamento, setor que marcaria sua carreira. Décadas depois, ao vivenciar o ecossistema de startups no Vale do Silício, encontrou o ambiente ideal para dar vida a uma ideia ambiciosa: ajudar a transformar o mercado brasileiro ao lado da Stone.
Autor do livro “5 Segundos – O jeito Stone de servir o cliente”, Augusto esteve em João Pessoa a convite do EquityClub, que reuniu seus membros em evento presencial recheado de aprendizados sobre cultura organizacional, atendimento e liderança.
Na entrevista que segue, Augusto Lins mostra um caminho certo, mas complexo para crescer: ouvir, de fato, o que deseja o cliente.
Quais suas percepções sobre João Pessoa? Já tinha visitado antes?
Sim, já vim muitas vezes. Antes de fundar a Stone e durante, eu visitava a cidade com frequência, cerca de duas vezes por ano, para acompanhar o time, visitar clientes, treinar equipes e fazer recrutamento. Eu vejo uma evolução grande na infraestrutura, no turismo, no setor imobiliário e também uma seleção maior de bares e restaurantes. Vejo uma evolução grande na cidade, com uma vocação mais turística, mais organizada. A impressão é muito positiva.
Como o senhor enxerga a importância de eventos como esse promovido pelo EquityClub, fora do eixo Rio–São Paulo?
O Brasil tem muitos empreendedores, e são eles que vão transformar o país. Nem todo mundo tem tempo ou recursos para estar no eixo Rio–São Paulo, então iniciativas como essa são fundamentais. É por isso que faço questão de participar: para apoiar quem quer adquirir conhecimento novo para empreender melhor e com mais segurança. A jornada do empreendedor é difícil, então valorizo muito essa iniciativa de Marcus Varandas, junto ao EquityClub.
Na sua palestra, o senhor parece totalmente vidrado no cliente e destacou isso em diversos momentos, principalmente na dor do cliente. Pode aprofundar isso?
Todo mundo tem problemas, mesmo que nem sempre sejam percebidos como “dores”. Às vezes, é algo que sempre foi feito de um jeito e ninguém questiona. Por exemplo: a fila é uma dor, mas por que tem fila? Porque sempre foi assim, assim funciona. A famosa frase “sempre foi assim” aparece muito. Mas não precisa continuar sendo. A tecnologia, especialmente a inteligência artificial está abrindo novas possibilidades. Por isso, conversar com o cliente é essencial: para entender a jornada, identificar incômodos ocultos e melhorar continuamente.
E como os empresários estão encarando essa realidade? O senhor percebe resistência ou muito desconhecimento em relação à inteligência artificial?
É natural. Existe um momento de medo ou rejeição. Depois vem o entendimento. Quando a pessoa compreende melhor, percebe que aquilo veio para ficar e que precisa se adaptar. Quanto mais cedo for, melhor. A inteligência artificial é muito nova e extremamente revolucionária, então assusta mesmo. O importante é abraçar e seguir em frente.
Para finalizar, qual mensagem o senhor deixa para os empresários neste atual momento do país?
Acreditem nos seus sonhos e contem com empresas como a Stone que querem ajudar. Não tentem fazer tudo sozinhos. Mantenham a mente aberta e sigam seu sonho.